Taxa de suicídio com tendência de crescimento anual

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FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO

Os Serviços de Saúde anunciaram os resultados da monitorização realizada durante o terceiro trimestre deste ano e os dados não são nada animadores. Foram cometidos 18 suicídios, nove de pessoas do sexo masculino e outros tantos do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 24 e 91 anos, de entre os quais, 17 são residentes de Macau. As autoridades lembram que quem tem problemas emocionais “deve recorrer à assistência e aconselhamento profissional”. As principais e possíveis causas de suicídio “são as doenças mentais, as doenças crónicas ou fisiológicas”.

O número de suicídios no terceiro trimestre deste ano aumentou em comparação com o ano passado. Dados revelados ontem pelos Serviços de Saúde mostram que, de acordo com a monitorização efectuada pelas autoridades às causas de morte relacionadas com suicídio e registadas em Macau, foram cometidos 18 suicídios, nove indivíduos do sexo masculino e nove do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 24 e 91 anos, de entre os quais, 17 são residentes de Macau (94,4%) e dois são não residentes (5,6%).

Dizem as autoridades sanitárias do território que estes dados revelam “uma diminuição de um caso em comparação com o último trimestre”, mas, ainda assim, representam “um aumento de dois casos em relação ao período homólogo do ano passado”. De acordo com a análise dos dados, neste trimestre, as principais e possíveis causas do suicídio são as doenças mentais, as doenças crónicas ou fisiológicas.

Na mesma nota em que divulgam os resultados à monitorização dos suicídios na RAEM, os Serviços de Saúde apelam que “uma prevenção eficaz do suicídio requer a atenção de todos, ainda que todos precisem ser participar activamente em papel de defensores para prevenir o suicídio”. “Para ajudar a reduzir a incidência de suicídio, os residentes devem contactar, comunicar e preocupar-se mais com as pessoas que estão ao seu redor, com as suas vidas diárias e incentivar aqueles que estão com problemas emocionais a procurar activamente ajuda profissional”, lembram as autoridades.

Actualmente, o Governo disponibiliza à população serviços de saúde mental “altamente acessíveis”, podendo os residentes, sem carta de transferência, “efectuar a marcação prévia para terem acesso a esses serviços nos centros de saúde do Tap Seac, do Fai Chi Kei, da Areia Preta, da Ilha Verde, dos Jardins do Oceano, de Nossa Senhora do Carmo – Lago, da Praia do Manduco e de Seac Pai Van”.

Ao mesmo tempo, as autoridades sanitárias do território garantem continuar a apoiar associações locais sem fins lucrativos como a União Geral das Associações dos Moradores de Macau ou a Associação Geral das Mulheres de Macau, entre outras, “a criar entidades de aconselhamento psicológico comunitário, proporcionando cuidados de aconselhamento psicológicos gratuitos aos residentes”, não esquecendo que existe à mercê de todos a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do número 28525222 para obtenção de serviços de aconselhamento emocional.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2019 foram registados a nível mundial mais de 700 mil suicídios, o que representa que uma em cada 100 mortes seja um caso de suicídio. Mesmo que as causas do suicídio sejam complexas e frequentemente envolvam doenças mentais, factores psicológicos, factores socioeconómicos, factores familiares, factores de relações humanas ou factores genéticos biológicos, vale a pena ressaltar que o suicídio pode ser evitado e é muito importante que todos os sectores da sociedade se unam na prevenção do suicídio”, consideram os Serviços de Saúde.

Recorde-se que, recentemente, um estudo da Universidade de Macau (UM) concluiu que as inúmeras restrições pandémicas e confinamentos não afectam negativamente apenas a economia da região. “Medidas rigorosas de encerramento teriam um impacto profundo na manutenção dos laços sociais e na acessibilidade da educação e dos serviços médicos, e podem aumentar os riscos de conflitos familiares, depressão, ansiedade ou mesmo suicídio, juntamente com outras perturbações mentais graves”, pode ler-se na conclusão do estudo dos académicos da UM, acrescentando que “um confinamento total iria deixar a população envelhecida de Macau sem os cuidados de saúde adequados.