O autocarro continua a ser o principal meio de transporte para os jovens em Macau, e apenas 1,5% dos jovens usam o Metro Ligeiro para a deslocação quotidiana, revelou um inquérito conduzido pela Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau. Os jovens inquiridos apontam à cobertura insuficiente da rede de transporte e à limitação dos métodos de pagamento como factores que afectam a sua vontade de utilizar o Metro Ligeiro, transporte que o Governo vê como solução para os problemas de trânsito urbano.
Poucos jovens locais optam por utilizar o Metro Ligeiro para as viagens quotidianas, enquanto o seu meio de transporte preferido continua a ser o autocarro público. Um inquérito revelou que apenas 1,5% dos jovens entrevistados dependem do Metro Ligeiro para a deslocação no dia a dia, sendo que a baixa frequência de utilização deve-se à insuficiência da cobertura do território pelo Metro Ligeiro.
O inquérito foi realizado em Junho pela Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau a 647 jovens residentes com idades compreendidas entre 18 e 44 anos, com vista a investigar a função e eficácia do Metro Ligeiro para a geração juvenil.
Os resultados indicam que o transporte rodoviário tradicional domina as deslocações diárias entre o grupo, com mais de um terço (36,6%) dos inquiridos a priorizar os autocarros nas viagens. Cerca de 32% optam pela condução, quer de motociclos quer de automóvel ligeiro, enquanto caminhar constitui também um meio de transporte significativo, representando 26,3%.
Entre os entrevistados, quase seis em cada dez jovens viajaram no Metro Ligeiro nos últimos 12 meses, cuja frequência de utilização, no entanto, é geralmente baixa, sendo a maioria utilizadores pouco frequentes. Quase 70% disseram ter viajado no Metro Ligeiro uma vez a cada três meses ou menos.
A análise sugere ainda que o actual apelo do Metro Ligeiro para os jovens decorre principalmente da sua “novidade”, e não da sua funcionalidade de transporte. Os jovens utilizaram o Metro Ligeiro “puramente pela experiência” (33,9%), seguido por “viajar para os postos fronteiriços” (22,1%) e “visitar os resorts integrados” (21,3%).
Nesse sentido, o papel do Metro Ligeiro nas deslocações diárias dos jovens “é limitado”, com a sua função de transporte a não estar ainda plenamente concretizada, afirmou a equipa responsável pelo inquérito.
INCONVENIÊNCIA DOS SERVIÇOS
No que diz respeito à satisfação acerca dos serviços do Metro Ligeiro, a sondagem revelou que os jovens deram uma classificação relativamente positiva à “razoabilidade das tarifas”, com uma pontuação média de 3,52 numa escola a de cinco pontos. As “comodidades das estações” e a “frequência do serviço” obtiveram uma avaliação de 3,52 pontos e 3,4 pontos, respectivamente. A “cobertura das estações” recebeu a pontuação média mais baixa de 2,67 pontos. Quase 42% dos inquiridos atribuíram classificações baixas de 1 ou 2 pontos.
“A cobertura insuficiente da rede é a principal razão pela qual os jovens de Macau optam por não utilizar o Metro Ligeiro”, sublinhou. A equipa de investigação referiu que, segundo os relatos dos jovens inquiridos que não utilizaram este meio de transporte nos últimos 12 meses, a razão é principalmente a rede limitada.
De acordo com a análise, as três principais razões citadas foram as “estações localizadas muito longe da residência” (46,1%), a “cobertura insuficiente da rede” (35,6%) e a “impossibilidade de chegar directamente ao destino” (33,3%).
Além disso, mais de 60% dos jovens indicam que a impossibilidade de efectuar pagamentos com código QR nos torniquetes no Metro Ligeiro reduz a sua vontade de utilizar o serviço. Um total de 64% dos inquiridos esperam que a empresa do Metro Ligeiro desenvolva uma aplicação para telemóvel dedicada à informação em tempo real sobre as frequências do transporte.
O inquérito investigou ainda as opiniões dos jovens sobre a política de transportes públicos do Governo, que pretende que “o Metro Ligeiro desempenhe o papel principal e os autocarros o papel complementar”. Segundo o relatório, os jovens que manifestaram desacordo (37,2%) superaram ligeiramente os que apoiam (33,9%), ou seja, a sociedade tem dúvidas sobre a implementação desta política”, notou.
Contudo, mais de 70% dos jovens consideram que o projecto do Metro Ligeiro “deve ser mais desenvolvido” após a conclusão da Linha Leste com, por exemplo, a construção da futura Linha Oeste.











