Projecto Ruilian Wellness Resort em Hengqin, no qual Macau investiu mais de dois mil milhões de patacas, entrou na fase de conclusão e aceitação

0
191

A revelação foi dada pela Direcção dos Serviços de Finanças em resposta a uma interpelação escrita ao Governo de Leong Sun Iok de Novembro do ano passado, onde o deputado considerava que “a sociedade ficou espantada com a forma descuidada do Governo ao injectar mais de dois mil milhões do erário público” sem “mecanismo de apreciação e autorização”, bem como uma “falta de fiscalização adequada”.

 

A Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) assumiu ontem, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Leong Sun Iok, que os três projectos do sector da saúde pensados para o Parque Industrial de Cooperação Guangdong-Macau em Hengqin, “entraram na fase de conclusão e aceitação”.

Tanto o deputado, na sua interpelação escrita ao Governo, quanto a sua colega de bancada Ella Lei – que ontem pediu a realização de um debate na AL sobre o assunto -, têm demonstrado alguma preocupação com o que consideram ser “um investimento descuidado”, numa altura em que as empresas de capitais públicos têm sido alvo da atenção da sociedade, especialmente a Macau Investimento, cujos investimentos foram significativos e implicaram valores na ordem dos 10 mil milhões de patacas.

A DSF tenta apascentar os deputados, garantindo que o investimento realizado servirá para “enriquecer continuamente o conteúdo da grande indústria da saúde de Macau e facilitar o desenvolvimento da diversificação económica moderada de Macau”. “Quando entrarem em funcionamento, podem ser integrados com o turismo existente em Macau, a medicina chinesa e os cuidados de saúde, elementos de convenções e exposições e indústrias relacionadas”, pode ler-se na resposta do Serviço de Finanças, assinada pelo director Iong Kong Leong.

Recorde-se que, no final de 2020, o Comissariado de Auditoria (CA) revelou que a Macau Investimento, sem qualquer estudo nem análise prévia bem organizada, tomou uma decisão baseada apenas num anteprojecto, elaborado por uma empresa de consultadoria, para a concretização do projecto hoteleiro Ruilian Wellness Resort, que custou mais de 2,6 mil milhões de renmimbi. Leong Sun Iok pontua que, também em 2020, já o Governo havia garantido que “tinha solicitado à Macau Investimento a suspensão total dos novos projectos e planos de investimento e o adiamento da abertura dos projectos já concluídos”, ajustando o nível de gestão do projecto do novo resort em Hengqin “porque já se havia iniciado”

Ella Lei também escreveu no pedido de debate enviado ontem à AL, e já aceite pelo presidente do hemiciclo, Kou Hoi In, que, desde a sua criação em 2011, “a Macau Investimento detém uma enorme quantidade de fundos públicos”. “No final de 2020, recebeu seis aumentos de capital, com um capital de 9,285 milhões de patacas. Contudo, nestas circunstâncias, o Governo ainda tem de continuar a bombear capital adicional. De acordo com o Orçamento de 2021, o Governo estimou uma injecção de 140 milhões no ano passado”, pode ainda ler-se na moção de debate apresentada.

O Governo, através da DSF, defende-se, considerando que “o hotel temático mencionado proporcionará também uma base adicional de formação profissional e estágio para jovens médicos chineses em Macau, o que ajudará a elevar os seus padrões profissionais e a abrir a sua visão no mercado, bem como a fornecer e reservar profissionais de medicina chineses para o desenvolvimento da principal indústria de cuidados de saúde de Macau”.

Iong Kong Leong termina ainda a resposta ao deputado da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) garantindo que, relativamente à gestão das finanças públicas, “todos os departamentos têm defendido os princípios de economia, eficiência e eficácia, bem como os princípios de abertura e transparência” estipulados na lei.

 

 

PONTO FINAL