AGARRAR A LUZ POSSÍVEL
Inês Barata Raposo e Pedro Pousada
Quarto Escuro
Bruaá
Vencedor do Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2022 na modalidade “Juvenil”, este é um romance epistolar em que apenas um dos interlocutores assina as cartas. Quem escreve é Fiambre Light, alcunha de um adolescente que dirige uma série de missivas ao seu irmão mais velho, Pato Bravo. O cenário é o de um quarto de hospital, onde Pato Bravo repousa em coma, esperando recuperar de um acidente. O tema não é leve, portanto, e Inês Barata Raposo trabalha-o com sensibilidade, mas sem atenuantes infantilizadoras.
Através das cartas endereçadas por Pato Bravo ao irmão, ficamos a saber do acidente, do quadro clínico, do desespero da família. Mais do que isso, temos acesso aos pensamentos e à torrente de sentimentos que vai atravessando a mente do irmão mais novo, um medo que se agarra à esperança, muitas vezes através do humor, recordando episódios vividos pelos dois, as brincadeiras, as picardias habituais entre irmãos e a sensação de isolamento em relação ao mundo dos adultos, que procuram proteger Pato Bravo, mas que ainda assim não têm como amenizar a situação. As ilustrações de Pedro Pousada respondem bem ao texto, dando materialidade às personagens e trabalhando de modo eficaz a sobreposição de cenários reais e imaginários, num diálogo que acompanha este embate juvenil com as coisas menos boas de uma vida. Há drama neste Quarto Escuro, inevitavelmente, mas também há ternura, reacção e humor, porque se não pudermos rir de nós e do mundo, mesmo que choremos ao mesmo tempo, o drama acabará por se transformar em tragédia.
AS LÍNGUAS QUE SOMOS
Victor S.O. Santos e Anna Forlati
O Que Nos Torna Humanos
Fábula/UNESCO
Pensado para leitores mais novos, este livro explora a linguagem como factor que torna única a espécie humana, explorando igualmente a riqueza cultural associada à diversidade de línguas que existem no planeta. A narrativa apresenta-se como uma espécie de jogo, um convite a adivinhar o que será que nos distingue das outras espécies, com o texto e sobretudo a ilustração a darem pequenas pistas ao longo das páginas: uma Torre de Babel lembrando o mito da separação das línguas, algumas letras e caracteres disfarçados num jardim ou num bairro, gente que comunica de várias formas. É essa progressão narrativa, tirando partido da vontade de descobrir, que assegura a transmissão da mensagem central deste livro, a de que a diversidade linguística é uma riqueza incalculável que importa conhecer e preservar, porque, como explicam os autores na nota final, prevê-se que pelo menos metade das 7164 línguas actualmente praticadas no mundo possa desaparecer até 2100 e «quando uma língua morre, também uma cultura pode morrer com ela».
Carolina Celas e Luís Leal Miranda
As Coisas Que as Coisas Fazem Quando Ninguém Está a Ver
Orfeu Negro
Telma Guimarães e Jana Glatt
Onde Está o Livro Que Estava Aqui?
Caminho
Miriam Alves e Yara Kono
As Peças Mais Pequenas
Planeta Tangerina
Gonçalo Elias e José Frade
O Meu Guia de Aves
Booksmile
















