Criminalidade desce 7,1% até Setembro

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Apesar de a criminalidade em Macau ter decrescido nos primeiros três trimestres do ano, os crimes relacionados com o jogo e o abuso sexual de menores revelaram subidas expressivas. Os dados foram na sexta-feira revelados pelo secretário para a Segurança, Chan Tsz King, no primeiro balanço da criminalidade desde que entrou em funções em Outubro.

O número de inquéritos criminais registados em Macau nos primeiros três trimestres do ano diminuiu 7,1% face ao período homólogo do ano passado, embora os casos relacionados com o jogo e o abuso sexual de menores tenham disparado. Os dados foram na sexta-feira revelados pelo secretário para a Segurança, Chan Tsz King, na primeira sessão de apresentação das estatísticas da criminalidade desde que tomou posse, em Outubro de 2025.

De acordo com o responsável, as autoridades instauraram um total de 10.058 inquéritos criminais entre Janeiro e Setembro, o que representa uma descida de 773 casos (ou 7,1%) face ao período equivalente do ano passado. “A situação geral da segurança pública manteve-se estável e favorável”, observou, referindo ainda que “os crimes que mais preocupam a sociedade” – como a criminalidade violenta grave, o furto, o roubo, a burla e os crimes informáticos – têm também vindo a decrescer no ano que agora termina.

Por outro lado, registou-se um ligeiro aumento no número de pessoas detidas e encaminhadas ao Ministério Público durante as operações policiais e as operações de investigação criminal realizadas até Setembro. Os dados contabilizam um total de 4.475 detidas, mais 362 (8,8%) do que no ano passado.

No que respeita à criminalidade violenta, contabilizaram-se menos 23 casos em comparação com o período homólogo de 2024, representando uma queda de 11%. Mais concretamente, os “crimes de violência grave”, como o rapto, o homicídio e as ofensas corporais graves, mantiveram uma “taxa zero ou de ocorrência muito baixa”. Os crimes de violação também recuaram para 24 casos, menos 40%.

Houve ainda uma descida significativa nos casos de burla telefónica, burla cibernética e burla informática, com quedas respectivas de cerca de 18,8%, 40% e 47,3% em relação ao mesmo período do ano transacto. As autoridades foram também notificadas para três casos de burla com recurso à tecnologia “deepfake” desde meados de Abril, quando foi recebida a primeira queixa de sempre associada a esta técnica de inteligência artificial (IA). “Embora estes casos não tenham efectivamente causado prejuízos, convém o público manter-se alerta”, acautelou Chan Tsz King.

O secretário justificou a menor expressão dos crimes de burla com o “aumento significativo da consciência do público” e a “eficácia do trabalho de prevenção e combate desenvolvido pela policia”, que tem vindo a reforçar a sua capacidade de prevenção e resposta. Destaca-se aqui a inauguração da versão modernizada do Centro de Coordenação de Combate às Burlas, reaberto em Maio com instalações mais avançadas e tecnologias anti-burla de última geração.

SOBEM CRIMES RELACIONADOS COM TRÁFICO DE DROGA, JOGO E ABUSO DE MENORES

No sentido contrário, foram observados 48 casos relacionados com tráfico e venda de drogas, mais 13 do que no período homólogo. O secretário para a Segurança relacionou este aumento com “a descoberta de vários casos de tráfico transfronteiriço de droga, através do reforço da cooperação policial interna e externa”. Recordou, a título de exemplo, um caso no final de Setembro em que a Polícia Judiciária apreendeu mais de trinta quilos de flores de canábis no valor estimado de 31,77 milhões de patacas – a maior apreensão de canábis na história de Macau.

Quanto aos crimes ligados ao jogo, as autoridades sinalizaram 1.737 incidentes desta natureza nos primeiros três trimestres do ano. Significa isto um aumento de 716 casos, ou 70,1%, em relação ao período homólogo. Segundo o responsável, esta subida expressiva deve-se à revisão da “Lei de combate aos crimes de jogo ilícito”, no final do ano passado, quando se passou a criminalizar o câmbio ilegal em casinos e a incluir todos os casos de burla relacionados com “troca ilegal de dinheiro” nas estatísticas de crimes de jogo.

Ainda relativamente ao sector do jogo, o responsável indicou não terem sido identificadas “situações relevantes” associadas ao encerramento dos casinos-satélite de Macau. Neste momento, recorde-se, resta apenas em funcionamento o Casino Landmark, com fecho previsto para 30 de Dezembro.

O aumento mais expressivo foi, porém, no que respeita ao abuso sexual de crianças. Os 15 casos registados nos primeiros nove meses de 2024 subiram agora para 28, traduzindo-se estes números num crescimento de 86,7%. A maioria dos casos envolveu “actos sexuais voluntários” entre pessoas da mesma idade e a transmissão de fotografias e imagens pornográficas.

Numa reflexão geral sobre o ano de 2025, não circunscrita aos meses de Janeiro a Setembro, Chan Tsz King referiu que as eleições para a Assembleia Legislativa, a 15ª edição dos Jogos Nacionais e as actividades comemorativas dos 80 anos da vitória da China contra a agressão japonesa decorreram “sem sobressaltos”, graças às “diversas medidas de segurança” implementadas pelas autoridades.

Olhando para o futuro, o secretário garante que a polícia continuará a “reforçar a troca de informações e a cooperação policial” com as regiões vizinhas e a Interpol, de forma a combater todos os tipos de actividades ilícitas e criminais na região e a assegurar a manutenção da “paz e estabilidade da sociedade de Macau”.