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      InícioCulturaDupla de Macau e Polónia representa identidade asiática em festival e podcast

      Dupla de Macau e Polónia representa identidade asiática em festival e podcast

      O encerramento da 19.ª edição do Festival de Cinema Asiático “Cinco Sabores”, em Varsóvia, serviu de espaço para uma discussão que trouxe a experiência da diáspora asiática para o centro da tertúlia. Um podcast da secção “Focus: Migrações”, recentemente disponibilizado pela organização, contou com a participação do antropólogo visual de Macau, Cheong Kin Man, e da artista polaca Marta Stanisława Sala, dupla já reconhecida pelo seu trabalho em conjunto que deambula nos conceitos sobre identidade, apresentando um diálogo que cruzou cinema, arte e as complexas construções da identidade nos tempos de hoje.

      Moderado pelo programador do festival, Łukasz Mańkowski, o programa centrou-se na análise de obras cinematográficas e na forma como a identidade asiática é representada em contextos de migração. Cheong Kin Man, doutorando em antropologia da Universidade Nova de Lisboa e bolseiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e do Centro Científico e Cultural de Macau, analisou o filme “Filho Mais Velho” da realizadora franco-argentina Cecilia Kang, destacando motivações autobiográficas e as formas subtis de exclusão que percorrem a experiência diaspórica.

      Já Marta Stanisława Sala abordou o tema a partir de uma perspectiva autobiográfica e artística. A artista sublinhou o poder de meios não verbais no cinema, argumentando que a imagem, o som e o silêncio podem construir significados profundos antes de qualquer mediação linguística, abrindo a obra a interpretações múltiplas. Em conjunto, a dupla salientou ainda como a arte pode apresentar a composição única da população de Macau, historicamente formada por diversos fluxos migratórios.

      Esta participação surge após uma estreia no meio artístico polaco que se concretizou numa colaboração mais ampla. Recentemente, a dupla integrou uma obra do conceituado artista de vanguarda Józef Robakowski, apresentada no Museu de Arte Moderna de Varsóvia, e foi protagonista de um debate no mesmo espaço em Novembro do ano passado, focado em narrativas migratórias.

      O ano de 2026 traz mais trabalho para Cheong Kin Man e Marta Stanisława Sala. Estão planeadas participações em exposições colectivas em Cracóvia e Hong Kong já em Março, seguidas de uma mostra e eventos com curadoria de Sara Neves em Macau no Verão. A agenda inclui ainda “happenings” multilingues no Brasil e a itinerância da sua série de exposições “As Espantosas e Curiosas Viagens” por várias cidades portuguesas.

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau