O analista chinês Ghao Zhikai defendeu que China e Estados Unidos devem entender-se e “tratar-se como iguais”, já que um confronto seria “mutuamente destrutivo” numa altura em que os dois países tentam estabilizar a relação. “China e Estados Unidos têm que se entender”, afirmou Gao Zhikai, um dos mais conhecidos comentadores da televisão chinesa. “Pequim e Washington não têm que se amar, mas precisam de viver e deixar viver”, acrescentou.
Os líderes chinês e norte-americano, Xi Jinping e Joe Biden, reuniram-se na última semana, em São Francisco, na Califórnia, para tentar estabilizar a relação e prevenir um desfecho que muitos especialistas consideram inevitável: a Armadilha de Tucídides, na qual a rápida ascensão de uma nova potência coloca em risco o equilíbrio de poder estabelecido, gerando medo e insegurança na potência dominante, frequentemente resultando em confronto.
Lembrando que China e EUA são duas potências nucleares com capacidade para “aniquilar a Humanidade”, Gao contrapôs que as duas nações “estão destinadas a viver em paz”. “É a inevitabilidade da paz e não da guerra”, defendeu.
Em entrevista à agência Lusa, Gao Zhikai, que serviu como intérprete do antigo líder chinês Deng Xiaoping, considerou que a cimeira, realizada numa bucólica propriedade rural nos arredores de São Francisco, à margem do fórum da Cooperação Económica Ásia – Pacífico (APEC), foi um “grande sucesso”, mas enfatizou a importância de dar seguimento às discussões.
Os dois líderes acordaram restabelecer a comunicação militar e criar grupos de trabalho conjuntos para abordar a inteligência artificial, clima, questões comerciais ou a luta contra a produção ilícita de fentanil, opiáceo que mata cerca de 200 norte-americanos por dia. “Há coisas menores que podem ser feitas, como a reabertura dos consulados gerais em Houston e Chengdu ou permitir que os jornalistas de cada país trabalhem no outro de forma mais conveniente”, apontou Gao. Mas a relação deve permanecer essencialmente competitiva, com o desentendimento a prevalecer em quase todas as áreas: comércio, tecnologia, reivindicações territoriais, Direitos Humanos, guerra na Ucrânia ou conflito Israel – Hamas. No entanto, nada incomoda mais Pequim do que a questão de Taiwan: “É o núcleo do núcleo; a mais sensível de todas as questões sensíveis”, apontou Gao Zhikai.












