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      InícioSociedadeCuidados transfronteiriços para idosos continuam subaproveitados, relembra deputada

      Cuidados transfronteiriços para idosos continuam subaproveitados, relembra deputada

      Numa altura em que a população idosa ultrapassou pela primeira vez a das crianças, urge repensar as actuais estratégias. Song Pek Kei alerta para os mil idosos em lista de espera para entrar em lares, e sustenta que os horários dos centros de dia para idosos deviam aumentar. A deputada quer que se recrute mais mão de obra para estes centros, e sobretudo que se agilize as parcerias com as mais de 200 organizações de cuidados de idosos na Grande Baía, já que, por enquanto, nada progrediu nesse sentido. 

       

      Song Pek Kei, da Aliança de Povo de Instituição de Macau, veio interpelar o Governo sobre a actual situação das infraestruturas de apoio à população idosa. A deputada argumentou que a “sociedade envelhecida de Macau está a acelerar e a procura de serviços para idosos está a enfrentar grandes desafios”.

      Destacando os últimos dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a deputada lembrou que em 2023 a população de crianças dos zero aos 14 anos de idade diminuiu 13,2%, enquanto que a proporção da população idosa com 65 anos de idade ou mais atingiu 14%, ultrapassando pela primeira vez a população de crianças. Louvando os esforços feitos até à data pelas autoridades para aumentar o número de lugares em lares de idosos e centros de dia, Song Pek Kei relembra, contudo, que a actual oferta é insuficiente para fazer face à crescente procura. A lista de espera de admissão em lares para idosos, por exemplo, conta agora com mais de mil indivíduos que terão de esperar quase um ano e meio, um período que apesar de ter sido reduzido, “continua a ser relativamente longo para os idosos”, reconhece. Por outro lado, é necessário ir além dos actuais 1.100 lugares de acolhimento adicionais que estão a ser planeados, argumentou.

      No território existem de momento 2.500 lugares de acolhimento residencial para idosos. Em breve, novos 200 lugares vão ser disponibilizados, e foi também estabelecida a meta até 2028 de serem criados mais 900 lugares na zona A dos Novos Aterros. Existe ainda a intenção de o Governo reservar espaço para lares residenciais para idosos em instalações públicas. No entanto, frisou a deputada, estes 1.100 futuros lugares não deixam de ser apenas uma estratégia provisória, e é urgente fazer um planeamento a médio e longo prazo dos lares para idosos que leve em conta os “recursos fundiários” da cidade de modo a “planear cientificamente a construção de lares”.

      Enquanto esse planeamento a longo prazo não acontece, também é urgente recorrer, para já, a outras alternativas para fazer face à situação. Uma delas, propõe a deputada, passa pelo recrutamento de mão de obra adicional para os actuais centros de dia para idosos , que esta diz serem “um apoio importante para os serviços de curta duração”.

      A incapacidade de recrutar mão de obra adicional não permite a estes centros alargar o horário e capacidade de atendimento, alertou a deputada, algo que prejudica as famílias com membros idosos que necessitam destes serviços para os familiares activos poderem depois trabalhar a tempo inteiro. “Gostaria de saber se as autoridades irão considerar a possibilidade de aumentar os recursos, aumentando adequadamente o número de centros de dia para idosos ou alargando o horário de funcionamento dos centros existentes, de modo a apoiar na prática a pressão das famílias”, questionou.

      Recordando ainda que os cuidados transfronteiriços para idosos são uma “iniciativa política activamente promovida pelo Governo da RAEM nos últimos anos”, Song Pek Kei diz que continua à espera de ver avanços concretos nesse sentido. A única medida que deu um passo nessa direcção foi o lançamento de centros-piloto de serviços para idosos na Zona de Cooperação Profunda de Hengqin. Para além desse caso isolado, a deputada diz que não se registaram quaisquer progressos significativos noutros serviços transfronteiriços de cuidados para idosos, apesar de existirem nas cinco cidades da Grande Baía “mais de 200 organizações de cuidados a idosos de diferentes níveis que os residentes de Hong Kong e Macau podem escolher”.

      Alertando para a inexistência de “informações completas sobre os serviços prestados”, de canais de candidatura e um mecanismo de ligação, Song Pek Kei diz que isto leva a que os residentes de Macau acabem por não escolher centros do outro lado da fronteira. Esta situação deve ser revista, com a deputada a perguntar às autoridades se, no futuro, irão estudar a introdução de um regime de lares residenciais para idosos na Grande Baía e “fazer referência ao regime de compra de lugares de Hong Kong, de modo a apoiar os idosos de Macau a envelhecerem em lares residenciais para idosos na Grande Baía, através de subsídios directos”, reforçando a colaboração com as organizações de cuidados para idosos nas cidades relevantes.