No relatório de Abril do World Economic Lookout, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa as previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Macau, para 3,6%, face aos 7,3% projectados nas últimas estimativas. A tendência de abrandamento verifica-se a nível global, estimando-se um crescimento da economia mundial em 2025 de apenas 2,8%.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu para metade as previsões para o crescimento de Macau para este ano, de acordo com um relatório publicado esta terça-feira – o primeiro dia das habituais reuniões de Primavera do FMI e do Banco Mundial – onde se alerta para um abrandamento do crescimento económico a nível global.
De acordo com os dados compilados na edição de Abril do World Economic Lookout (traduzível como Perspectivas Económicas Mundiais), a economia de Macau deverá baixar dos 7,3% projectados em Outubro do ano passado para apenas 3,6% em 2025. Recorde-se que, nesse mês, o crescimento da economia do território já tinha sido revisto em baixa de 9,6% para as previsões de 7,3% que fecharam o ano. Para 2026, o FMI antecipa um novo abrandamento do Produto Interno Bruto (PIB), fixando as suas estimativas de crescimento em 3,5%.
As últimas previsões do organismo contrastam com os resultados de 2024, ano em que a região registou uma taxa de crescimento económico na ordem dos 8,8%. O ano anterior de 2023 destacou-se por uma recuperação económica exponencial de cerca de 80%, devido ao fim da política “zero covid” e da reabertura ao turismo.
Os prognósticos do relatório do FMI são ainda mais conservadores para a região vizinha de Hong Kong, apontando para um crescimento económico de apenas 1,5% contra a previsão anterior de 3,2%, em Outubro. Uma ligeira recuperação deverá acontecer em 2026, com o PIB a subir para 1,9%. Por seu turno, as projecções de crescimento relativas à região de Taiwan decrescem de 2,9%, em 2025, para 2,5% em 2026.
CRESCIMENTO MUNDIAL REVISTO EM BAIXA
As tarifas impostas pela administração Trump a vários países e o actual contexto de tensão entre a China e os Estados Unidos da América – as duas maiores economias do mundo – impactaram as previsões que o FMI atribuiu a ambos os países, bem como as perspectivas económicas globais. A revisão do organismo sugere um crescimento económico global de 2,8% para este ano e de 3% para o próximo, o que representa uma descida cumulativa de oito pontos percentuais comparativamente às estimativas de Janeiro.
As previsões do FMI indicam que a economia chinesa deverá crescer 4% tanto em 2025 como em 2026, contra as expansões anteriormente previstas de 4,6% e 4,5%, respectivamente. A concretizarem-se, os números delineados pelo organismo ficarão aquém dos objectivos de Pequim em quatro pontos percentuais. Importa recordar que, nas “Duas Sessões” realizadas no passado mês de Março, a China voltou a colocar a meta de crescimento do PIB nos 5% pelo terceiro ano consecutivo.
A este propósito, o Macau Business alerta que o efeito das taxas aplicadas pelos Estados Unidos “ainda não se fez sentir” na totalidade e que o mês de Maio permitirá um maior esclarecimento “sobre a forma como a economia [chinesa] está a reagir” ao fenómeno. Para além das tarifas, a mesma revista aponta a “crise persistente no sector imobiliário” e o “fraco” consumo interno como outros factores de peso para a desaceleração da economia do país.
Quanto aos Estados Unidos, o FMI prevê um abrandamento significativo do PIB para 1,8%, inferior em nove pontos percentuais aos cálculos de Janeiro. Numa conferência de imprensa no âmbito da apresentação do relatório, o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, explicou que, destes nove pontos percentuais, “talvez” apenas quatro estejam relacionados com as tarifas.
“Temos visto sinais de enfraquecimento e abrandamento da economia dos Estados Unidos, mesmo antes de as tarifas terem sido anunciadas. (…) Já estávamos a ver os números do consumo a descer. Estamos a assistir a uma diminuição da confiança dos consumidores. Portanto, tudo isto já estava a ser tido em conta. Mas não temos uma recessão nas nossas previsões”, explicou o economista francês na conferência, cuja transcrição pode ser consultada na íntegra na página electrónica do FMI.
C.B.











