As autoridades decretaram a entrada no “período de estado relativamente estático” do território desde o início do actual surto de Covid-19 em 18 de Junho. Tendo decorrido o “período de infecção zero”, encontramo-nos já num “período de consolidação”. Se tudo correr bem a cidade chegará ao chamado “período de estabilidade”, surgindo novas terminologias todas as semanas. Agnes Lam considera que, devido à falta de critérios claros para se determinar o sucesso ou fracasso, estamos todos num “jogo de experimentação”, sem se saber para onde rumamos.
A 18 de Julho começou esta ronda de surto epidemiológico, tendo decorrido um período de “estado relativamente estático” de 12 dias. No quinto dia do “período de consolidação” proposto pelas autoridades, a 27 de Julho, Macau registou pela primeira vez zero casos confirmados. Quando a população pensava que a sociedade podia voltar à normalidade depois de nenhum caso ter sido detectado na comunidade, as autoridades anunciaram que a cidade iria entrar num “período de estabilidade” após a conclusão de “período de consolidação”.
“Juntamente com os outros dois períodos antiepidémicos – o ‘período de estado relativamente estático’ e o ‘período de infecção zero’, bem como o ‘período sem nome’, sem denominação específica, durante as duas primeiras semanas do surto que teve início em 18 de Junho, pergunto-me se vão surgir novos nomes após o ‘período de estabilidade’”, referiu Agnes Lam. “Tantos nomes para o público aprender nesta ronda de surto!”, acrescentou a deputada, em declarações à imprensa chinesa.
“Não é necessariamente mau ter muitos nomes, se as definições forem claras e as suas conotações forem certas, pode até facilitar a memorização. No entanto, a realidade é que as autoridades não têm resposta no que diz respeito a quando terminará cada ‘período’ e como terminará”, criticou a professora da Universidade de Macau. “No que toca a quais são as condições para a retoma à normalidade, quais são as premissas para a reabertura de fronteiras, todas as dúvidas parecem precisar de serem ‘estudadas dinamicamente e julgadas à luz da situação’, como se toda a população estivesse num jogo de experimentação, mas não existe um critério específico para se determinar o sucesso ou fracasso do ensaio, pelo que ninguém pode saber quando é que chega o fim da experimentação, só podemos esperar que a pessoa responsável tome uma decisão com base num ‘estudo dinâmico da situação’”, prosseguiu.
“Contudo, é evidente que cada linhagem e variante do coronavírus tem um período máximo de incubação, o qual tem servido como base nas políticas de isolamento ou confinamento adoptadas pela maioria do país ou região”, frisou Agnes Lam. Recorde-se que as autoridades conseguiram identificar que esta ronda de surto foi suscitada pela variante BA.5 da Ómicron e têm o conhecimento de que o período de incubação da doença foi estimado entre 3 e 7 dias, levando a académica a perguntar “porque é que as autoridades não podem fazer uma clara delimitação destas medidas?”.
Para Agnes Lam, é natural que o ambiente na comunidade deveria ter melhorado significativamente depois de a cidade ter alcançado os zero casos, porém, a prática “desmotivou” aqueles que se têm dedicado no cumprimento das medidas antiepidémicas impostas pelo Governo.
A académica lembrou que as autoridades do Pequim, que insistem na política de tolerância zero contra a Covid-19, anunciaram anteriormente a nona versão do plano de acção para a prevenção e controlo da Covid-19, que actualizou muitas medidas no sentido de combater a epidemia, com a orientação geral de reduzir o número de dias de isolamento profilático e especificar uma série de condições para o levantamento de restrições, tendo definindo que “nas capitais de província e cidades com uma população de 10 milhões ou mais é preciso apenas quatro rondas de testagem massiva de ácido nucleico numa situação ideal”.
“Já passaram mais de cinco semanas desde o início do surto e ainda hoje não sabemos se a cidade vai poder voltar à normalidade em caso de não se registar nenhum caso positivo na testagem em massa de ácido nucleico, nem sabemos quantas hipóteses de circunstâncias podemos prever caso infelizmente surja mais algum caso confirmado”, salientou a Agnes Lam, reiterando que “o sucesso de Macau na luta contra a Covid-19 depende sempre da iniciativa e cooperação do público, mas se a população não compreender os fundamentos da política, será difícil cooperar a longo prazo. Afinal, só não estagnaremos quando tivermos critérios claros para o fim das medidas”.
PONTO FINAL











