A BIBLIOTECA QUE NOS DÁ FORMA
Inês Fonseca Santos e André Letria
Como Criar uma Biblioteca
Pato Lógico
Um álbum lê-se nessa relação entre imagem e texto, uma espécie de dança que nunca dispensa nenhuma das duas linguagens e que só arrumamos na secção dos leitores mais novos porque a preguiça de ler imagens parece ser uma maleita comum entre os leitores mais velhos. Este é um álbum sobre os muitos modos como os livros podem ajudar a definir quem somos, um livro que encontrará leitores em qualquer idade. Baseada numa estrutura visual que se repete, com variações, ao longo das páginas, a narrativa criada por Inês Fonseca Santos e André Letria explora a relação que, como leitores, vamos construindo com os livros. Não há aqui recomendações utilitárias, mas sim a constatação de que ler é uma parte da teia complexa de que somos feitos. Os sonhos e os medos, a vontade de aventura, o desejo e a esperança, mas também as desilusões e os fracassos, vão encontrando eco nas páginas de que nos rodeamos. «É preciso deixar entrar bestas e monstros», diz-se a certa altura, quando a personagem que primeiro surge nesta história já reuniu alguns livros, a sua biblioteca, esse pequeno universo que pode ser espelho, refúgio e labirinto. Com a linha do tempo a avançar, convoca-se a memória, essa matéria impalpável que também se guarda entre os livros, particularmente aqueles a que chamamos nossos. É nesse momento que Como Criar uma Biblioteca revela a circularidade da sua narrativa, sempre com texto e imagem em interdependência, quando esse vício que é a leitura se transmite a quem vem a seguir, ou quando os livros de que nos rodeámos confirmam a sua qualidade de universo infinito, alcançando outras pessoas, mesmo que já cá não estejamos para com elas partilhar leituras.
O livro traz ainda um encarte, um poster com a imagem da capa e, no verso, várias informações sobre a mais antiga biblioteca pública de Lisboa em funcionamento, a biblioteca de São Lázaro. Não é difícil imaginar este verso do poster com outras bibliotecas igualmente fascinantes. Aqui, em Macau, não faltam espaços desses, devotados à leitura pública, umas vezes complemento das nossas bibliotecas pessoais, outras o único espaço onde podemos conviver com esse labirinto infinito que são as estantes com livros.
UM TESOURO EM FORMA DE AVÓ
António Mota
Espera Por Mim
Asa
A história que começa com a viagem de Saul Antonino num comboio que liga Lisboa ao Porto tem dentro muitas outras histórias. Pelo novo romance de António Mota passam o enfrentamento dos medos que o crescimento exige, a descoberta das raízes familiares, a relação entre um neto e uma avó, o contraste entre cidade e campo e a possibilidade de um adolescente viver sem telemóvel.
Neste livro pensado para leitores jovens, mas não exclusivo, o narrador faz desfilar os pensamentos desordenados de Saul com conhecimento de causa, dando a ler esse turbilhão que atravessa qualquer mente, sobretudo quando se está a crescer e o mundo dos adultos ainda não é completamente perceptível (alguma vez será?). Depois de se achar sozinho no mundo, de ser resgatado por mão amiga e de se instalar em casa da sua avó, numa aldeia muito distante do sítio onde vivera até aí, Saul enfrentará os seus medos com bravura, mas terá tempo para descobrir que o mundo não é uma coisa ou outra – há muitas matizes, muitas formas de viver. Na aldeia, entre os sons dos pássaros e os passeios de bicicleta, crescer passa também pelos afectos, pela memória e pelas histórias que nos vão contando sobre quem nos trouxe até aqui, histórias que rapidamente se sobrepõem à ansiedade provocada pela perda de um telemóvel. Neste romance não há diabolizações simplistas da tecnologia ou dos telemóveis, mas há esta certeza: descobrir uma avó e as suas conversas povoadas de gente que há muito não existe (para não falar do caldo verde, dos pastéis de bacalhau e das sardinhas assadas no braseiro) pode ser a coisa mais valiosa para se compreender alguma coisa do mundo e de nós mesmos.
Miriam Alves e Yara Kono
As Peças Mais Pequenas
Planeta Tangerina
Maria Girón
Pim Pam Pum
Kalandraka
Tradução de Margarida Ferreira
Madalena Moniz
1, 2, 3… Quá!
Orfeu Negro
Adélia Carvalho e Anabela Dias
O Gato, o Coelho e Outros Contos Tradicionais
Nuvem de Letras














