O Tribunal Judicial de Base (TJB) continuou ontem o julgamento de um caso de corrupção eleitoral relativo às eleições para a 7.ª Assembleia Legislativa. O caso envolve um total de 18 arguidos, incluindo Lee Sio Kuan, primeiro arguido do processo bem como mandatário da comissão de candidatura e cabeça da lista às eleições “Ou Mun Kong I”, uma das seis listas excluídas nas eleições de 2021.
De acordo com a acusação, Lee Sio Kuan, em conluio com outros arguidos, terá oferecido um passeio turístico, refeições e prendas a mais de 200 residentes de Macau para recolher assinaturas suficientes de eleitores, com vista a apresentar o pedido de reconhecimento da lista de candidatura em causa à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL).
Na audiência de ontem foram ouvidas dez testemunhas e, segundo noticiou o Jornal Ou Mun, todas indicaram que não participaram no referido passeio turístico organizado por Lee Sio Kuan, pela União Geral das Forças dos Trabalhadores de Macau que Lee lidera, ou pela lista “Ou Mun Kong I”.
O referido caso foi investigado pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), depois de ter sido encaminhado pelo Ministério Público. Segundo a divulgação do caso do CCAC em 2022, o mandatário, Lee Sio Kuan, e um guia turístico, eram responsáveis pela organização de um passeio turístico de meio dia, tendo providenciado refeições e distribuído prendas tais como detergentes líquidos para a roupa e guarda-chuvas com os dizeres “votem nesta lista de candidatura” impressos nos mesmos. “Tais actividades e prendas foram todas financiadas pelo referido mandatário, tendo conseguido angariar mais de 200 eleitores para preencherem os seus dados de identificação pessoal e assinarem os respectivos boletins de propositura da lista em causa”, apontou o CCAC. O organismo realçou ainda que, durante a investigação, várias pessoas confessaram que, através de aplicações de telemóvel ou informações transmitidas de boca em boca, souberam que bastava apenas assinar os boletins para poderem ter acesso a um passeio turístico e refeições gratuitas.
O referido caso de corrupção eleitoral envolve várias testemunhas, informou o TJB, e prevê que a prestação do depoimento de testemunhas continue até ao final de Fevereiro.











