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      InícioCulturaSócrates e Ventura resultam das falhas do sistema

      Sócrates e Ventura resultam das falhas do sistema

      André Ventura votou em José Sócrates, nas legislativas de 2005, para liderar o governo de Portugal, tecendo-lhe grandes elogios, disse Miguel Carvalho, autor de “Por Dentro do Chega”. Numa sessão conjunta, integrada no Festival Literário de Macau, com João Miguel Tavares, autor de “José Sócrates – Ascensão”, perante uma plateia cheia, os dois jornalistas falaram sobre os livros, as figuras que os inspiraram e o que há em comum entre eles: um aproveitamento das falhas do sistema e a falta de escrutínio público.

      A biografia “José Sócrates – Ascensão”, com base em fontes publicadas, acompanha a ascensão de José Sócrates desde a sua infância na Covilhã até 2005, quando venceu as eleições com maioria absoluta, e mostra os sinais que já eram visíveis para um Portugal “distraído”. Ainda assim, João Miguel Tavares considera que o país não aprendeu muito com o passado e que há um escrutínio que os jornalistas precisam de começar a fazer, referindo-se ao actual primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, e as suspeitas perante o caso Spinumviva, um escândalo político desencadeado por eventuais conflitos de interesses.

      Na realidade, a ascensão de José Sócrates, tal como a de André Ventura, não surge por acaso. “O sistema é mau, apodreceu e não reflectiu o suficiente”, diz. Por seu turno, o jornalista Miguel Carvalho afirma: “André Ventura votou em Sócrates, em 2005, e os elogios que lhe fez são o que ele acha dele próprio hoje”. Tal como João Miguel Tavares, também admite que há falta de escrutínio, mas sugere o motivo. “Está a falhar ao Chega, porque as redações estão transformadas em exércitos de precários. Uma boa parte das pessoas tem de escrever três ou quatro textos da espuma dos dias”.