Hospitais com menos médicos de medicina tradicional chinesa

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Os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que, em 2025, o sistema de saúde de Macau registou uma proporção de 4,4 enfermeiros por mil habitantes, cumprindo a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS). Por outro lado, o número de médicos ficou ligeiramente abaixo do limiar. De realçar que, com a abertura do Hospital das Ilhas, os hospitais de Macau dispõem agora de mais 103 camas de internamento, totalizando 1.882.

 

Em 2025, existiam em Macau 2.055 médicos e 3.039 enfermeiros, revelou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Os números representam um aumento de 1,2% e uma descida de 0,6%, respectivamente, face ao ano anterior.

De acordo com o relatório relativo às estatísticas da saúde de 2025, compilado com base em dados fornecidos pelos Serviços de Saúde, mais de metade dos médicos (51%) trabalhava nos hospitais da região. Por sua vez, o total de médicos e mestres de medicina tradicional chinesa e de médicos dentistas e odontologistas decresceu 25% e 15%, respectivamente.

Numa visão geral, o rácio de profissionais de saúde por mil habitantes em Macau fica abaixo do referencial da Organização Mundial de Saúde (OMS), que estipula um mínimo de 4,45 médicos e enfermeiros como o limiar mínimo necessário para garantir a qualidade e a capacidade de resposta dos cuidados hospitalares. O rácio de enfermeiros (4,4) é o único que corresponde ao valor definido pelo organismo, sendo que os rácios de médicos (3), mestres de medicina tradicional chinesa (1) e, especialmente, médicos dentistas (0,4) ficam aquém dos níveis de referência.

Analisando estas quatro categorias de profissionais de saúde por grupo etário, constata-se que 45,3% da população de enfermeiros tinha idade igual ou inferior a 35 anos. Na perspectiva oposta, os médicos eram a categoria mais envelhecida, com 42,1% destes profissionais entre os 45 e os 64 anos. Quanto às especialidades, observou-se que o número de médicos especialistas foi de 791, um aumento de 24,4%, com destaque para os médicos especialistas de medicina interna (148, 18,7% do total) e de cirurgia geral (108, 13,7%).

O número de hospitais na região também cresceu entre 2024 e 2025, com a entrada em funcionamento do Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital. Na globalidade, os seis hospitais da RAEM disponibilizaram 1.882 camas de internamento no fim do ano passado (mais 103, em termos anuais), o que significa uma média de 2,7 camas de internamento por 1.000 habitantes (mais 0,1). A taxa de utilização das camas atingiu 72,8%, mais 1,3%.

Apesar da expansão hospitalar, é relevante assinalar que o número de camas das unidades de cuidados intensivos permanece igual desde, pelo menos, 2021, com apenas 35 camas disponíveis.

 

DÁDIVAS DE SANGUE AUMENTAM

 

Relativamente aos pacientes, o número de utilizadores dos serviços hospitalares foi de 2.473.000. Mais concretamente, foram atendidos 1.965.600 utentes nas consultas externas (menos 1,6% em termos anuais); 428.800 nos serviços de urgência (menos 7,5%); 57.800 nos serviços de internamento (menos 8,3%) e 21.600 nos serviços operatórios (mais 5,4%).

Segundo os dados divulgados pela DSEC, categorizados por especialidade, as consultas externas de medicina física e de reabilitação foram as mais frequentadas (271.000), seguidas pelas consultas de medicina tradicional chinesa (262.000) e de medicina interna (230.000).

Os serviços de urgência da Península de Macau atenderam 232.000 indivíduos e os das ilhas 106.000, totalizando 429.000 pacientes – um decréscimo de 7,5% face a 2024. A principal causa de admissão foi o “adoecimento”, que afectou 415.000 indivíduos (96,8% do total).

Já os serviços de internamento abrangeram 58.000 doentes (menos 8,3% em termos anuais), calculando-se uma média de 7,9 dias de internamento (mais 0,4 dias). Por fim, nos serviços operatórios, foram atendidos 22.000 indivíduos (mais 5,4%), sendo que a maioria procurou serviços de cirurgia geral (5.570 pacientes, 25,8% do total) e de oftalmologia (5.020, 23,3%).

No relatório da DSEC, informa-se também que o número de dádivas de sangue foi de 18.778 no final do ano passado, mais 5,6% face a 2024. Dentro do grupo de 12.492 dadores, 2.522 doaram sangue pela primeira vez.

Recorde-se que, em Macau, existem actualmente seis hospitais em funcionamento: Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), Hospital Kiang Wu, Hospital da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, Hospital Yin Kui, Hospital de Reabilitação Ká-Hó e Hospital das Ilhas. No ano passado havia ainda 767 estabelecimentos de cuidados de saúde primários, como centros de saúde e consultórios particulares.