Surgiram há cerca de três anos em alguns pontos do território umas máquinas azuis de venda automática, mas não disponibilizavam comida nem bebida. As máquinas da Bottle Free Macau dedicam-se à venda de produtos de limpeza sem embalagem, permitindo ao público adquirir detergentes ou desinfectantes com as suas garrafas reutilizáveis. Para a equipa da Bottle Free, a protecção ambiental eficaz deve ser realizada na comunidade e através de resíduos a partir da fonte.
De zero para dez máquinas de venda colocadas em diversas zonas da Macau, conseguindo reduzir cada vez mais garrafas de plástico no território, a equipa da Bottle Free Macau quer expandir a sua rede e implementar a diminuição de resíduos a partir da fonte, na esperança do volume de desperdício se tornar zero.
Estando a operar a venda de produtos de limpeza sem embalagem através destas máquinas, a equipa da Bottle Free Cleaning Products Limited revelou ao PONTO FINAL que este projecto de ‘naked shopping’ já “salvou” quase 20 mil garrafas de plástico em Macau desde a sua entrada em operações em 2019.
De acordo com Derek Wu, gerente de operação da empresa Bottle Free, o grupo já tinha uma ideia de realizar um projecto sobre a redução de resíduos a partir da fonte há muito tempo, mas tomou finalmente a decisão de o implementar há três anos. Foi a introdução da lei de restrições ao fornecimento de sacos de plástico, que visa reduzir a utilização excessiva de sacos de plástico através de meios económicos, que impulsionou a equipa a levar a cabo o negócio. “Apercebemo-nos que o Governo, incluindo a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, começou a valorizar a protecção do ambiente, e assim tínhamos mais impulso para implementar a nossa ideia com um ponto de partida dos produtos de limpeza”, relatou.
O responsável sublinhou que já existem projectos semelhantes de venda sem embalagem em máquinas automáticas em muitas zonas do mundo, como em Taiwan, Austrália, Reino Unido e no interior da China, mas esse conceito era ainda muito inovador em Macau.
A equipa decidiu assim adoptar a venda de detergentes para a roupa, amaciadores, sabonetes para as mãos, detergentes para a loiça e desinfectantes. A colega Mona explicou ao nosso jornal que os membros do grupo são dedicados a negócios relacionados à lavandaria e estão familiarizados com a aquisição de materiais de limpeza, pelo que conhecem bem a situação de desperdício causado pelas garrafas de plástico desta área.
“Todas os líquidos para limpeza são embalados para vender nos supermercados. Além de garrafas de bebidas e sacos de plástico, também temos de ter mais cuidados nas embalagens dessas matérias no nosso quotidiano”, alertou.
Entre as dificuldades de concretização da ideia do projecto, a equipa adiantou que todo o processo de concepção e produção da máquina demorou mais de meio ano. “Como não há sectores relacionados em Macau para referência, e pelo facto de não podemos usar máquinas de venda de alimentos, encontrámos alguns modelos de máquinas para melhorar e adicionar alguns dos nossos elementos próprios”, explicou Derek, acrescentando que adoptou o modelo de venda com esta máquina devido à sua mobilidade.
Segundo explicou, os consumidores precisam apenas de trazer o seu recipiente próprio, como uma garrafa reciclada, e dirigir-se a uma máquina, seleccionar o produto pretendido e deixar o líquido encher o recipiente, pagando de forma electrónica.
Notando que esta geração mostra uma tendência de digitalização e fluidez de pessoas e informação, Derek considera que a máquina de venda pode ser melhor do que a forma tradicional de estabelecer uma loja, dado que podem mudar a localização das máquinas para mais cidadãos as conhecerem e acompanhar mais estreitamente e mais perto do público.
“Os seres humanos têm preguiça. Se a localização da loja não estiver perto, não dá jeito, é difícil provocar o seu interesse para experimentar. Caso tenham uma máquina perto de casa, que funciona 24 horas por dia, então podem experimentar a qualquer hora o ‘naked shopping’”, apontou Derek.
Protecção ambiental na comunidade e na fonte
Em vez que sofrer a pressão das rendas e limitação de localização na criação de uma loja, a equipa tem-se esforçado para expandir os pontos de serviços ao longo do tempo, para uma maior abrangência da comunidade. A equipa vai dar as boas-vindas a mais máquinas de “venda sem embalagem” em breve, nomeadamente na Praia Grande e numa zona habitacional na Taipa, além de oitos postos existentes: dois na Taipa e seis na Península de Macau.
A equipa mostrou-se satisfeita que a “venda sem embalagem” através das máquinas automáticas esteja a ser muito bem recebida pelos residentes. “Há muitos moradores a pedir-nos para colocar mais máquinas em mais sítios no território, a atitude é muito positiva. Por outro lado, temos de enfrentar a questão da negociação com os proprietários de centros comerciais e as empresas de gestão de prédios habitacionais, no âmbito da colocação e gestão das máquinas. Muitos não conhecem esta indústria, têm receio e não querem experimentar devido à incerteza”, lamentou Mona ao PONTO FINAL.
Sempre com o objectivo de entrar na comunidade, o grupo sonhou que um dia este modelo de compra poderá atingir todos os cidadãos e abranger toda a cidade. Além do esforço para arranjar locais para colocar as máquinas, Mona destacou que alguns produtos que estão a vender são mais baratos do que no supermercado.
“O projecto é popular entre ambientalistas, mas o preço atrai agora também o público em geral, levando essas pessoas a participarem na protecção ambiental, começando a reduzir o volume de lixo que produzem. Isto é o que queremos promover, a protecção do ambiente não é complicada, nem cara”, disse.
Os responsáveis da Bottle Free reiteraram que as acções amigas do ambiente devem ser feitas desde no início, ou seja, reduzindo o desperdício na fonte, admitindo ainda que o Governo da RAEM, em relação à iniciativa de protecção do ambiente, tem realizado e apoiado muitos trabalhos. “Entretanto esperamos que as autoridades possam promover ainda mais numa perspectiva de ‘redução de resíduos a partir da fonte’, em vez da ‘reciclagem de desperdício’, devendo fazer trabalhos mais directos e eficazes”, instou.
O uso de embalagens de caixas plásticas para comida preocupa igualmente o grupo, que sugeriu reduzir na fonte o respectivo uso. “Este não é um trabalho que pode ser implementado globalmente pelas organizações e empresas privadas, o Governo pode cooperar com as associações ou empresas que têm planos relacionados com a promoção da utilização de caixas ou sacos reciclados para comida”, recomendou.











