Ip Sio Kai sugeriu ontem, na reunião plenária da Assembleia Legislativa (AL), que se apostasse nos voos directos entre Macau e Lisboa em nome do papel de plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa que a RAEM deve desempenhar. O deputado propôs a criação de subsídios para apoiar os elevados custos de exploração das rotas aéreas.
O deputado Ip Sio Kai propôs ontem, na Assembleia Legislativa (AL), a aposta em voos directos entre Macau e Lisboa, de forma a potenciar o papel de plataforma da RAEM. “Enquanto plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa, Macau tem de consolidar os trabalhos básicos de intercâmbio económico, comercial, cultural e pessoal”, salientou.
“Os países de língua portuguesa ficam longe de Macau, e a troca comercial depende, em grande medida, do transporte aéreo”, referiu Ip Sio Kai na sua intervenção antes da ordem do dia, lembrando que a RAEM tem autonomia para celebrar acordos de direitos de tráfego aéreo com outros países ou regiões e ter voos directos para diversas cidades estrangeiras a partir do aeroporto local.
Na opinião do deputado, faltam voos directos regulares de médio e longo curso para a Europa e países de língua portuguesa e isso “compromete, em certa medida, o papel de ligação de Macau na rede internacional, e a contribuição e a influência de Macau, enquanto plataforma entre estes países, para a interacção presencial”.
Para chegar a Lisboa, os residentes e visitantes têm de fazer a viagem através de Hong Kong, Dubai ou Istambul, por exemplo, “o que representa uma longa viagem de ida, tendo de mudar de aeroporto ou esperar por voos de ligação, o que torna o tráfego aéreo consideravelmente inconveniente e não favorece a promoção da normalização das actividades comerciais e empresariais sino-portuguesas, nem a atracção de mais turistas internacionais para Macau”.
“A abertura de voos directos entre Macau e Lisboa é a base de uma plataforma, que serve para ligar, através da companhia aérea portuguesa, o Brasil e os países de língua portuguesa em África” afirmou Ip, justificando que isso “contribuirá para promover ainda mais o comércio, o turismo e o fluxo de pessoas entre Macau e os países europeus, reforçando a função substantiva de Macau como elo de ligação ao mundo”.
Ip Sio Kai reconheceu que estas rotas de longa distância teriam custos operacionais elevados, por isso, “sem subsídio inicial ou apoio às infra-estruturas ou medidas de apoio administrativo complementares, as companhias aéreas dificilmente podem assumir, por si próprias, os elevados riscos de exploração dessas rotas”.
Assim, o deputado eleito pela via indirecta pediu que o Governo estude a criação de um “subsídio específico para apoiar os elevados custos da exploração inicial das rotas aéreas, por exemplo, as despesas com os direitos de tráfego, as tarifas do aeroporto, bem como os custos do pessoal e do combustível, atribuindo subsídios financeiros faseados”. “Esses subsídios podem ser atribuídos através de um montante fixo de acordo com o número de voos ou, mais flexível, através da redução gradual e faseada de um montante inicialmente atribuído consoante o número de anos de exploração das rotas, a fim de ajudar as companhias aéreas a reduzir os riscos iniciais e promover a entrada em funcionamento dessas rotas”, explicou.
O deputado sugeriu também que o Governo reserve os direitos de tráfego e implemente o regime de apreciação rápida das principais rotas para estas “rotas estratégicas de longo curso”, “simplificando o procedimento de aprovação, para além de tomar medidas como a redução ou isenção das taxas de embarque e desembarque e das taxas de utilização dos terminais”.
Ip Sio Kai propôs ainda que o Governo, por intermédio da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), do Gabinete para as Convenções e Exposições (GCET) e da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), definam uma “estratégia de eficácia dos voos directos”, através do lançamento de promoções de consumo para alojamento, transporte, actividades culturais, etc. para os passageiros destes voos. Por fim, sugeriu que haja cooperação com as operadoras de jogo, de forma a oferecer pacotes de viagens ou subsídios aos visitantes internacionais que utilizam estas rotas, “aumentando o número médio de dias de estadia e o consumo per capita, materializando os benefícios económicos gerais da exploração das rotas directas e a base da sua operação permanente”.
Esta não foi a primeira vez que foi sugerida a aposta em voos directos entre Macau e Portugal. Recentemente, na apresentação do programa político da lista Nova Esperança às eleições legislativas de 14 de Setembro, Pereira Coutinho defendeu a mesma medida.











