O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, assinalou os resultados da cooperação entre Macau e Xangai, que tem sido “estreita e com um enorme potencial”. O líder do Governo reuniu-se com o presidente do município de Xangai e deu uma entrevista a um jornal da cidade, tendo mostrado vontade de aprofundar o intercâmbio, sobretudo nas áreas financeiras e tecnológicas. Sam Hou Fai revelou que vai fazer uma visita ao Delta do Rio Yangtzé ainda este mês.
Macau está disposto a trabalhar com Xangai para fortalecer o diálogo e o intercâmbio, tanto na diversificação económica como no turismo cultural. A afirmação veio de Sam Hou Fai, que destacou que Xangai tem sido uma “prioridade” para Macau em termos de cooperação. O Chefe do Executivo espera aprofundar a cooperação bilateral a fim de impulsionar a diversificação económica da RAEM.
“As relações entre Macau e Xangai têm sido estreitas e a cooperação está a tornar-se cada vez mais ampla, servindo de base para a cooperação futura em áreas como tecnologia e finanças”, salientou Sam Hou Fai, numa entrevista dada ao Jiefang Daily (Liberation Daily), diário oficial do Comitê de Xangai do Partido Comunista Chinês, aquando de uma visita a Macau de uma delegação do governo do município de Xangai.
Sam Hou Fai apontou a cooperação financeira moderna e transfronteiriça como um dos caminhos para a cooperação entre Macau e Xangai. Segundo o mesmo, as partes devem reforçar o intercâmbio de informações financeiras, explorando projectos de cooperação específicos em áreas como a criação mútua de instituições financeiras, o lançamento de produtos financeiros e o serviço à estratégia nacional.
“O objectivo é alcançar a articulação de recursos e mercados, especialmente em áreas-chave como o mercado de títulos de obrigações, gestão de património e finanças digitais”, afirmou.
O líder do Governo apontou ainda que Macau está a promover a criação de um parque de investigação e desenvolvimento da indústria tecnológica, que, no futuro, poderá cooperar com o Parque Tecnológico Zhangjiang, em Xangai, em termos da tecnologia de ponta.
Já a ligação entre Macau e os países de língua portuguesa e espanhola, indicou Sam Hou Fai, pode tornar-se um importante canal de acesso das empresas de Xangai no domínio da indústria transformadora na exportação de mercadorias ao exterior.
Em entrevista, o Chefe do Executivo valorizou a internacionalização de Xangai e o intercâmbio entre os jovens, que estará a aumentar.
“Actualmente, 786 estudantes de Macau frequentam universidades em Xangai e 757 estudantes de Xangai frequentam dez universidades em Macau. Os dois locais estão a tornar-se cada vez mais atraentes para os jovens de ambas as cidades”, frisou.
Sam Hou Fai disse esperar que os jovens de Macau possam, ao estudar em Xangai, “compreender a situação do país e integrar-se no desenvolvimento nacional”, enquanto os alunos de Xangai possam aprender em Macau sobre os países de língua portuguesa.
SEM RECEIO DE FALTA DE ATRACTIVIDADE TURÍSTICA
Sam Hou Fai revelou que vai realizar uma visita aos aglomerados urbanos da Delta do Rio Yangtzé ainda este mês de Agosto e espera poder passear por Xangai para “conversar com os idosos proprietários de lojas centenárias e os jovens que operam lojas populares na internet”, de forma a estudar a possibilidade de promover o turismo multi-destino.
O responsável sublinhou que os cidadãos de Xangai são bem-vindos a viajar para Macau para “sentirema simplicidade e a simpatia” dos residentes locais, acrescentando que “nunca houve casos em que as pessoas de Macau tenham sido antipáticas” para com turistas.
Macau recebeu no primeiro semestre do ano um total de 19,2 milhões de turistas, e acolheu no ano passado quase 900 mil turistas de Xangai, avançou o Chefe do Executivo na entrevista.
Sam Hou Fai enfatizou que o encontro entre as culturas ocidental e oriental continua a ser um dos destaques de Macau, incluindo para os turistas jovens.
“Não me preocupa que a vontade dos jovens de visitar Macau diminua”, afirmou, desvalorizando a concorrência de outros destinos turísticos. Sam disse que o Governo está a ponderar transformar a zona histórica e os bairros antigos numa “área apreciada pelos viajantes com mochila”.
ENCONTRO EM MACAU
Uma delegação município de Xangai, liderada pelo seu presidente Gong Zheng, esteve numa visita a Macau, tendo sido recebida pelo Chefe do Executivo, na passada quinta-feira, na Sede do Governo. Numa reunião onde se discutiram os novos projectos de cooperação, Sam Hou Fai saudou a melhoria da eficácia da cooperação com Xangai em domínios como as finanças, inovação científica e tecnológica, cultura e turismo, convenções e exposições, juventude e educação.
O responsável referiu que Xangai está a implementar o posicionamento atribuído pelo Governo Centralsobre a construção de “cinco centros”, enquanto Macau está a trabalhar para a diversificação da economia. Sam Hou Fai disse esperar que Xangai e Macau continuem a complementar as suas vantagens no desenvolvimento.
Após o encontro, as partes assinaram vários protocolos de cooperação entre Xangai e Macau, nomeadamente os memorandos sobre o aprofundamento de cooperação financeira, no sector de convenções e exposições, na acção social, na inovação científica e tecnológica, na área de educação, na trabalho de quadros qualificados, bem como dois acordos entre a Universidade de Macau e instituições académicas de Xangai.
CAIXA:
O LAM QUER PROGRESSO CONJUNTO DAS EMPRESAS TECNOLÓGICAS
Realizaram-se ainda duas iniciativas relativas à cooperação com Xangai, incluindo o Fórum Pujiang de Inovação- Diálogo de Inovação Científica e Tecnológica Xangai-Macau na quinta-feira e o Fórum para o Desenvolvimento Económico para Jovens de Xangai, Hong Kong e Macau, na sexta-feira. O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, realçou o potencial dos dois locais na inovação tecnológica e da atracção de talentos internacionais de alto nível, bem como na circulação bidireccional de resultados científicos e tecnológicos e das empresas. Já o presidente do município, Gong Zheng, assegurou a prestação de apoio à criação conjunta de laboratórios e centros de investigação por universidades, institutos de investigação científica e empresas inovadoras das duas regiões, com vista à cooperação em áreas como a medicina ecológica.











