Dinis Chan
Nas últimas semanas, e durante os feriados do Natal, registou-se um aumento do visitantes em Macau. O presidente da direcção da Associação dos Hoteleiros de Macau, Lou Chi Leong, considerou que a subida no número de visitantes é “normal”. Em comparação com o nível pré-pandemia, a indústria hoteleira está longe da retoma económica, mas o sector ainda permanece optimista para o futuro, indicou Lou Chi Leong.
De acordo com os dados estatísticas mais actualizados, divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em Novembro chegaram a Macau 801.300 visitantes, registando-se um aumento de 144,1%, face a Outubro de 2021 (636.351). Este número também subiu 25,9%, em relação a Novembro de 2020 (636.351). Já a Direção dos Serviços de Turismo (DST) anunciou que, no dia 24 de Dezembro, chegaram a Macau 40.284 visitantes, sendo o terceiro dia com mais visitantes diários desde o início do ano até agora.
Lou Chi Leong, presidente da direcção da Associação dos Hoteleiros de Macau (MHIA, na sigla em inglês), também notou o óbvio acréscimo durante últimas semanas, sobretudo nos feriados do Natal. No entanto, a subida do número de visitantes não o surpreendeu. Lou considerou que isto é um fenómeno habitual, e o resultado pode até ser considerado “insatisfatório”.
Segundo o representante do sector hoteleiro, o último trimestre do ano é uma época alta para os turistas viajarem para Macau e fazerem compras, especialmente em Novembro e Dezembro, devido à realização de eventos festivos, como do Grande Prémio e do Festival de Gastronomia, portanto, é natural a chegada de mais visitantes.
Além do mais, lembrou que em Outubro deste ano, Macau detectou novos casos de Covid-19, o que levou a um forte golpe na Semana Dourada. Consequentemente, Novembro, em comparação com o mês anterior, verificou uma percentagem elevada de aumento.
Lou Chi Leong acrescentou ainda que uma parte da razão pela qual o número de visitantes aumentou pode atribuir-se à força dos sectores e do Governo. “Actualmente, a indústria hoteleira está a enfrentar tempos difíceis. Não só os sectores [ligados ao turismo] têm investido um monte de esforços para a promoção, o Governo da RAEM também tem adoptado várias medidas para estimular a economia, organizado diferentes eventos a fim de atrair mais visitantes a vir a Macau, divulgado Macau como um destino de viagem seguro e apropriado para visitar, como Festival de Luz, Gala de Drones, Semana de Macau, esperando que seja capaz de recuperar a confiança de turistas do interior da China”.
A taxa de ocupação hoteleira é proporcional ao número de visitantes, ou seja, quanto mais visitantes, mais alta a taxa de ocupação hoteleira, referiu Lou Chi Leong. Quanto à taxa média de ocupação dos hotéis, de acordo de informações publicadas pela DSEC, entre os dias 17 e 22 de Dezembro, alcançou os 52,5%, tendo assim aumentado 5 pontos percentuais em comparação com a média de Novembro, que foi de 47,5%. O presidente da associação ligada à indústria hoteleira acredita que, estimativamente, a taxa de ocupação nos hotéis pode até subir mais 20 pontos percentuais durante esta altura.
No que toca às origens de visitantes, o número de visitantes da China continental registou-se em 741.226, mais 25,9%. É de notar que o número de visitantes vindos da Grande Baía totalizou 482.543. Lou explicou que agora Macau só pode acolher os visitantes do interior da China, contando com uma única fonte de clientes. “Todo o mundo está sob a ameaça de pandemia, os turistas oriundos da China Continental não têm tantas opções, nem podem visitar aos países estrangeiros, nem a Hong Kong, Macau é uma boa escolha para eles”.
Apesar de se ter observado um aumento do número de visitantes, o responsável relacionado com o sector da hotelaria afirmou que o resultado ainda é “insatisfatório”, mostrando-se até preocupado com a possibilidade de que, após o período de férias, os números voltem a cair. Recorde-se os dados estatísticos pré-pandémicos de 2019, onde o número de visitantes se fixou em 2,9 milhões apenas no mês de Novembro. Em comparação com Novembro de 2021, a queda é de 263%. Lou Chi Leong lembrou que a “hotelaria era uma indústria próspera, a taxa de ocupação era sempre elevada, atingindo 90%. Tínhamos mais fontes de clientes, como circuitos turísticos, visitantes de Hong Kong e internacionais, que aproveitavam as férias de Natal para visitar a Macau”.
A ser questionado sobre quais os factores que contribuem para travar o número de turistas, Lou Chi Leong esclareceu: “Sob as medidas impostas de combate à pandemia, os visitantes têm de passar muitos trâmites complexos e fazer teste de ácido nucleio para vir a Macau, adicionalmente, o Governo Central permanece alerta sobre surtos locais de Covid-19 em várias cidades chinesas, assim inevitavelmente diminuindo as suas vontades de viajar”.
Para o presidente da MHIA, neste momento é difícil estimar uma eventual recuperação: “É claro que desejamos que não emerjam novos casos confirmados de Covid-19 em surto, mas isto não é previsível, depende muito da evolução da pandemia”. Porém, Lou Chi Leong mantém uma atitude optimista sobre o sector hoteleiro, já que “Macau é uma cidade segura e apropriada para visitar; em torno da prevenção e do controlo de pandemia, Macau tem feito um bom trabalho”. Como a taxa de vacinação globalmente está a subir, o responsável da associação disse acreditar que no próximo ano a situação vai ser atenuada e melhorada: “Se Macau puder ficar estabilizado, os fronteiras entre Hong Kong e Macau voltariam a estar abertas para permitir a entrada dos visitantes de Hong Kong, os aeroportos voltariam ao funcionamento para receber visitantes dos países estrangeiros de risco baixo, a indústria hoteleira vai fazer de 2022 o ano da retoma da economia”.
PONTO FINAL











