Nos últimos dias, foram registadas seis mortes suspeitas de se tratarem de suicídios. Este foi o ponto de partida da intervenção antes da ordem do dia do deputado Ron Lam. Na reunião plenária de ontem da Assembleia Legislativa, o parlamentar afirmou que o Governo não tem políticas adequadas para dar resposta aos problemas de saúde mental da população e acusou mesmo o Executivo de esconder a cabeça na areia.
Uma vaga de suicídios está a atingir Macau. Em pouco mais de uma semana, houve seis mortes suspeitas de se tratarem de suicídios, mais quatro descobertas de cadáveres e ainda uma tentativa. Este foi o ponto de partida para a intervenção antes da ordem do dia de Ron Lam, na reunião plenária de ontem da Assembleia Legislativa (AL). O deputado criticou a abordagem do Governo e pediu medidas.
No ano passado, houve 91 casos de suicídio, com a sua taxa a atingir 13,6 por cada 100 mil pessoas, valor significativamente superior à média internacional de cerca de nove a dez pessoas, e a taxa de suicídio em Macau aumentou 44 por cento no espaço de 10 anos, em comparação com os 9,4 casos registados em 2015. De entre as 91 pessoas que tiraram a própria vida no ano passado, quatro tinham entre 5 e 14 anos e nove estavam entre os 15 e os 24 anos. “É premente dar atenção e lidar com o problema do suicídio em Macau”, alertou Ron Lam.
O deputado eleito pela via directa afirmou que “as informações divulgadas actualmente pelo Governo são limitadas”: “Por exemplo, os números das mortes por suicídio divulgados pelos Serviços de Saúde são trimestrais e através de notas de imprensa, com dados classificados segundo o sexo, se é residente de Macau e as idades, portanto, como esses dados não são completos, não é possível efectuar uma análise e comparação”. Ressalvando que compreende que possa haver o efeito de contágio, Ron Lam disse que as autoridades usam isso como “pretexto” para não encararem o problema devidamente.
Ron Lam criticou o facto de as autoridades ocultarem informações sobre as vítimas, nomeadamente as mais jovens, o que “dificulta a análise da sociedade sobre a saúde psicológica dos alunos”.
O deputado criticou as recentes declarações da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, que disse recentemente que, para melhorar a saúde mental, os residentes deviam focar-se na cultura e no desporto. “Estas palavras geraram muita discussão na sociedade, o que demonstra divergência entre o Governo e a população”, referiu o deputado, sublinhando que professores, funcionários de escola, assistentes sociais, médicos e enfermeiros lhe têm dito que o número de suicídios com que lidaram nos últimos anos aumentou muito, e é cada vez mais comum haver jovens com problemas de saúde mental e stress.
No entender de Ron Lam, o pessoal da linha da frente não tem forma de actuar preventivamente nestes casos, o que “evidencia que os actuais mecanismos não estão a responder eficazmente aos casos de tendência de suicídio”.
Ron Lam sugeriu, assim, que o Governo “abandone a actual política de avestruz” e crie “mecanismos específicos e objectivos, para, atempada e racionalmente, divulgar à comunicação social as informações essenciais sobre os casos de suicídio”, fornecendo “dados brutos nas publicações e estudos estatísticos, para que a sociedade e os sectores em causa tomem conhecimento e prestem atenção à saúde mental e ao suicídio”.
“Há que fornecer informações adequadas sobre a prevenção e como pedir ajuda, sobretudo, alertar a sociedade para prestar atenção e apoio às pessoas à volta”, referiu, exigindo também a definição de objectivos claros para reduzir o número de suicídios.











