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      Antiga Fábrica de Panchões Iec Long deverá abrir ao público no final do ano

      Obras de revitalização parcial estão programadas para começar no Verão. Ontem, a comunicação social foi convidada a percorrer o espaço onde, outrora, funcionou a segunda maior fábrica de panchões a seguir à Fábrica Kwong Hing Tai. Encerrou portas em 1984.

       

      O dia, contrariamente ao que sucedeu nas últimas semanas, convidava ao passeio. As ruínas da Antiga Fábrica de Panchões Iec Long apresentavam-se soalheiras. A visita, organizada pelo Instituto Cultural (IC), que gere o espaço e o projecto para ali delineado, fez-se em cerca de uma hora, mas podia ter durado mais. O espaço tem muito potencial e se “crescer” como o Governo promete, Macau ganhará, certamente, um local de lazer diferente do habitual.

      A Antiga Fábrica de Panchões Iec Long ocupa mais de 20 mil metros quadrados de terreno na Taipa, tendo o espaço passado para as mãos do IC no dia 9 de Dezembro de 2020. “A fábrica está coberta de ervas daninhas, estando o ambiente do espaço degradado”. Após assumir a gestão da fábrica de panchões, o IC “executou imediatamente uma série de trabalhos preliminares, incluindo inspecções e o registo do estado de conservação do edifício e do ambiente, limpeza do lixo, das ervas daninhas e das águas residuais no local, eliminação de riscos e reforço de algumas secções do edifício, bem como a remoção das secções não originais do mesmo”, algo que pode ser comprovado no local e através das fotos que ilustram este texto

      Este Verão, em Junho ou Julho, arrancam naquele espaço trabalhos de maior monta, com uma revitalização parcial de alguns dos edifícios em ruínas, dando-se prioridade à abertura de algumas partes do espaço para a visita do público.

      A abertura parcial será efectuada, em primeiro, com a construção dum passadiço em torno de toda a fábrica, passadiço que já existe, por assim dizer, uma vez que através de balizas, já se consegue ter uma noção por onde os visitantes podem circular dentro do espaço. “Será estabelecida nas imediações do parque de estacionamento de Chun Su Mei uma praça como a entrada principal e o IC vai reparar com prioridade três construções localizadas na praça referida para servirem de espaços de exposições e workshops, centro de informação turística, loja de presentes das indústrias culturais e criativas, cafetaria, entre outros”, explicou aos jornalistas o responsável do instituto, qual cicerone.

      O IC, revelou o mesmo responsável, “também está a estudar a construção de umas mini-instalações de aventura de carácter familiar no espaço, proporcionando actividades de experiência para crianças, tais como casas em forma de árvore, redes de corda de escalada, entre outros equipamentos de jogos de aventura, permitindo às crianças divertirem-se ao ar livre”.

      Ao mesmo tempo, as autoridades encarregaram uma entidade especializada de especializada de realizar um estudo pormenorizado sobre o ambiente ecológico, geológico e hídrico da fábrica que deverá “estar pronto nos próximos seis meses”. “A ideia passa por propor um plano sobre a protecção dos recursos naturais e o uso aberto futuro, que servirá de referência para o planeamento de longo prazo de restauro, revitalização ou novas funções da fábrica. O objectivo é revitalizar esta instalação num parque especial de actividades de lazer com características próprias, sobre o tema da exposição do sector de panchões em Macau, para uso dos residentes”, revelou o IC durante a visita.

      Actualmente, quem percorre o local pode ver dezenas de edifícios em ruínas. Uns mais destruídos que outros, alguns já com intervenção humana ao nível da remodelação. Também ainda se consegue visualizar alguns grafitis e desenhos feitos por gente que, decerto, entrou no local sem autorização, uma vez que o mesmo encontra-se fechado desde 1984.

      A indústria dos panchões era uma indústria artesanal tradicional de Macau no século XX, chegando a ser um dos principais pilares da economia da cidade. Antes do século XX, todas as fábricas de panchões na península de Macau situavam-se longe das zonas residenciais, mas com o aumento da população, o Governo resolveu, por razões de segurança, começar a transferir as fábricas de panchões para a Taipa, que era muito pouco povoada.

      A Antiga Fábrica de Panchões Iec Long era uma fábrica de panchões de Macau de grande dimensão que foi fundada por Deng Bitang, natural de Nanhai, na província de Guangdong. O empresário começou por gerir o seu negócio de panchões em Foshan e Nanhai, tendo recebido autorização para estabelecer a Iec Long na Taipa em 1925. Nas décadas de 1950 e 1960, a indústria de panchões atingiu o seu auge em Macau. Nessa altura, existiam seis fábricas de panchões na Taipa e a Fábrica de Panchões Iec Long era a segunda maior fábrica de panchões a seguir à Fábrica Kwong Hing Tai.

      O sector entrou em declínio na década de 1970 e a Iec Long acabou desactivada em 1984. A fábrica funcionou durante cerca de 60 anos, sendo a fábrica de panchões com mais tempo de actividade em Macau. Até hoje, apesar da ruína, a antiga fábrica preserva a sua disposição e o seu ambiente original.

       

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