Alice Costa concluiu recentemente a sua exposição intitulada “Flow” na Creative Macau e, na semana passada, os lucros desta exposição, no valor total de 128 mil patacas, foram doados à instituição de caridade Orbis Macau. Os fundos foram gerados pela venda de pinturas, doações directas dos convidados e pela venda de catálogos.
“Organizar uma exposição para caridade é uma forma maravilhosa de reunir a comunidade, apoiar artistas e angariar fundos para uma boa causa,” comenta a artista. “Muitas pessoas perguntaram-me porque demonstrei grande quantidade de pinturas, talvez o dobro do normal, numa exposição pessoal. Sim, é certo que não é normal, mas foi pela caridade, logicamente quanto mais quadros estão postos, a probabilidade de venda torna-se maior. De facto, estou muito contente por ter vendido quase metade dos quadros”.
Como afiliada da Orbis International, a Orbis Macau tem como objectivo sensibilizar o público para o problema da cegueira a nível global e apelar ao apoio da comunidade local. Ao longo dos anos, a Orbis Macau tem promovido uma variedade de actividades para ajudar a angariar fundos para os projectos da Orbis de preservação da visão e defender a importância dos cuidados oftalmológicos e das questões de saúde ocular. O Orbis Flying Eye Hospital também visita Macau, e os dadores e cidadãos de Macau têm a oportunidade de aprender mais sobre o trabalho de preservação da visão do “Anjo com Asas de Ferro” com visitas guiadas. Este ano, está previsto a vinda do ORBIS flying eye hospital a Macau aquando do seu 20.º aniversário.
“Em primeiro lugar, quero agradecer profundamente a cada um dos amigos, familiares, amantes da arte, coleccionadores e curiosos, que dedicaram o seu tempo para estar na abertura. A vossa energia, os olhares atentos, os comentários e as conversas foram o combustível que deu vida a estas paredes. Uma exposição sem público é como uma conversa sem voz. Obrigada por darem voz a este trabalho”, referiu.
Nascida em Macau, filha de pai português e mãe chinesa, Alice Costa formou-se em Direito pela Universidade de Macau em 1994. Foi nomeada juíza do Tribunal de Primeira Instância em 1997. Começou a pintar há três anos e dedicou-se à pintura abstrata.
A obra de Alice Costa combina a beleza orgânica do mundo natural com a liberdade e a expressividade da abstração, inspirando-se em paisagens, flora, fauna e fenómenos naturais — como florestas, oceanos, montanhas, sol ou tempestades — e reinterpretando-os através de formas não representacionais. “Tento capturar não apenas a imagem da natureza, mas a sua essência — a sensação de um lugar, a força de uma tempestade, a tranquilidade de uma floresta. Isso é frequentemente chamado de “Paisagem Abstracta ou “Abstração Biomórfica”, onde a obra evoca a natureza sem retratá-la realisticamente,” observa.
Alice Costa gosta de usar técnicas de textura e superfície, como impasto, salpicos ou camadas, para criar profundidade táctil, sugerindo texturas naturais. Nas suas pinturas, os espectadores são convidados a ‘sentir’ em vez de reconhecer, oferecendo uma experiência sensorial da essência da natureza em vez da sua forma literal. Quer sejam caóticas ou serenas, estas obras celebram os ritmos e emoções invisíveis da natureza. “O processo criativo que envolve cores fortes e textura é uma viagem emocionante, visceral e muitas vezes imprevisível. Trata-se menos de uma réplica precisa e mais de energia, emoção e presença física”, explica Alice Costa. “É um processo muito dinâmico, desde a inspiração até à peça final, e tem tudo a ver com responder aos materiais, abraçar acidentes felizes e ter a confiança para deixar que a obra seja um registo da sua própria criação — enérgica, imperfeita e viva”.












