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      Macau recebe doação histórica que reaviva amizade sino-cazaque através do músico Xian Xinghai

       Num gesto que reforça os laços culturais entre a China e o Cazaquistão, Macau recebeu ontem uma doação de documentos, partituras e fotografias que pertenceram ao célebre compositor Xian Xinghai, conhecido como o “músico do povo”. Os materiais, entregues por Baldyrgan Baikadamova, filha do músico cazaque que acolheu Xian Xinghai durante o exílio nos anos 1940, foram doados ao Museu Memorial do compositor. A cerimónia coincidiu com as celebrações do 120.º aniversário do nascimento do artista e do 80.º aniversário da vitória chinesa na Guerra de Resistência contra o Japão.

      Macau serviu mais uma vez de palco diplomático, desta vez no campo cultural, ao albergar ontem um encontro que acentuou a amizade entre a China e o Cazaquistão. Foi no Museu Memorial de Xian Xinghai que a cerimónia de doação de materiais históricos pertencentes ao célebre compositor chinês – nascido em Macau – decorreu. Baldyrgan Baikadamova, filha do músico cazaque Bakhytzhan Baikadamov, entregou documentos, partituras e fotografias que testemunham o período em que Xian Xinghai viveu no Cazaquistão durante a década de 1940, em exílio. Uma ponte musical entre duas regiões, que só ocorreu 80 anos depois. A doação assume especial simbolismo neste ano em que se assinalam o 80.º aniversário da Vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e o 120.º aniversário do nascimento do compositor.

      Nascido em Macau a 13 de Junho de 1905, Xian Xinghai é celebrado como o “músico do povo”, autor de obras emblemáticas como Cantata do Rio Amarelo e Marcha do Exército e do Povo, que se tornaram hinos de resistência durante a guerra. Forçado a exilar-se na União Soviética nos anos 1940, encontrou refúgio em Almaty, no Cazaquistão, onde foi acolhido pela família Baikadamov. Foi nesse período que compôs peças como Sinfonia da Libertação Popular e Amangeldy, esta última uma homenagem a um herói nacional cazaque, consolidando uma ponte cultural entre os dois países.

      Choi Kin Long, presidente substituto do Instituto Cultural, destacou a importância histórica e educativa dos materiais, que não só enriquecem o acervo do museu como reforçam a narrativa patriótica da região. Sublinhou o papel de Xian Xinghai como figura unificadora durante um dos períodos mais turbulentos do século XX. Presentes na cerimónia estiveram ainda representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, da Direção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude e do Museu de Macau, além de membros da família Baikadamova.

      Após a cerimónia, Baldyrgan Baikadamova partilhou com os jovens presentes, histórias sobre a amizade entre o seu pai e Xian Xinghai, relembrando as dificuldades enfrentadas durante a guerra e o compromisso do compositor com a pátria distante. “Estes materiais guardam a memória da amizade entre meu pai e Xian Xinghai, que na adversidade da guerra criaram juntos uma ponte musical entre nossos povos. Apesar do exílio, a sua alma nunca deixou a China”, afirmou, destacando o legado de “resiliência e patriotismo” que Xian Xinghai deixou às gerações futuras.

      Inaugurado em 2019, o Museu Memorial de Xian Xinghai em Macau pretende preservar a memória do compositor, cuja ligação a Macau é um pertinente marco histórico de relevância para a região. Os novos materiais doados não apenas preenchem lacunas históricas, mas afirmam Macau mais uma vez como “plataforma de diálogo intercultural”.