Os Serviços de Saúde estimam que cerca de um quarto da população adulta sofre de hipertensão, sendo um grande factor de risco cardiovascular. Ainda assim, cerca de 38% desses hipertensos não têm a pressão controlada, destacando a importância de melhorias no sistema de saúde para promover uma maior prevenção e tratamento. Por outro lado, o recente sistema de autocontrolo e monitorização já indica resultados positivos, com mais de 1 milhão de medições realizadas em 2024.
No contexto das acções de saúde pública, os Serviços de Saúde (SS) realizaram uma conferência de imprensa, em antecipação ao “Dia Mundial da Hipertensão”, para divulgar informações essenciais sobre a prevalência, monitorização e controlo desta condição. Segundo o “Inquérito sobre a Saúde de Macau 2016”, aproximadamente 25% da população apresenta hipertensão arterial, o que evidencia um desafio de saúde pública de grande escala.
A hipertensão constitui um factor de risco primário para doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, com consequências potencialmente graves, incluindo enfarte do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais e insuficiência cardíaca. Os sintomas associados, como dores no peito, tonturas e dificuldades respiratórias, podem indicar complicações agudas, exigindo uma resposta rápida e eficaz. A taxa de diagnóstico e tratamento ainda apresenta margens de melhoria, embora os esforços recentes tenham contribuído para avanços significativos.
A implementação do sistema de indicadores de qualidade, em 2023, que leva o nome de “Sistema de indicadores da qualidade para a gestão das doenças crónicas” e que introduz o modelo cíclico “Planear-Executar-Verificar-Melhorar”, inicialmente focado na diabetes, mas alargado em 2024 para o âmbito da hipertensão arterial, com previsão de incluir este ano a gestão de anomalias de lípidos sanguíneos, formando assim um sistema integrado de prevenção e controlo de chamado “três hiper”.
O sistema visa promover uma gestão contínua das doenças crónicas e o território registou melhorias na adesão ao tratamento, como indicou o médico assistente de medicina familiar na área de cuidados de saúde comunitários dos Serviços de Saúde, Tam Kwong Ho. Em 2024, a taxa de tratamento de hipertensos atingiu 89,6%, enquanto a taxa de controlo da pressão arterial, ou seja, a proporção de doentes com níveis controlados, alcançou 62,6%. Estes números representam um aumento de 14,1% na taxa de controlo em relação ao ano anterior. Além disso, foram estabilizados 11.590 novos casos, atingindo um nível de pressão arterial considerado controlado.
O sistema propõe a monitorização regular por parte dos residentes através de postos de autoavaliação. Em 2024, foram realizadas mais de 1,14 milhões de medições de pressão arterial nesses postos, com cerca de 87 mil utilizadores activos, evidenciando um envolvimento significativo da comunidade na prevenção precoce.
Na área da diabetes, os dados indicam que 60,1% dos doentes controlam adequadamente a glicemia, 71,2% mantêm a pressão arterial sob controlo e 60% possuem níveis de lípidos sanguíneos dentro dos parâmetros recomendados. Estes indicadores reflectem uma evolução positiva, com a taxa global de cumprimento dos três parâmetros a subir para 29,3%, um aumento de 9,1% comparativamente a 2023.
Durante a semana do “Dia Mundial da Hipertensão” foram realizadas várias actividades de promoção, incluindo eventos de verificação de pressão arterial, com uma participação superior a 12.000 residentes em 2024. Estas acções pretendem sensibilizar sobre a importância do diagnóstico precoce, monitorização regular e adopção de hábitos de vida saudáveis, alinhando-se às estratégias nacionais de protecção da saúde ao longo do ciclo de vida, como indicou a médica Ng Nga Teng, também presente durante a conferência.











