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      Francisco Ricarte expõe “ASIA.FAR” na Casa Garden

      Um total de 80 fotografias em largo formato vão estar patentes nas paredes da Casa Garden de 14 de Maio a 19 de Junho. A exposição procurará apresentar um conjunto de séries fotográficas que o autor tem vindo a desenvolver na Ásia, com destaque, naturalmente, para Macau, mas também com imagens do Vietname, do Japão, da Tailândia ou do Nepal, entre outros destinos.

       

      O arquitecto-fotógrafo Francisco Ricarte vai inaugurar, no próximo sábado, dia 14 de Maio, pelas 17h30, a sua terceira exposição individual de fotografia, intitulada “ASIA.FAR”, na Casa Garden, da Fundação Oriente.

      Um total de 80 fotografias impressas em diversos formatos, a cor e preto e branco, estarão à contemplação do público local. “A exposição procurará apresentar um conjunto de séries fotográficas que tenho vindo a desenvolver e organizar com base na Ásia e seus diferentes e visualmente ricos locais, com destaque, naturalmente, para Macau”, referiu o autor, que nos explicou que apenas seis fotografias são de formato menor (40cm x 40cm) ao contrário das restantes que têm todas, no seu lado maior, 90cm de tamanho.

      Ricarte, há 16 anos a viver em Macau, revelou ao PONTO FINAL que cerca de um terço do total das imagens em exposição é sobre o território, “com especial enfoque em natureza e espaço edificado”. “Mas não de uma forma tradicional. No caso do espaço edificado, por exemplo, tanto tenho pormenores de estruturas de bambu como estruturas mais contemporâneas”, explicou, admitindo que, nessas estruturas, “deu-se mais ênfase ao humor e à ironia, num claro convite à descoberta de coisas novas”.

      Mas não só Macau estará patente nas paredes da Casa Garden. Registos fotográficos de Hue e Sa Pa, no Vietname; Chengdu, Shenzhen e Tibete, na China continental; Phuket e Banguecoque, na Tailândia; Angkor Wat, no Camboja; Quioto, no Japão, e Nepal são alguns dos outros locais captados pelo fotógrafo. “Mais do que um registo meramente turístico é um registo sensitivo. As imagens são resultado daquilo que os meus olhos viram e o que senti naquele momento ao ver as coisas. É definitivamente um registo das emoções que senti ao olhar para determinadas coisas e determinados lugares”, explicou Ricarte ao nosso jornal.

      E porquê “ASIA.FAR”, questionámos. “Ainda bem que faz essa pergunta. Isso tem um triplo significado. ‘Asia.com’ enquanto comunicação e intercâmbio entre todo o mundo. ‘Asia far’ no sentido do distante, do lugar da descoberta, longe das minhas origens e o fascínio que tenho por estes territórios e o ‘FAR’ que são as iniciais do meu nome mais usual Francisco António Ricarte.”

       

      Sem livro

       

      Desta vez, o autor – ele que é um ávido confesso coleccionador de livros de fotografia – não vai publicar um com esta mostra. Contudo, não deixa de parte que isso possa acontecer no futuro, “sem qualquer tipo de pressão”. “Estará disponível um pequeno panfleto sobre a exposição. Livro agora não. Preparar uma exposição deste calibre já me ocupou muito nos últimos tempos. O que não quer dizer que, no futuro, não agarre neste material e faça, por exemplo, qualquer coisa, como um catálogo”, confessou.

      O fotógrafo está “muito agradecido” à Fundação Oriente, “na pessoa da Ana Paula Cleto”, pela oportunidade dada para fazer “a maior” exposição individual que realizou até agora. E já conta com três, fora todas as outras colectivas que participou. E ir até à Doca de Alcântara, em Lisboa, atirámos. “Não foi assunto que abordasse sequer com a fundação. É uma matéria que não tratei, mas até poderei ver se tal é possível. Estar nas paredes do Museu do Oriente, em Lisboa, com esta exposição era algo que me faria muito feliz, mas quero reiterar que estou muito satisfeito com a possibilidade de o fazer em Macau.”

      A exposição, constata ainda o português, “é aquela que traduz melhor” o seu percurso, com fotografias captadas desde 2007 até este ano. “São abordagens diferentes ao longo dos anos. Hoje acredito que as minhas fotografias revelam uma maior maturidade. Se, no início, o fascínio era pelas cores e pelos contrastes, hoje já olho de forma diferente”, assumiu, referindo ainda que “a construção da memória é, porventura, o processo humano mais fascinante de reflexão sobre uma realidade com que nos deparamos e de como esta está sujeita a diferentes mecanismos de interpretação e transfiguração”.

       

       

      PONTO FINAL