Um frigorífico comunitário que quer fazer frente ao desperdício alimentar  

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FOTOGRAFIA: EDUARDO MARTINS\ARQUIVO

Joana Chantre

Gilberto Camacho, do grupo Macau ECOnscious, lançou a iniciativa “Frigorífico Comunitário”, um projecto de cariz ecológico e humanitário e que tem como objectivo gerir melhor o problema do desperdício alimentar, recolhendo os alimentos que ainda estejam em boas condições, tanto de empresas como de indivíduos, fazendo-os chegar aos que mais necessitam.

 

Um frigorífico comunitário é o mais recente projecto de Gilberto Camacho, do grupo ambientalista Macau ECOnscience. Camacho explicou ao PONTO FINAL que o grupo quer despertar a consciência ambiental em Macau para os níveis da Europa e este projecto do frigorífico comunitário faz parte desse processo. O frigorífico comunitário – ideia inédita em Macau – está no centro Pastoral Católico, na Rua de Francisco António.

“Isto é um projecto que já existe na Europa, acho até que começou na Alemanha, já sendo até implementado um bocado por todo o mundo, como no Japão, Estados Unidos, Austrália, por exemplo”, indicou. “Foi uma transição natural porque eu antes já doava comida, quando ia jantar fora com amigos ou com familiares e sobrava comida. Ou então, quando os meus amigos que têm padarias ou restaurantes me ligavam a dizer que tinha sobrado pão ou croissants, ia lá buscar e entregava aos filipinos que eu conhecia, que depois distribuíam a comida entre a comunidade que necessitava”, explicou.

Gilberto Camacho assinalou que como o clima em Macau é muito húmido e quente durante a maior parte do ano, não sendo fácil lidar com os restos alimentares. Por isso, o activista tentou encontrar resposta para o problema. “Enquanto pesquisava, acabei por descobrir este tipo de serviço comunitário”, recordou, acrescentando que “o desafio foi depois encontrar um espaço disponível e, claro, um frigorifico em segunda mão”.

O frigorífico esta disponível todos os dias excepto às sextas-feiras. Para doar alimentos não é necessário fazer marcação, basta entrar no centro, entregar os alimentos e deixar o nome e número de contacto.

Relativamente ao futuro deste projecto, o activista assinala que pretende continuar a reduzir os custos ao mínimo: “Agora é ver se encontro um outro espaço, tendo sempre em conta os ajustes que vou fazendo neste primeiro projecto-piloto que já esta a andar há um mês. É basicamente ir falando e estabelecendo ligações com responsáveis de espaços pela cidade”.

Gilberto Camacho assegura que já tem outros possíveis espaços em mente para colocar outros frigoríficos, porém para já, a ideia fica em pausa: “Porque não tenho nenhuma doação – este frigorífico eu comprei por 800 patacas, pois era do recém-encerrado Blissful Carrott”, assinalou. Camacho notou que, para já, “as coisas estão a ir bem”. Mas “se os casinos e os hotéis também se esforçarem e quiserem participar, doando a comida que não conseguem utilizar, será excelente”. “A logística também já está planeada, mas a teoria é sempre mais fácil do que a prática”, concluiu.

 

PONTO FINAL