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      InícioCulturaExposição colectiva celebra os 60 anos de colaboração entre China e França

      Exposição colectiva celebra os 60 anos de colaboração entre China e França

      Numa fusão entre as culturas chinesa e francesa, a exposição “Fusion: Sino-French” apresentará obras de Cecilia Ho, Alice Kok, João Miguel Barros, Lampo Leong e Francisco Ricarte. Parte do programa do festival de artes French May de Hong Kong, o conjunto de obras retira inspiração na história partilhada entre a China e a França, celebrando os 60 anos de relações diplomáticas entre os dois países. O Museu de Arte Contemporânea do Centro de Artes e Design da Universidade de Macau acolhe este evento, que abrirá as portas com uma cerimónia no dia 16 de Maio pelas 15h.

       

      Para celebrar os 60 anos de relações diplomáticas entre a China e França, foram convidados cinco artistas de Macau e França para exporem as suas mais recentes obras, com inspiração nos diferentes aspectos da cultura e tradições partilhadas entre os dois territórios nas últimas décadas.

      Com a curadoria de Cecilia Ho, que também irá expor obras de sua autoria, os artistas participantes desta exposição, que leva o nome “Fusion: Sino-French”, apresentam obras em série com diferentes técnicas e estilos. O tema da exposição colectiva é livre, mas sempre com alguma referência à cultura dos dois países em celebração, seja através da poesia ou da utilização de ícones referentes ao Ocidente e Oriente.

      Desde explorações visuais em fotografia e vídeo, a pinturas e instalações, a exposição levará o espectador por uma viagem entre as diferentes visões de renomados artistas de Macau, sempre com alguma ligação ao continente Europeu, numa celebração das relações sino-francesas e da arte internacional.

      A multiculturalidade da região poderá ser encontrada entre as nuances e alegorias presentes nas manifestações artísticas de Alice Kok, João Miguel Barros, Lampo Leong e Francisco Ricarte.

      Numa exploração da linguagem e da escrita, a curadora Cecilia Ho apresenta um trabalho delicado de caligrafia que combina o tradicional traço do caractere chinês com a escrita românica francesa, numa autobiografia visual que demonstra a sua própria fusão pessoal, sendo ela nascida em Macau, mas com nacionalidade francesa. Foi a primeira artista chinesa a participar da Exposição de Verão da Royal Academy of Arts de Londres em 1996 e em 2000 estreou a sua primeira participação no Salão de Outono de Paris.

      Com o advento das novas tecnologias de produção de imagem, a inteligência artificial está a ser progressivamente incorporada no âmbito das artes plásticas e já é possível ver obras de arte contemporânea que aplicam estas ferramentas como meio de expressão. Alice Kok aproveita esta nova onda e adapta o seu trabalho à fusão entre poesia e inteligência artificial. A série “Artificial Subconscious” é uma combinação entre homem e máquina, onde a artista alimenta com poemas um processador virtual, que utiliza as suas funções de aprendizagem artificial para analisar as qualidades do poeta, recriando-as em imagens originais que são o produto final desta colecção. Uma nova forma de arte, como diz Kok, que será possível ver nas sete obras presentes nesta exposição.

      João Miguel Barros inspira-se também na poesia e apresenta um novo trabalho fotográfico, acompanhado por um poema do francês Charles Baudelaire, “L’Invitation au Voyage”, que também serve de título para a colecção de obras apresentadas. Uma série de seis imagens ilustram uma alusão à viagem transcontinental, através de um elemento importante das aeronaves, o trem de aterragem.

      Numa outra exploração das técnicas de pintura chinesas, Lampo Leong utiliza a tinta da china como principal ingrediente no seu tríptico de pinceladas expressivas. Nestas obras de grande formato o artista inspira-se no universo e nas nébulas dos confins do espaço, onde estrelas são criadas e a fusão de elementos formam novos planetas. Leong é director do Centro de Artes e Design da Universidade de Macau, onde tem sido um importante membro na comunidade artística e no desenvolvimento das artes no âmbito acadêmico em Macau.

      O quinto elemento desta exposição são as obras de Francisco Ricarte, que utiliza a fotografia digital como meio de expressão e explora novas técnicas de edição. As sete obras destacam-se do seu estilo usual e apresentam uma revigorada investigação na produção de imagens digitais, sempre com a fotografia como base. A “mão” como fonte da criatividade é o elemento central destas peças, que mostram a transfiguração através do movimento, de um objecto orgânico a fundir-se com um mundo digital.

      A exposição é uma organização conjunta da Universidade de Macau, Centro de Arte e Design e a associação Art Beyond Walls. A cerimónia de inauguração acontece dia 16 de Maio às 15h, no Edifício Cultural E34-1020 do Museu de Arte Contemporânea do Centro de Arte e Design da Universidade de Macau.

       

      French May Arts Festival 2024

       

      Incluída no festival de artes French May Arts Festival 2024, que acontece em Hong Kong desde 1993, esta exposição faz parte de uma série de outros eventos dentro do programa deste ano, que deu início em Abril e mantém-se activo até Junho, com exposições, performances e sessões de cinema, por entre outros eventos culturais e educativos.

      Sempre com intenção de gerar um espaço de intercâmbio cultural entre o Oriente e Ocidente, este festival é um dos maiores eventos culturais da Ásia e apresenta mais de 100 programas durante os dois meses de actividade. Organiza eventos de grande escala como o “The Hong Kong Jockey Club Series: Noir & Blanc – A Story of Photography”, uma pareceria inédita entre o French May e o novo M+ Museum, que viu surgir esta colecção de centenas de fotografias a preto e branco, de fotógrafos de grande renome, presentes na Bibliotèque Nationale de France. Um século de maestria na fotografia apresentado numa coleção nunca antes vista na Ásia.

      Este festival acontece há mais de 30 anos, continuamente a contribuir para a o projecto de Hong Kong denominado “Asia’s World City” e em 2008 recebeu o prémio “Gold Award for Arts Promotion”.