No ano passado, as autoridades policiais de Macau instauraram um total de 14.298 inquéritos criminais, o que significa um acréscimo de 6% face a 2023. Os casos classificados como crimes violentos cresceram 7,4% e a criminalidade informática aumentou exponencialmente em 71,6%.
Em 2024, foram instaurados 14.298 inquéritos criminais, o que significa que a criminalidade aumentou não só em relação a 2023 como comparando com 2019. Os dados da criminalidade no ano passado foram apresentados ontem por Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, que justificou este aumento com o crescimento dos crimes informáticos e burlas.
No ano passado, as autoridades policiais de Macau instauraram, no total, 14.298 inquéritos criminais, o que representa um aumento de 6% relativamente a 2023, e uma subida de 0,8% face a 2019.
Em 2024, registou-se um total de 290 casos de criminalidade violenta, o que traduz um aumento de 7,4 % em comparação com o ano de 2023. Porém, em comparação com 2019, verificou-se uma diminuição de 56,9%. No âmbito dos crimes de violência grave, como rapto, homicídio e ofensas corporais graves, mantém-se uma “taxa zero ou uma taxa de ocorrência muito baixa”.
No ano passado, registaram-se 1.115 casos de crimes de ofensa simples à integridade física, número semelhante ao registado no ano anterior; 48 casos de crimes de violação, mais 17,1% em comparação com 2023; 22 casos de crimes de abuso sexual de crianças, uma descida de 38,9%; e 61 casos de crimes de sequestro, um aumento de 48,8%.
No âmbito dos crimes contra o património, verificaram-se 2.800 burlas, mais 12,2% do que em 2023 e, em comparação com 2019, um incremento exponencial de 83,6%. Houve também 2.001 crimes de furto, idêntico ao ano passado; 48 roubos, mais 29,7% do que em 2023; 170 crimes de extorsão, ou seja, menos 27,4% do que no ano anterior; e 265 crimes de usura, mais do dobro do registado em 2023. Houve também um aumento de 71,6% na criminalidade informática entre 2023 e 2024, tendo-se registado no ano passado 992 casos. Em comparação com 2019, a criminalidade informática subiu 267,4%.
Durante as operações policiais e as operações de investigação efectuadas no ano passado, foram detidas e presentes ao Ministério Público, no total, 5.401 pessoas, o que reflecte um aumento de 21,5%, comparando com 2023, mas que, comparativamente com 2019, representa uma diminuição de 18,9%.
Em 2024, registaram-se 131 casos de delinquência juvenil, o que representa um aumento 21,3% e de 1,18 vezes em comparação com os anos de 2023 e de 2019, respectivamente. O número de jovens envolvidos foi de 181, o que, comparando com os anos de 2023 e de 2019, traduz um aumento de 19,9% e de 1,01 vezes, respectivamente.
No que toca à violência doméstica, as autoridades contabilizaram, no ano passado, 133 registos. No entanto, até ao dia 4 de Fevereiro, foram apenas classificados como crimes de violência doméstica 12 casos, sendo que 111 foram classificados como crimes de ofensa à integridade física.
Ontem, na apresentação dos dados da criminalidade, Wong Sio Chak explicou o aumento da criminalidade no ano passado com o “aumento contínuo dos crimes de burla e dos crimes informáticos”.
Por outro lado, o secretário para a Segurança assinalou que, quanto à criminalidade violenta grave, aos crimes relacionados com a droga e com o jogo, bem como aos crimes que afectam a vida quotidiana da população, nomeadamente o furto e o roubo, os números registados foram significativamente inferiores aos do ano de 2019, o que leva a concluir que o ambiente de segurança se mantém “estável e bom”.
Número de crimes relacionados com o jogo registou aumento “inevitável”
Wong Sio Chak também deu a conhecer as estatísticas da criminalidade relacionada com a indústria do jogo. No ano passado, foram abertos 1.456 inquéritos por crimes relacionados com o jogo o que, em comparação com 2023, significa um aumento anual de 31,5%. Contudo, quando se faz a comparação com 2019, verifica-se uma diminuição de 32,5% nestes crimes. “Em relação a 2023, no ano passado registou-se também um aumento de factores incertos, que podem eventualmente prejudicar a segurança da sociedade”, afirmou o governante, explicando que “o aumento gradual do número de turistas e a recuperação dos sectores do turismo e do jogo, bem como a lei de combate aos crimes de jogo ilícito, que entrou em vigor no final do ano passado, e que originou a criminalização da troca ilegal de dinheiro, levaram a uma subida inevitável do número dos crimes ligados ao jogo”. Ainda assim, o número de casos em 2024 foi “notavelmente inferior” a 2019, “o que demonstra que o trabalho de prevenção e de combate à criminalidade específica, realizado pela polícia, tenha vindo a obter resultados eficazes e tenha vindo a exercer efeitos dissuasores em relação aos potenciais criminosos”.
Entre os crimes relacionados com o jogo, o número dos crimes de burla continuou a ser o mais elevado, tendo-se registado 333 casos, o que constitui 22,9% do total, seguidos de 252 casos de usura, que representam 17,3% do total, de 202 casos de apropriação ilegítima, 13,9% do total, de 149 casos de furto, 10,2% do total, de 79 casos de desobediência à interdição do acesso a casinos, 5,4% do total, de 89 casos de exploração de câmbio ilícito para jogo, 6,1% do total, de 52 casos de ofensas à integridade física, 3,6% do total, de 47 casos de sequestro, 3,2% do total, e os restantes crimes representam menos de 3% do total.
Wong Sio Chak falou sobre os “burlões de troca de dinheiro”, que revelam um “elevado profissionalismo”. No entanto, com a entrada em vigor da lei de combate aos crimes de jogo ilícito e as operações conjuntas com as autoridades policiais do interior da China, houve uma “depuração do ambiente de segurança na indústria de jogos e de lazer de Macau”.
As autoridades detalharam que, de entre os 1.752 suspeitos de crimes ligados à área do jogo, a larga maioria (1.316) era oriunda do interior da China. A proporção entre suspeitos residentes e não-residentes foi de 1:4,5. As vítimas também foram, na sua maioria, do interior da China. Entre as 1.108 vítimas de crimes relacionadas com o jogo, 856 eram do continente e apenas 146 eram residentes de Macau.
Em conclusão, o secretário para a Segurança afirmou que “o trabalho de prevenção e de combate da criminalidade específica realizado por parte da polícia tem obtido resultados eficazes”, o que, segundo Wong Sio Chak, “significa que o risco de segurança com origem neste sector é previsível e controlável”.
Sistema “Olhos no Céu” deu apoio na investigação de 9.724 casos
Na apresentação dos dados da criminalidade, Wong Sio Chak destacou que o sistema de videovigilância vulgarmente conhecido como “Olhos no Céu” apoiou a investigação de 9.724 casos, incluindo casos de criminalidade violenta grave, designadamente crimes de homicídio, de roubo e de fogo posto. As autoridades planeiam instalar mais 680 câmaras de videovigilância até 2027.











