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      Chan Meng Kam apresentou duas propostas à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês

      Num comunicado enviado às redacções, o presidente da Golden Dragon Group Company e antigo deputado da Assembleia Legislativa de Macau deu a conhecer duas propostas que deixou à consideração da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês: uma sobre o traçado da via tridimensional Macau-Zhuhai para a rede ferroviária nacional de alta velocidade e outra para permitir que as universidades de Hong Kong e Macau operem independentemente na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e Shenzhen.

       

      Arredado do quotidiano político desde 2017, altura em que decidiu abandonar a Assembleia Legislativa (AL) – onde era deputado desde 2005 – para se dedicar aos seus negócios, Chan Meng Kam mantém-se atento ao que se passa por Macau, em particular, e na China continental, em geral. Na passada sexta-feira, o presidente da Golden Dragon Group Company endereçou à comunicação social da RAEM as duas propostas que deixou, este fim-de-semana, à consideração da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC).

      As propostas revelam questões que têm vindo a ocupar as páginas dos jornais nos últimos tempos: o traçado da via tridimensional Macau-Zhuhai para a rede ferroviária nacional de alta velocidade e a permissão para que as universidades de Hong Kong e Macau possam operar independentemente na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e Shenzhen.

      Em relação à primeira, o homem natural da província de Fujian considera que “a situação actual do caminho-de-ferro Macau-Zhuhai é seriamente incompatível com o seu estatuto”. Chan Meng Kam aponta que tanto a RAEM quanto a cidade vizinha “têm um estatuto particularmente importante no país e no estrangeiro, mas a situação actual do transporte ferroviário externo está muito atrasada”. “Existe apenas a linha ferroviária entre Cantão e Zhuhai para viagens externas. Em comparação com cidades da área da Grande Baía, como Shenzhen, Dongguan, Huizhou ou até mesmo Hong Kong, Macau e Zhuhai não têm qualquer outra ligação de transporte ferroviário, excepto essa linha ferroviária até Cantão, e o fosso ferroviário entre a área metropolitana ocidental de Zhuhai e a área metropolitana de Guangzhou-Shenzhen é muito óbvio”, acusa o membro da 13.ª Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

      Por outro lado, afirma Chan Meng Kam, as duas cidades “necessitam urgentemente de apoio ferroviário de alta velocidade para o seu desenvolvimento”. “Nos últimos seis anos, o crescimento médio anual do tráfego ferroviário de passageiros em Zhuhai foi de 17,2%, e a actual linha ferroviária interurbana até Cantão está saturada, revelando graves carências.” Mais, “é inconveniente para viagens externas”.

      O presidente da Golden Dragon Group Company lembra as autoridades que “apenas existem duas linhas ferroviárias de passageiros a operar na área metropolitana de Zhuhai Oriental, em comparação com nove e cinco linhas nas áreas metropolitanas de Cantão e Shenzhen, respectivamente”. O antigo deputado local acrescenta ainda, a título de exemplo, que “os viajantes de Macau, Zhuhai e Zhongshan precisam de mudar na Estação Sul de Cantão para viajar de e para as cidades da Grande Baía, o que aumenta consideravelmente os custos económicos e de tempo”.

      Chan Meng Kam acredita que só com uma boa estrutura ferroviária na região se consegue implementar concretamente o plano do Comité Central do Partido Comunista da China e pelo Conselho de Estado para a construção da zona de cooperação profunda entre Guangdong e Macau em Hengqin. Contudo, actualmente, “nem Macau e nem Zhuhai dispõem de caminhos-de-ferro de alta velocidade em construção ou em funcionamento”. “É necessário traçar e construir o mais rapidamente possível uma via de transporte tridimensional integrada na rede ferroviária nacional de alta velocidade, de modo a injectar um forte impulso no desenvolvimento de Macau e Zhuhai”, sugere o natural de Fujian, acrescentando que as duas cidades adjacentes devem “procurar o apoio da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR) e da China Railway para acelerar a construção da rede ferroviária tridimensional com Macau e Zhuhai na equação, e do centro de transporte ferroviário na margem ocidental do estuário do Rio das Pérolas”.

      Outras questões abordadas pelo membro da 13.ª Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, também relacionadas com o traçado ferroviário da China, passam pela “construção de um traçado nacional de comboio de alta velocidade em forma ligando a rede ferroviária nacional de alta velocidade ao norte”, acelerando a linha da capital Pequim até Macau e Hong Kong.

      Para leste, a cidade será ligada à rede ferroviária nacional de alta velocidade, suportado por esquema regional que ligue Cantão, Hong Kong e Macau a toda a área da Grande Baía. “A construção antecipada de uma linha férrea de intercâmbio directo entre Shenzhen e Zhuhai formará um traçado ferroviário no interior do Delta do Rio das Pérolas”, refere Chan Meng Kam, instando as autoridades de Macau a construírem rapidamente uma ligação entre Macau e Zhuhai. “Primeiro, é construir um eixo ferroviário de alta velocidade com a estação central de Zhuhai, em Heshou, e a estação de Qinzhou, em Hengqin, tornando-as essenciais e deixando a estação de Zhuhai e a estação de Zhuhai Norte como estações auxiliares”, apontou, referindo ainda que “é preciso acelerar a construção da extensão do Metro Ligeiro de Macau até Hengqin”.

       

      Autonomia às universidades

      A residir em Macau desde o início dos anos de 1980, Chan Meng Kam também é presidente do Conselho da Universidade Cidade de Macau (UCM), tendo recebido em 2019 o grau de doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Évora, em Portugal, pelo seu trabalho enquanto empresário e filantropo.

      Talvez por essa ligação ao mundo da academia, é que na sua segunda proposta, Chan Meng Kam gostaria que o Governo Central pudesse “permitir que as universidades de Hong Kong e Macau operem independentemente na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e Shenzhen.

      O antigo deputado lembrou que as políticas da China vão no sentido de se criarem condições para o estabelecimento de uma zona internacional dedicada à educação na área da Grande Baía até 2035, o que inclui, defende Chan Meng Kam, o estabelecimento e promoção dos estabelecimentos de ensino superior na província de Guangdong. Como apoio ao desiderato, o antigo deputado da AL, deixa uma paleta de recomendações políticas que podem, acredita Chan Meng Kam, criar a viabilidade de Hong Kong e Macau gerirem escolas superiores, de modo independente, na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e Shenzhen.

      Essas recomendações passam pela criação de uma política de gestão que permita que escolas de Taiwan, Hong Kong e Macau possam gerir as escolas na China continental, removendo barreiras institucionais. “O Estado deve formular estrategicamente políticas especiais para promover a escolarização internacional na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e Shenzhen, bem como reforçar o apoio às universidades de Hong Kong e Macau na gestão de escolas no continente”, notou o presidente da Golden Dragon Group Company, acreditando que “serão feitos esforços sustentados para remover as barreiras institucionais em termos de protecção de políticas, criação de ambiente, condutas suaves, construção de plataformas e atribuição de recursos, de modo a proporcionar protecção à educação e formação em colaboração do ensino superior”.

      Paralelamente, Chan Meng Kam admite que é necessária a construção de “uma plataforma de gestão conjunta que consiga inovar o mecanismo de funcionamento das escolas internacionais”. “Recomenda-se a construção de um mecanismo deliberativo e de coordenação para a gestão escolar entre os níveis superiores dos governos dos três lugares, assim como seja criada uma plataforma especial de serviços para a gestão escolar internacional”, sugere o empresário, que acrescenta ser premente “um esforço adicional para cultivar um espírito humanista de alto nível, inovador e com uma visão global”.

      Por fim, o empresário – um dos mais ricos da RAEM – recomenda ainda o “reforço da garantia abrangente para as universidades de Hong Kong e Macau de gerir escolas superiores no continente, construindo um sistema de ensino superior com características chinesas”. “Recomenda-se que os governos nacional e locais forneçam mais apoios para relaxar o controlo cambial e tomar disposições especiais para o financiamento transfronteiriço da escolaridade. Sendo que, ao mesmo tempo, deve ser estabelecido um mecanismo para dar prioridade à protecção da terra para a escolarização internacional, e deve ser tomado cuidado em termos de objectivos de uso da terra e de submissão de pedidos”, atirou Chan Meng Kam, que ainda sugeriu a criação de “políticas especiais de desalfandegamento, vistos de entrada e saída e residência de longa duração a professores estrangeiros”.

      O deputado acredita que “são precisos modelos de formação de talentos para assegurar a liberdade académica e a segurança ideológica”. “Para além do apoio à vinda de talentos internacionais, é preciso expandir ainda mais a escala das universidades nas três regiões, construindo em conjunto disciplinas de marca, e apostar na construção de um sistema de ensino superior com características chinesas, expandindo a influência da China” no mundo.

       

       

      PONTO FINAL