A Polícia Judiciária deteve uma mulher, de nacionalidade filipina, por suspeita de burla contra 26 conterrâneos, tendo amealhado 500.000 patacas dos lesados com o pretexto de recrutamento no seu restaurante japonês em Macau. Segundo a investigação, a suspeita cobrou a cada um entre 14.000 e 22.000 patacas pelas despesas para pedidos de ‘bluecard’, mas depois deixou de estar contactável pelos trabalhadores.
Depois de ter burlado 26 conterrâneos filipinos, num total de 500 mil patacas, através de um esquema de falso emprego, a proprietária de um restaurante japonês foi detida pelas autoridades policiais.
Os detalhes do caso foram divulgados ontem pela Polícia Judiciária (PJ). Segundo noticiou o Jornal Ou Mun, de acordo com a investigação da polícia, a suspeita, residente de nacionalidade filipina de 50 anos que opera um restaurante japonês na Zona da Avenida de Horta e Costa, começou em Outubro do ano passado a publicar nas plataformas de redes sociais anúncios de “recrutamento” de funcionário para o estabelecimento de comida.
Nos anúncios, alegou ao mesmo tempo que podia prestar assistência no procedimento de pedido de título de Identificação de Trabalhador Não Residente (‘bluecard’).
Depois de entrar em contacto com os interessados, a empresária exigia que cada pessoa lhe pagasse, de adiantamento, entre 14 mil e 22 mil patacas, que serviam como “despesas de processo” para o ‘bluecard’. A mulher deixou ainda o compromisso de concluir todas as formalidades para a importação de trabalhadores não-residentes no prazo de dois meses.
A PJ informou que as vítimas confiaram na proposta e pagaram as despesas em numerário, conforme solicitado pela suspeita, e a suspeita passou-lhes recibos em papel.
No entanto, depois de receber o dinheiro, a mulher deixou de dar actualizações sobre o processo de pedidos de ‘bluecard’, recorrendo a “várias desculpas para atrasar o processo”, apurou a PJ E quando as vítimas pediram o reembolso, a dona do restaurante recusou e acabou por deixar completamente de estar contactável, referiram as autoridades.
DENUNCIADA EXPLORAÇÃO NO TRABALHO
Os 26 lesados eram cidadãos filipinos, jovens e de meia-idade, correspondendo a 11 homens e 15 mulheres. Algumas das vítimas apresentaram queixa no Corpo de Polícia de Segurança Pública, na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, no Ministério Público e até no Consulado das Filipinas. A PJ admitiu também ter recebido denúncias sobre este caso desde meados do mês passado.
O caso de esquema de falso emprego foi também denunciado à TDM Canal Macau por algumas das vítimas, e à imprensa All About Macau, pelo Sindicato Progressivo dos Trabalhadores Domésticos em Macau.
Segundo os relatos, as vítimas passaram meses sem receber salário e trabalharam muitas vezes durante mais de 12 horas por dia. Além de terem sido forçados a pagar para garantir o posto de trabalho, não conseguiram recuperar o montante depois de deixar o cargo. Algumas disseram que tinham começado a trabalhar no restaurante em Março deste ano, enquanto algumas nem tinham iniciado o trabalho mesmo depois de pagar as “despesas” requeridas pela proprietária.
Durante uma conferência de imprensa realizada ontem, a PJ confirmou que o restaurante em questão não dispunha de qualquer quota de empregados estrangeiros para além das que estavam a ser aproveitadas, e que não há registo de a suspeita ter ajudado a solicitar o ‘bluecard’ das vítimas neste caso.
Após a detenção, a PJ apreendeu na posse da suspeita um caderno de recibos. A detida admitiu a prática de burla e confessou que o dinheiro tinha sido utilizado para as despesas diárias do restaurante, recusando-se a revelar mais pormenores.











