Autoridades combatem chikungunya com uma semana de visitas domiciliárias

0
27

Os Serviços de Saúde e várias associações de Macau uniram-se esta segunda-feira na realização de uma acção conjunta de prevenção de chikungunya, em que divulgaram informações úteis e ajudaram os residentes a remover águas estagnadas no interior das habitações. O projecto prolonga-se até domingo, com mais acções de sensibilização previstas para bairros comunitários como a Ilha Verde ou a Avenida de Almeida Ribeiro.

O crescente número de casos de chikungunya em Macau, tanto de origem importada como local, levou os Serviços de Saúde a iniciar um programa de sete dias destinado à prevenção e ao controlo da epidemia nos bairros comunitários. De acordo com os dados mais recentes, ao longo de 2025 foram detectados oito casos locais e 24 casos importados.

As autoridades explicam que os factores climáticos que têm caracterizado este mês de Outubro, marcado por clima quente e chuvoso, contribuíram para a proliferação dos mosquitos transmissores do vírus – e, consequentemente, para um aumento expressivo do número de infecções. Os 32 casos registados até agora “não devem ser menosprezados”, vincam os Serviços de Saúde, lembrando que é “necessário reforçar constantemente as medidas de prevenção e controlo”.

Foi com este intuito que surgiu o programa “Comunidade Saudável – Eliminação de água estagnada por todos os moradores”, fruto de uma cooperação entre os Serviços de Saúde, a Federação das Mulheres dos Operários de Macau, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau e a Associação Geral das Mulheres de Macau. Ao longo de uma semana, de 13 a 19 de Outubro (ou seja, até domingo), cerca de 130 trabalhadores das referidas associações reúnem-se diariamente em grupos e realizam acções de sensibilização “porta-a-porta”, em que fornecem orientações úteis para que os residentes saibam como descartar águas estagnadas e prevenir o surgimento de mosquitos.

No primeiro dia deste projecto, segunda-feira, foram mobilizadas 24 equipas para acções de sensibilização que ocorreram, maioritariamente, na área das Portas do Cerco. Com o consentimento dos residentes, as equipas entraram nas habitações dos residentes e prestaram apoio na verificação e remoção das águas estagnadas, recordando as medidas fundamentais para a prevenção de mosquitos e as mais frequentes vias de transmissão das “duas febres” – isto é, as infecções por chikungunya e dengue.

Os Serviços de Saúde informam que, nos próximos dias, as equipas de divulgação vão aumentar o seu raio de alcance com visitas a diversos bairros comunitários, que incluem a Ilha Verde, Fai Chi Kei, a Rua Central (até à Rua da Alfândega), a Avenida de Almeida Ribeiro e ainda a zona do Tap Seac. Durante o período de operação, o pessoal das autoridades sanitárias estará devidamente identificado com o logótipo dos Serviços de Saúde, enquanto os trabalhadores das restantes associações vão usar uniforme próprio. Em caso de dúvida, os residentes podem ainda exigir um documento de identificação aos trabalhadores.

Em comunicado, as autoridades esclarecem que esta acção conjunta de divulgação de informações tem como objectivo “promover de forma contínua a educação comunitária sobre a prevenção de mosquitos” e aumentar “a sensibilização e a capacidade prática dos residentes quanto à auto-protecção”.

O chikungunya é transmitido através da picada de mosquitos da espécie Aedes portadores do vírus, que completam o seu ciclo de vida em aproximadamente sete dias num ambiente aquático. Ao eliminar a água acumulada ou substituir a água de jarras com uma frequência semanal, pelo menos, os residentes contribuem para erradicar os mosquitos na fase inicial de vida e interromper a cadeia de transmissão. Caso não seja possível remover a água estagnada, as autoridades aconselham o uso adequado de larvicidas para tratamento da área afectada.

As manifestações clínicas de chikungunya são semelhantes às de dengue, caracterizando-se por sintomas como dor muscular, dor de cabeça, náuseas, fadiga, febre ou erupções cutâneas. Em caso de dúvidas, os cidadãos podem consultar a página electrónica dos Serviços de Saúde ou contactar directamente a linha de doenças transmissíveis, através do número 2870 0800.