Associação acusa Governo de ignorar questão da salvaguarda do emprego local

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A associação Macau People Power entregou uma petição ao Governo em que pede que seja dada mais atenção à questão da salvaguarda do emprego local. Na carta, o grupo diz que as medidas do Governo neste campo têm sido “meramente paliativas, com efeito prático mínimo”.

A associação Macau People Power foi ontem à sede do Governo entregar uma petição que insta o Executivo a implementar novas medidas para salvaguardar o emprego dos residentes locais. A carta endereçada ao Chefe do Executivo pede que as autoridades reformulem as “políticas obsoletas” relativamente à contratação de trabalhadores migrantes.

“O emprego local é actualmente a questão social mais premente em Macau”, lê-se na missiva, que acrescenta que “a deterioração do ambiente de trabalho levou a uma série de problemas relacionados, incluindo o declínio contínuo do poder de consumo local, a diminuição da taxa de natalidade e uma economia mono-sectorial”.

A Macau People Power lembra que o Governo realizou várias feiras de emprego e vários programas de formação profissional, “fazendo aparentemente muito, mas a situação real do emprego não melhorou significativamente”, segundo a associação, frisando que “o Governo está a ignorar a questão central na abordagem ao problema do emprego” e “as suas várias medidas são meramente paliativas, com efeitos práticos mínimos”.

O grupo foca-se nas políticas de importação de trabalhadores não residentes: “Actualmente, os pedidos de quotas para a contratação de trabalhadores não residentes são submetidos à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais [DSAL) para aprovação. No entanto, que critérios são utilizados para aprovar essas quotas? Nem a DSAL consegue dar uma resposta clara, limitando-se a afirmar que as aprovações se baseiam em casos individuais e na necessidade”. A associação diz que a aprovação da contratação de trabalhadores migrantes “depende inteiramente da discricionariedade dos responsáveis ​​pela aprovação”.

Na opinião da associação, “a abundância de trabalhadores não residentes não só afecta as oportunidades de emprego dos locais, como também impacta significativamente os custos de mão-de-obra”.

O grupo defende que, “se as políticas e a legislação não aumentarem o custo para as empresas que utilizam trabalhadores migrantes, os níveis salariais nos sectores afectados pela presença destes trabalhadores nunca irão melhorar, o que é também uma das principais razões para a crescente debilidade do consumo local”.

Outra questão levantada na petição da Macau People Power tem que ver com o programa de atracção de talentos no exterior. “Sempre me intrigou a principal motivação do Governo para procurar agressivamente a ‘atracção de talento'”, diz Lam Weng Ioi, presidente da associação, na carta, acrescentando que as qualificações dos profissionais que o Governo quer atrair com estes programas “são facilmente encontradas entre os jovens de Macau”. Além disso, “se as empresas fossem mais pacientes e seleccionassem anualmente, a partir de cargos de nível inicial, de entre os milhares de licenciados universitários locais, não haveria necessidade de importar especificamente talentos recém-licenciados com dois anos de experiência profissional para estas funções”, comenta a associação.

Por isso, o grupo espera que o Governo “volte a concentrar a sua atenção na juventude local, dado que muitas das indústrias incluídas no programa de captação de talentos estão entre as mais desejáveis ​​para os jovens da região”.

“Se o Governo não cultivar a experiência profissional dos jovens locais e, em vez disso, se apressar a introduzir os chamados ‘talentos’ com facilidades de entrada, estará a sufocar o desenvolvimento dos jovens locais e a colocar a carroça à frente dos bois, uma questão que merece uma séria consideração tanto da sociedade como do Governo”, conclui o texto da petição.