Uma cidade em ‘stand-by’

Macau, outrora agitada e frenética, transformou-se agora numa cidade quase fantasma. Desde ontem – por decisão do Governo – todas as actividades consideradas não essenciais foram obrigadas a parar devido ao surto de Covid-19. Durante a manhã, o centro da cidade estava praticamente deserto, com lojas, restaurantes e casinos fechados. As estradas eram dominadas por patrulhas da polícia e pelas motas dos serviços de entrega de comida.

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FOTOGRAFIA ANDRÉ VINAGRE

O marasmo instalou-se na cidade. As lojas estão de portas fechadas e nelas encontra-se frequentemente um pedido de desculpas pelo incómodo causado e a justificação de que o encerramento se deve às medidas impostas pelo Governo. Nos casinos – dínamos da economia local – acontece o mesmo. À luz das normas das autoridades, os restaurantes podem continuar a funcionar, desde que a servir para fora. No entanto, a maior parte não quis abrir portas nesta segunda-feira, primeiro dia de uma semana de confinamento que, apesar de o Governo insistir que não é geral, está a paralisar a cidade.

Através de um despacho publicado no sábado, o Chefe do Executivo ordenou a “suspensão de funcionamento de todas as sociedades, entidades e estabelecimentos que exercem actividades industrial e comercial”, até à próxima segunda-feira. Apenas as actividades consideradas essenciais à vida quotidiana podem continuar a operar. Os transportes estão a meio-gás e servem apenas esses trabalhadores com funções consideradas essenciais. O despacho do Chefe do Executivo proíbe também as pessoas de andarem na rua.

Ainda assim, há quem continue a circular. Há quem tenha de ir trabalhar; há quem vá fazer os já habituais testes de ácido nucleico – são quatro rondas esta semana; e há também quem tenha de ir às compras. Todos com as KN95, já que o Governo ordenou que apenas fossem usadas máscaras desse calibre ou superior. Quem não cumprir as ordens, arrisca pena de prisão.

Nos supermercados, há funcionários dos Serviços de Saúde a verificar se o código de saúde de quem quer entrar é da cor verde e se, lá dentro, as filas não se adensam. As autoridades já tinham avisado que iam começar a implementar medidas de gestão de fluxo de pessoas nos supermercados para “reduzir a concentração de pessoas nos estabelecimentos e diminuir o risco de infecção cruzada causada pela transmissão do vírus”.

No centro da cidade, o ambiente era de profunda serenidade. A Macau agitada e cheia de gente desapareceu. Foi substituída por uma Macau vazia de carros e de pessoas. A cidade, recorde-se, chegou a receber, no passado, quase 40 milhões de visitantes.

O casino Lisboa está encerrado e com um aviso em chinês a explicar o motivo. Ao lado, o Grand Lisboa continua vedado por barreiras vermelhas. No cruzamento entre a Avenida de Almeida Ribeiro e a Avenida da Praia Grande, que era dantes atravessado por centenas de cada vez, há agora apenas dois peões que esperam que o semáforo fique verde. O Largo do Senado está irreconhecível, contam-se pelos dedos de uma mão as pessoas que atravessam a calçada portuguesa. Na Rua do Campo, apesar do ruído habitual, também se nota uma diminuição assinalável do número de veículos.

Táxis e autocarros públicos surgem com pouca frequência. Agora, as estradas são dominadas pelos carros de patrulha do Corpo de Polícia de Segurança Pública e pelas motas de serviços de entrega de comida.