Deputado propõe corredor aéreo de drones para transporte de material médico na região

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FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO

Drones que podem salvar vidas. O deputado Kevin Ho apresentou uma interpelação que defende a criação de um sistema de transporte de material médico por drones entre Macau, Zhuhai e a zona de Hengqin. O parlamentar alerta para o risco de Macau ficar numa posição passiva na corrida regional à economia de baixa altitude e propõe um mecanismo de aprovação rápida com o princípio de “uma única aprovação, reconhecimento mútuo pelas três regiões”.

 

Macau tem agora a janela aberta para reestruturar o seu actual transporte de medicamentos no formato de drones, tecnologia que pode ser a diferença entre uma emergência bem gerida e uma oportunidade perdida. É o que sublinha o deputado Kevin Ho em interpelação escrita à Assembleia Legislativa, onde lançou um alerta sobre a necessidade urgente de Macau se posicionar na estratégia nacional da economia de baixa altitude, sob pena de perder terreno face a Hong Kong e às cidades vizinhas da Grande Baía.

Numa interpelação entregue a 19 de Maio, o parlamentar defende que o território deve avançar com um projecto-piloto de transporte transfronteiriço de material médico utilizando drones, aproveitando as vantagens logísticas e de emergência sanitária que esta tecnologia pode proporcionar.

Hong Kong já vê drones médicos a cruzar o céu. No ano passado, a região administrativa especial vizinha lançou um “sandbox” regulatório para a economia de baixa altitude e inaugurou uma rota aérea com drones para transporte de materiais médicos, com um percurso de cerca de doze quilómetros cumprido em aproximadamente vinte minutos. Segundo dados disponíveis, esta solução representa uma poupança superior a 60% face ao transporte marítimo tradicional, validando a viabilidade dos drones em cenários de emergência médica e transporte entre ilhas.

Macau, por sua vez, viu entrar em vigor a 1 de Fevereiro de 2026 a Lei da Actividade de Aviação Civil (Lei n.º 4/2025), que estabelece a base jurídica para a operação local de drones. No entanto, o deputado considera que ainda falta um conjunto essencial de directrizes operacionais uniformes entre as três regiões da Grande Baía, mecanismos coordenados de aprovação e infra-estruturas destinadas a voos aéreos transfronteiriços regulares. Esta lacuna, segundo o deputado, limita a conversão efectiva da prestação de serviços públicos e poderá colocar Macau numa posição desfavorável na competição regional.

Para colmatar estas carências, o parlamentar apresentou três questões concretas ao Governo. Em primeiro lugar, propõe a criação de um mecanismo de coordenação para voos transfronteiriços de drones baseado no princípio de uma única aprovação com reconhecimento mútuo pelas três regiões. Sugere ainda o estabelecimento de um canal especial de aprovação rápida para missões de interesse público, nomeadamente o transporte de materiais médicos de emergência, amostras sanguíneas e materiais de quarentena, com vista a reduzir o tempo necessário para a autorização de voos transfronteiriços.

Em segundo lugar, o deputado questiona o Governo sobre o planeamento de infra-estruturas dedicadas. Propõe que sejam reservadas ou construídas estações especiais de descolagem e aterragem de drones, instalações de carregamento e troca de baterias e sistemas de refrigeração junto a unidades de saúde estratégicas, como o Hospital Conde de São Januário, o Complexo Médico das Ilhas, centros de saúde, postos fronteiriços e laboratórios. Simultaneamente, defende a reserva de espaços aéreos específicos para rotas transfronteiriças de drones, assegurando a sua compatibilidade com o espaço aéreo existente.

Em terceiro lugar, Kevin Ho indaga o Executivo se tenciona lançar um “sandbox” regulatório ou um programa-piloto dedicado ao transporte transfronteiriço de materiais médicos por drones, à semelhança do que já foi feito em Hong Kong. Solicita ainda que sejam divulgadas a calendarização e os indicadores de eficácia para as rotas experimentais prioritárias, nomeadamente as ligações entre Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin e a cidade de Zhuhai.

O deputado sublinha que a promoção do transporte regularizado de materiais médicos transfronteiriços por drones não só reforçará a capacidade de emergência do sistema de saúde pública de Macau, como também constitui uma medida importante para integrar a estratégia nacional da economia de baixa altitude, contribuindo para o desenvolvimento de uma nova produtividade de qualidade no território. A “revolução dos drones médicos” já arrancou na vizinhança, resta agora saber se Macau vai ser piloto ou passageiro.