Desde 1974 que não havia tantas tempestades tropicais num só ano. Apesar de se ter mantido a 300 quilómetros do território, o tufão Matmo obrigou à emissão do sinal n.º 8 e provocou chuvas intensas e ventos fortes em Macau, com rajadas que chegaram a atingir uma intensidade de furacão.
O tufão Matmo levou à emissão do sinal n.º 8 de tempestade tropical às 2h da manhã de ontem, domingo. O sinal de alerta acabou por baixar para o nível 3 às 13h do mesmo dia, à medida que o sistema se afastava gradualmente de Macau, em direcção à cidade de Zhanjiang, e reduzia a influência no estado do tempo do território.
Não obstante, as 11h em que o sinal 8 esteve içado foram suficientes para que o mais recente fenómeno meteorológico provocasse chuvas intensas e quebrasse recordes, como detalha a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG). É preciso recuar a 1974 para encontrar um ano com o mesmo número de tempestades – 12, no total, embora os registos desse ano mostrem que apenas uma das tempestades chegou ao nível 8.
Em 2025, foram quatro as tempestades a exigir o içamento deste sinal: Wutip, em Junho; Tapah e Ragasa, em Setembro; e o mais recente Matmo. Os dados disponibilizados na página das autoridades permitem concluir que esta é a quarta ocasião em que se verificou a necessidade de emitir quatro sinais n.º 8 no mesmo ano, tal como aconteceu em 1993, 2008 e 2022. Ainda assim, nos anos citados registaram-se apenas entre seis e oito tempestades tropicais – números bastante inferiores às 12 que já assolaram Macau desde Junho do presente ano.
O tufão Matmo foi também atípico pelos ventos intensos que provocou na região, superiores ao nível 8 na Escala de Beaufort (“muito forte”), embora o centro da tempestade não tenha ultrapassado um raio de 300 quilómetros de distância de Macau. Numa nota informativa publicada ontem no ‘website’, os SMG explicam que “a intensidade do vento gerado por uma tempestade tropical é influenciada por diversos factores, incluindo a estrutura da circulação, a interacção entre sistemas meteorológicos e as diferenças na direcção do vento”.
Neste caso, apesar de o sistema ter mantido uma distância considerável de Macau, “a ampla extensão dos ventos fortes foi suficiente para afectar a região” e provocar rajadas máximas de nível 12, classificado como “furacão”. Conclui-se, assim, que “a distância não pode ser o único critério a ser considerado para determinar a necessidade de emitir sinais de tufão”.
Recorde-se que, em Maio, as autoridades tinham antecipado a passagem de cinco a oito tempestades tropicais ao longo da época de tufões, geralmente compreendida entre Junho e Outubro. De acordo com os cálculos feitos pelos SMG, com base nos dados recolhidos entre 1968 e 2024, a média de tempestades tropicais em Macau é de 5,77.
ZONAS BAIXAS COM “LIGEIRAS INUNDAÇÕES”
No total, o Matmo provocou um ferido ligeiro e 16 ocorrências, a maioria das quais relacionada com a remoção de objectos em risco de queda, incidentes em instalações de estaleiros de construção e queda de árvores. O Centro de Operações de Protecção Civil (COPC) diz recebido 36 chamadas durante o período de maior impacto na região, relacionadas sobretudo com a necessidade de obter informações sobre o estado do tufão, as condições rodoviárias e as passagens fronteiriças.
Entre os incidentes registados, destaca-se a queda de um andaime de bambu na fachada exterior do edifício D.ª Julieta Nobre de Carvalho, que obrigou ao encerramento temporário do viaduto em frente ao edifício. Os SMG observaram ainda “ligeiras inundações” nas zonas baixas, resultantes da combinação entre a elevada precipitação e a maré astronómica.
No que respeita aos abrigos de emergência, o Instituto de Acção Social (IAS) informa terem sido acolhidas nove pessoas nos quatro centros de acolhimento de emergência activados durante a madrugada.
Com a emissão do sinal 8 de tempestade tropical, os serviços de autocarros públicos, táxis especiais e metro ligeiro ficaram suspensos até às 13h. Por volta do meio-dia de ontem, a Rádio Macau noticiava que cerca de 600 pessoas estavam reunidas nas Portas do Cerco e outras 130 pessoas faziam fila no posto fronteiriço de Hengqin, procurando um dos 500 táxis normais que operavam na cidade. De acordo com a mesma fonte, os tempos de espera seriam superiores a uma hora.
Também o funcionamento do Aeroporto Internacional de Macau (IAM) foi afectado no fim-de-semana, com o cancelamento de 18 voos, o atraso de 26 e o reagendamento de sete. A maioria dos voos cancelados ou reagendados tinha como destino cidades no interior da China.
PONTE MACAU EM FUNCIONAMENTO
O trânsito nas pontes de ligação entre Macau e a Taipa foi retomado às 13h, em concomitância com os transportes públicos e o metro ligeiro. Como habitual em tempestades com esta intensidade, o tabuleiro inferior da Ponte Sai Van esteve aberto a partir das 3h para veículos ligeiros de passageiros e outros veículos autorizados.
Pela primeira vez desde que entrou em funcionamento, a Ponte Macau permaneceu aberta ao trânsito durante a emissão do sinal 8, embora de forma condicionada. A circulação foi limitada a automóveis ligeiros e veículos autorizados, sujeitos a uma velocidade máxima de 60 km/h, que só poderiam entrar na ponte através de dois acessos: a Avenida da Ponte de Macau, na Zona A, e na Estrada de Pac On, na Taipa.
A Ponte Macau foi alvo de vários ensaios de circulação de veículos ao longo deste ano, de forma a garantir que as condições meteorológicas adversas não constituíam uma ameaça à segurança rodoviária em Macau. No início de Setembro, depois da passagem do ciclone Tapah, o Governo anunciou ter levado a cabo testes de circulação nas diferentes faixas de rodagem da ponte, que tinham como objectivo definir regras de circulação durante fenómenos climáticos extremos. A ponte é encerrada ao trânsito em caso de emissão dos sinais 9 ou 10, de forma a garantir a segurança dos condutores.











