Macau vai receber no próximo mês a estreia da primeira longa-metragem do realizador Max Bessmertny, “The Violin Case”, um projecto independente inspirado numa história verídica que envolve o artista Konstantin Bessmertny. O filme, que conta com o apoio da Melco Resorts & Entertainment, estreia no dia 15 de Maio no cinema do Studio City e estará disponível ao público a partir de 22 de Maio. A estreia marca o culminar de seis anos de trabalho e de uma intensa campanha de promoção internacional que levou a produção a dez festivais e mercados de cinema em 2025.
O cinema local entra numa fase histórica. “The Violin Case”, a primeira longa-metragem do realizador local Max Bessmertny, estreia no próximo dia 15 de Maio no cinema do Studio City, com o patrocínio oficial da Melco Resorts & Entertainment. O filme, que conta a história de um pintor que perde a sua maior obra artística na mala de um táxi, estará disponível ao público nos cinemas locais a partir de 22 de Maio.
A obra, inspirada num incidente real ocorrido há uma década, acompanha Theo (o actor e músico local Kelsey Wilhelm), um pintor “gweilo” que enfrenta uma enorme crise financeira e artística após perder um violino personalizado. Perseguido pela sua galerista, interpretada por Clara Brito, Theo aventura-se pelos becos de Macau numa odisseia que rapidamente se transforma numa experiência surreal. O elenco multicultural e multilíngue, com diálogos em inglês, cantonês e português, transporta o público à essência de Macau, captando as nuances entre continentes e os tempos antigos com a contemporaneidade.
Um dos aspectos mais notáveis do projecto é a sua longa gestação. A história começou a ser concebida em 2020, quando todo o território enfrentava os desafios da pandemia e os confinamentos. Decorrido um ano, Bessmertny e a produtora Virginia Ho arrancaram numa saga em busca por financiamento e o planeamento da pré-produção. Em Setembro de 2022, com uma equipa maioritariamente local, realizaram as filmagens em vários “sets”, sempre com Macau como pano de fundo icónico. Mais alguns meses de edição e pós-produção, o filme foi finalmente revelado a um público restrito de amigos, apoiantes e cinéfilos no Galaxy Macau em 2023, numa sessão que serviu como ensaio geral para a estreia oficial que agora se aproxima, passados três anos.
A dupla passou grande parte de 2025 a viajar pelo mundo para promover o filme. Em entrevista à MACAU CLOSER, Bessmertny descreveu o ano como “uma experiência incrível” que os levou a dez festivais e mercados de cinema, incluindo o Hong Kong International Film Festival & TV Market (FILMART), o Marché du Film de Cannes, o Tokyo International Film Festival Content Market (TIFFCOM) e o Singapore International Film Festival Industry Days. A digressão contou com o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo de Macau.
Durante as tournées, a dupla descobriu que o público internacional conhece Macau como um destino turístico, mas desconhece a existência de uma indústria cinematográfica local. “Foi óptimo poder falar com eles sobre a história do cinema em Macau, sobre os nossos realizadores independentes e sobre a história da cidade em geral”, afirmou Bessmertny. O realizador sublinha que a Ásia tem uma identidade cinematográfica única e que “não há razão para esperar que sejam os filmes de Hollywood a chegar até nós. Precisamos de fazer mais filmes nossos. Há tantas histórias para contar e as pessoas querem ouvi-las e vê-las no cinema”.
Após um ano de extensa promoção, Bessmertny e Ho decidiram avançar com a distribuição do filme de forma independente, começando por Macau e Hong Kong, e depois expandindo para o Sudeste Asiático e outros mercados. Embora a disponibilização em plataformas de ‘streaming’ seja um objectivo de longo prazo, Bessmertny prefere, numa primeira fase, que o filme seja visto no cinema, onde pode dialogar directamente com o público e observar as suas reacções.
O realizador adianta ainda que já está a trabalhar no seu próximo projecto, que será novamente realizado em parceria com Virginia Ho e se baseará noutro guião da sua autoria, explorando géneros diferentes. As pré-produções estão previstas para o início de 2027, com o filme a manter-se fiel às suas raízes asiáticas e com potencial para ser novamente rodado em Macau.
Após a estreia em Macau, “The Violin Case” segue para uma estreia europeia a 11 de Setembro no Museu do Oriente, em Lisboa, dando início a outra viagem global que levará a produção a Hong Kong, ao resto da Ásia, à Europa e aos Estados Unidos.












