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      Novo fundo “abre portas” da China a empresários lusófonos, diz Carlos Cid Álvares

      O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC) em Macau disse ontem à Lusa que um novo fundo de investimento lançado pelas autoridades locais “abre portas” a investidores lusófonos interessados na China.

      Carlos Cid Álvares apontou que o fundo de 20 mil milhões de patacas “poderá ser um passo significativo para a reestruturação do tecido económico de Macau”.

      O dirigente disse que representa “uma mudança de paradigma”, pois as autoridades da cidade passam a assumir o papel de “capital paciente [investimento que aceita um retorno mais demorado] e orientador” da diversificação da economia.

      O Governo da cidade anunciou em 27 de Fevereiro o lançamento de um Fundo de Orientação Governamental, que visa orientar capitais privados para investimento em setores prioritários que ajudem a economia local a diversificar para além do sector dos casinos, dominante em Macau.

      O fundo tem quatro alvos principais: indústria de saúde e bem-estar, indústria de finanças modernas, indústria de tecnologia de ponta e, por fim, a indústria de convenções, exposições e comércio, cultura e desporto.

      Macau prevê concluir ainda este ano a constituição do fundo. “O foco em indústrias emergentes e na transformação de resultados científicos e tecnológicos abre portas para investidores estrangeiros, incluindo os lusófonos”, afirmou Álvares.

      Para o presidente da CCILC, o fundo, que deverá arrancar este ano com uma injeção inicial de 11 mil milhões de patacas, podendo atingir 20 mil milhões de patacas com capitais privados, “poderá ser uma oportunidade para as empresas dos Países de Língua Portuguesa”. “O fundo, ao privilegiar o investimento em projetos de inovação e modernização industrial, poderá funcionar como um catalisador para que essas empresas encontrem em Macau um parceiro estratégico e capital para escalar os seus projetos na Ásia”, descreveu Álvares.

      O representante empresarial recordou que a CCILC tem defendido o papel de Macau como plataforma sino-lusófona e que esta medida “concretiza essa visão de forma prática”.

      O empresário salientou que os setores alvo prioritários definidos pelo Executivo de Macau coincidem com áreas onde empresas do Brasil, Portugal e dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) têm “know-how e competitividade internacional”. “Veja-se o exemplo do Brasil, com forte presença no agronegócio tecnológico e nas energias renováveis, ou de Portugal, com um ecossistema de ‘startups’ tecnológicas e fintechs muito dinâmico”, apontou.

      Outro ponto relevante, segundo o presidente da CCILC, é a articulação com a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin.

      O presidente da CCILC acrescentou que o fundo “vem dar liquidez e peso institucional” ao modelo de cooperação conjunto estabelecido para Macau e Hengqin. “Para os empresários lusófonos, poderá ser o cenário ideal: instalar a sua sede em Macau, beneficiando do seu sistema jurídico e da familiaridade com a língua portuguesa, e localizar em Hengqin a componente mais intensiva em espaço ou produção”, explicou. “Presumimos que a voz da experiência da China e dos mercados lusófonos poderá acrescentar valor para o projecto”, concluiu Álvares, também presidente do Banco Nacional Ultramarino, que faz parte do grupo Caixa Geral de Depósitos. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau