Especialistas nacionais e internacionais reuniram-se esta semana no Museu de Arte de Macau para o “Simpósio sobre Conservação e Restauro do Património Cultural”. Organizado pelo Centro de Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau, o evento promoveu a troca de conhecimentos sobre técnicas de restauro, com o caso do restauro corrente das Ruínas de São Paulo e das suas estátuas de bronze no centro dos debates.
Ocorreu esta semana um encontro que deu aso a uma profunda troca de saberes sobre a conservação do património cultural, reunindo especialistas da China, Grécia e Austrália. O evento que levou o título de “Simpósio sobre Conservação e Restauro do Património Cultural”, realizado a 25 de Janeiro, domingo, no Auditório do Museu de Arte de Macau, foi organizado pelo Centro de Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau, uma entidade sob a tutela do Instituto Cultural (IC). O foco principal deste simpósio recaiu sobre os desafios e as técnicas aplicadas no restauro em curso da emblemática fachada das Ruínas de São Paulo e das suas estátuas de bronze.
Na sessão de abertura, a presidente do Instituto Cultural, Leong Wai Man, sublinhou a importância simbólica do projecto das Ruínas de São Paulo. “Ao salvaguardar este património emblemático, testemunha secular do diálogo entre o Oriente e o Ocidente, o Centro pretende promover a partilha de técnicas de restauro entre a tradição e a modernidade, conferindo um novo significado contemporâneo à transmissão das civilizações”, destacou.
Leong Wai Man adiantou ainda que o centro formará equipas multinacionais para projectos futuros, utilizando o património como “elo de ligação” para impulsionar o intercâmbio humanístico internacional, usufruindo do território como ponto de partida desta fonte de conhecimento.
O programa do simpósio incluiu apresentações de especialistas que se destacam internacionalmente na área. Qu Liang, director do Departamento de Normas de Conservação do Museu do Palácio (Pequim), partilhou a experiência da sua instituição na conservação de objectos de bronze, referindo avanços que combinam tecnologias modernas com artesanato tradicional, como nos trabalhos realizados no sítio arqueológico de Sanxingdui, localizado nas margens do rio Yazi, no coração da província de Sichuan. A área arqueológica de Sanxingdui deve a sua fama mundial a uma obra-prima de singular impacto, denominada a “Árvore de Bronze”, com os seus 3,96 metros de altura, uma intrincada filigrana de ramos, folhas, frutos e figuras míticas de aves, que se acredita representar uma árvore cósmica, procurando mostrar a qualidade de manufactura de bronze no continente.
Do panorama internacional do evento, Amalia Siatou, especialista sénior em conservação proveniente da Grécia, abordou estratégias para a protecção de grandes sítios históricos e artefactos de materiais mistos, uma combinação de bronze e pedra particularmente relevante para as Ruínas de São Paulo. Já Ian Miles, especialista australiano em conservação de metais, e a professora Kin Hong Ip, da Universidade de Macau, apresentaram estudos de casos locais, detalhando os aspectos técnicos e os trabalhos práticos relacionados com a fachada e as estátuas do monumento histórico. O evento ainda contou com a presença de representantes de ordens profissionais e instituições académicas de Macau, com a presença de muitos profissionais do sector e do público geral.
O Centro de Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau foi oficialmente inaugurado em Novembro de 2024, fruto de uma cooperação entre o Governo da RAEM e o Ministério da Cultura e Turismo da China. O seu primeiro grande projecto é precisamente o restauro da fachada e das estátuas de bronze das Ruínas de São Paulo, envolvendo uma equipa composta por especialistas do Museu do Palácio, conservadores internacionais de metais e académicos locais. Durante o simpósio ainda foi avançado pelo especialista Ip Kin Hong, director do laboratório de conservação do património da MUST, que o actual restauro da fachada das Ruínas de São Paulo estará finalizado em meados de Fevereiro.












