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      Macau é recordista de lixo ‘per capita’ na região, aponta Annie Lao

      A activista ambiental Annie Lao considerou que Macau continua a ser o recordista de resíduos sólidos urbanos descartados ‘per capita’ na região, apesar de, no ano passado, ter recebido menos cerca de 34 milhões de visitantes.

       

      “Precisamos de toda uma mudança de sistema a fim de combater as alterações climáticas como um todo na sociedade. Governo, sectores privados, indivíduos, organizações, basicamente todos precisam de participar e fazer do combate às alterações climáticas uma prioridade, tal como nós o fazemos para a prevenção da covid-19”, afirmou à Lusa a activista ambiental de Macau Annie Lao.

      Em 2020, visitaram o território menos de seis milhões de pessoas, sendo que em 2019 tinham visitado Macau quase 40 milhões. Com isto, praticamente todos os indicadores ambientais melhoraram, não devido a medidas concretas, mas sim por causa das circunstâncias.

      “Na sequência do surgimento súbito da epidemia relacionada com a pneumonia causada pelo novo tipo de coronavírus, as actividades económicas foram gravemente afectadas, especialmente o impacto na indústria do turismo, pilar da economia de Macau, levou a mudanças significativas nos indicadores socioeconómicos e ambientais”, explicaram as autoridades, no relatório mais recente sobre o estado do ambiente em Macau.

      Houve uma “descida de 85% no número de visitantes, o PIB baixou consideravelmente em 55%, a quantidade de resíduos sólidos descartados e as emissões de gases com efeito de estufa desceram 20% e 40%, respetivamente, tendo-se verificado ainda uma descida entre 6% e 8% no volume de água facturada e no consumo de electricidade”, exemplificaram.

      Em 2019, o território tinha produzido 2,22 metros cúbicos de resíduos sólidos urbanos descartados per capita. Já em 2020, Macau registou uma queda acentuada: produziu 1,74 metros cúbicos de resíduos por pessoa dia em 2020, ainda assim continua a ser superior a Singapura, a Hong Kong, Pequim e Cantão, de acordo com os dados da Direção dos Serviços de Protecção Ambiental de Macau (DSPA).

      “Continuamos a ser ‘os campeões’ de geração de resíduos em comparação com as regiões próximas”, evidenciou a activista, fundadora da Macau for Waste Reduction, que foi um dos principais rostos contra o plástico de utilização única em Macau.

      “Deitar o lixo fora é grátis em Macau e as pessoas não pensam nos resíduos que geram porque não existe uma ‘política de pagamento do poluidor’”, explicou Annie Lao. A activista criticou ainda o Governo de Macau por não ter investido o suficiente nas instalações verdes em Macau, tais como instalações de reciclagem, painéis solares, ciclovias, recolha de água da chuva para reutilização, edifícios verdes, telhados verdes, etc.

       

      Separação de resíduos em Macau é inexistente e plásticos são queimados, diz Johnson Leong

       

      O presidente da Federação de Protecção Ambiental de Macau denunciou à Lusa que os resíduos domésticos em Macau não são separados e a maioria dos plásticos domésticos que podiam ser reciclados são enviados para incineradoras.

      “As medidas de reciclagem introduzidas pelo Governo são totalmente ineficazes”, afirmou Johnson Leong, cuja empresa que exporta lixo. Devido ao custo e ao apoio insuficiente do Governo, acrescentou, “não há estações de reciclagem que recebam plásticos em Macau”. “Além das empresas de jogo que reciclam plástico, a maioria dos resíduos domésticos de plástico produzidos em Macau são enviados para incineradoras para serem queimados”, sublinhou.

      Não há dados concretos relativamente à quantidade de plástico consumido em Macau por dia, mas na vida diária da cidade a utilização de plástico é constante: de embrulhos de fruta em supermercados, na compra de alimentos, como bolos e pães, embalados individualmente, até aos famosos ‘take away’. Macau tem cerca de 1.900 estabelecimentos que vendem exclusivamente comida para fora.

      “Dados sobre plásticos importados de utilização única não estão disponíveis no Governo de Macau, e é difícil para o Governo não controlar a importação de sacos e caixas de plástico”, disse Johnson Leong.

      Questionada pela Lusa sobre os dados relativos ao consumo e tratamento dado a caixas plásticas descartáveis, a DSPA não adiantou quaisquer dados e respondeu: “As caixas plásticas podem ser colocadas na ‘Recolha de resíduos recicláveis por três núcleos’ ou pontos de reciclagem para triagem e reciclagem depois de terem sido lavadas e limpas”.

      Johnson Leong salientou que esta é uma ideia inviável, já que apenas um número “muito pequeno” de pessoas lava e limpa as caixas para colocar no ecoponto. “Durante a pandemia, os cidadãos de Macau produziram um grande número de caixas de plástico para levar todos os dias e estas caixas usadas foram enviadas para incineradoras para serem queimadas”, denunciou.

      A DSPA indicou que alguns dos plásticos que foram seleccionados para reciclagem serão transformados em matérias-primas em Macau, enquanto o resto será transportado para regiões vizinhas para reciclagem após processos de compressão.

      Os mesmos serviços sublinharam que a tecnologia do centro de incineração está entre as melhores do mundo e lida com 576.650 toneladas por ano. “O que o Governo fez foi apenas superficial e não foram tomadas quaisquer medidas de seguimento”, refutou Johnson Leong, reforçando, contudo, que “os resíduos domésticos não são separados e são incinerados”.

      À Lusa, as autoridades ambientais apenas responderam que no centro de incineração os veículos com lixo são pesados e que o seu conteúdo é verificado, acrescentando que “o resto dos resíduos é incinerado de acordo com os procedimentos estabelecidos”.

      O Centro de Incineração de Resíduos de Macau está localizado na Taipa, com um total de duas fábricas e seis incineradoras. “A incineração de materiais não degradáveis produz 1,4-Dioxina que, por sua vez, produz chuva ácida, que polui a terra. A poluição do solo é muito grave no Delta do Rio das Pérolas”, frisou.

      A partir de 1 de Janeiro deste ano, a China proibiu a importação de resíduos sólidos sob qualquer forma. O ambientalista explicou que todos os resíduos recicláveis de Macau são enviados para Cantão, capital da província Guangdong, vizinha de Macau.

      Na sequência da implementação do controlo de embalagens descartáveis de esferovite este ano, o Governo anunciou ainda a proibição da importação de palhinhas de plástico não degradável e ‘colheres’ de bebidas descartáveis para Macau a partir de 1 de Janeiro de 2022.

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau