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      InícioCulturaMarisa C. Gaspar levou tema da identidade macaense ao Rota das Letras 

      Marisa C. Gaspar levou tema da identidade macaense ao Rota das Letras 

      Marisa C. Gaspar foi protagonista, na tarde de ontem, de uma sessão do Festival Literário Rota das Letras que versou sobre a comunidade macaense. A discussão foi em torno do livro da antropóloga “No tempo do bambu: Identidade e ambivalência entre macaenses”, lançada em 2015.

       

      A identidade da comunidade macaense esteve em discussão, na tarde de ontem, na Casa Garden. Numa sessão moderada por José Luís Sales Marques, a antropóloga Marisa C. Gaspar apresentou a obra “No tempo do bambu: Identidade e ambivalência entre macaenses”, lançada em 2015, que tenta mostrar as relações que se estabeleceram entre os processos de construção das identidades respectivas de Macau e da comunidade de macaenses. O livro resulta da tese de doutoramento que concluiu em 2013.

      No projecto, Marisa C. Gaspar explora a forma como as mudanças sociais, económicas e culturais de Macau, após a transferência de soberania da região, se reproduziram em termos de alterações identitárias na comunidade macaense.

      Marisa C. Gaspar, que não tem relação directa com Macau, assumiu que começou a interessar-se pelas idiossincrasias da região depois de se formar em Antropologia, com um estágio profissional no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa.

      Na obra, é feito um estudo com base etnográfico relativamente às interacções entre a construção da identidade étnica macaense e a história recente de Macau. A obra pretende mostrar a complexidade das dimensões envolvidas, tendo como ponto de partida o acompanhamento de alguns dos membros do “Partido dos Comes e Bebes”, uma associação de macaenses. Além disso, para a investigação, a antropóloga estabeleceu contacto com elementos da comunidade macaense radicados em Portugal, macaenses da diáspora e associações da região. Em Macau, a investigadora contactou, por exemplo, com o escritor e advogado macaense Henrique de Senna Fernandes.

      Em “No tempo do bambu: Identidade e ambivalência entre macaenses”, a antropóloga fala de uma mudança de paradigma, já que, se durante a administração portuguesa, os macaenses se assumiam como portugueses, hoje assumem-se como um produto de várias misturas. Aqui, a autora sublinha que os macaenses não têm uma ideia fixa sobre a sua identidade. É aqui que entram as ambivalências, que podem servir para que a comunidade possa prosperar e tirar partido das várias suas identidades.

      A investigadora falou sobre o futuro da comunidade relativamente à continuação dessa identidade, começando por dizer que não é possível saber o que esperar. Contudo, há pistas positivas deixadas pelas autoridades, nomeadamente pelo Governo Central, que, segundo a investigadora, tem reconhecido a importância dos macaenses.