Associação sugere cupões de consumo na ZAPE em vez de eventos e mercados

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

 As feiras promocionais na ZAPE tiveram “efeitos limitados” e devem ser substituídas pela distribuição de cupões de consumo, defende a Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau, perante os “grandes impactos operacionais” nos comerciantes da zona. Chris Wong, porta-voz da associação, salientou que muitas lojas na ZAPE permanecem desocupadas após o encerramento dos casinos-satélites, mesmo que haja uma redução na renda entre 50% e 60%.

A Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau defende o lançamento de cupões de descontos para consumo na ZAPE, em vez da realização de vários eventos de mercados temporários, por ser uma medida “mais directa” para resolver as dificuldades de negócios dos comerciantes.

“Embora o Governo tenha organizado sucessivamente várias actividades para atrair visitantes à zona [ZAPE], segundo os relatos dos comerciantes locais, o impacto directo nos negócios em geral não foi significativo”, denunciou Chris Wong, vice-presidente da direcção da associação, em declarações ao Jornal Ou Mun.

O porta-voz admitiu que os eventos promocionais, como mercados e feiras, conseguem atrair fluxos a curto prazo, mas “a presença de pessoas não significa necessariamente que haja mais consumo”, apontou. Sublinhou que o consumo é “bastante disperso”, pelo que os comerciantes beneficiam de forma limitada.

Já se passaram mais de três meses desde que todos os casinos-satélites em Macau encerraram, e a ZAPE e o NAPE, que eram zonas onde se situavam a maioria desses casinos, sofreram perda de visitantes e o consumo nas zonas diminuíram significativamente.

O Governo, em resposta à situação, começou a organizar vários eventos promocionais de consumo na zona, incluindo mercados temporários com que pretendia levar os turistas a visitarem e aumentarem o negócio da área.

Chris Wong sugeriu então que o Governo converta o orçamento destinado à realização de eventos em cupões de consumo para serem gastos nas lojas na ZAPE, “atraindo directamente turistas residentes para consumir na zona”.

A diminuição do fluxo de pessoas, seguida pelo encerramento dos casinos-satélites, aumentou ao mesmo tempo a incerteza quanto às perspectivas comerciais na ZAPE. Chris Wong avançou que as transacções imobiliárias foram também afectadas, sendo as propriedades nas imediações do Parque Dr. Carlos d’Assumpção e do Jardim Comendador Ho Yin com maiores impactos.

Segundo a análise do também presidente da Associação dos Agentes Imobiliários do Sector Imobiliário, os comerciantes dessa área dependeram principalmente dos turistas de jogo atraídos pelos casinos-satélite. Além disso, a zona fica um pouco afastada dos edifícios de escritórios da zona NAPE, pelo que é mais difícil atrair clientes para os negócios de proximidade.

“Não é fácil encontrar novos inquilinos para as lojas desocupadas”, apontou o porta-voz, indicando que os comerciantes nem sempre estão dispostos a instalar-se nessa área mesmo com a redução da renda.

Chris Wong revelou que, em alguns casos, não se encontram inquilinos apesar da “redução de 50% a 60% na renda”. Neste caso, o representante do sector deu o exemplo de uma propriedade com 3.600 pés quadrados, cujo aluguer chegava a atingir 200.000 patacas por mês, e não conseguiu encontrar um inquilino mesmo que o proprietário baixasse recentemente o aluguer para 90.000 patacas. Já uma outra loja na mesma zona, cujo aluguer chegava a atingir 100 mil patacas, foi arrendada agora por 30 mil patacas.

Nesse aspecto, Chris Wong lembrou ainda que os contratos de arrendamento dos comerciantes são geralmente de longa duração e que o encerramento dos casinos-satélites ainda não completou um ano, estimando-se ainda que o impacto económico possa vir a agravar-se.

“Se o clima de negócios na zona não melhorar, prevê-se que os comerciantes abandonem gradualmente a zona após o fim dos contratos, e que as rendas mantenham a tendência de descida”, concluiu.