Durante demasiado tempo, o silêncio em torno da Guerra Colonial foi avassalador e contaminou muitas famílias, cimentando um trauma colectivo que atingiu quem combateu de ambos os lados, mas também as gerações seguintes, privadas de respostas e cheias de interrogações. Nesse tempo, curto ou longo conforme a perspectiva, milhares de documentos repousaram em caixas, gavetas e topos de armários. Cartas, aerogramas, diários, objectos vários e, claro, fotografias, muitas delas enviadas pelos soldados portugueses às suas famílias, quase sempre para as sossegarem perante a incógnita de um regresso com vida. Algumas dessas fotografias foram o ponto de partida para uma exposição criada pelas antropólogas Maria José Lobo Antunes e Inês Ponte no Museu do Aljube, em Lisboa, no ano passado. Agora, o projecto cresceu e transformou-se em livro, A Guerra Guardada, com chancela da Tinta da China. É com as suas duas autoras que conversamos nesta edição, dando-lhes a palavra para melhor decifrarmos as imagens do livro e as suas tantas implicações.
A leitura nem sempre foi um gesto individual. Nos primórdios dos livros tal como hoje os conhecemos, ler era coisa que se fazia em voz alta e muitas vezes para um grupo de outras pessoas. Agora, os Clubes de Leitura vão-se multiplicando em diferentes geografias, não necessariamente com o fim de ler para os outros, mas certamente pela troca de pontos de vista, conversas e sentidos que uma leitura partilhada permite. Em Macau, há um Clube de Leitura em português que já se reuniu duas vezes. Fomos conhecê-lo e ficámos a saber que teve Miguel Torga e Jorge Amado como primeiros “convidados” e que prepara os seus próximos encontros para «dar vida à palavra escrita», como contou Shee Va, um dos seus dinamizadores.
Nesta edição guardámos espaço para a pré-publicação de uma obra maior da literatura cabo-verdiana. Chiquinho, de Baltasar Lopes, andava há demasiado tempo arredado das livrarias e a Caminho decidiu, em boa hora, resgatá-lo para as novas gerações de leitores. O livro chega às bancas no início de Outubro e mais adiante deixamos o primeiro capítulo para aguçar o apetite.








