Proposto mecanismo de sanção para avarias do Metro Ligeiro

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

 

Ku Heng Cheong, vogal do Conselho Consultivo do Trânsito, propôs a introdução de um mecanismo de sanção para incidentes ou avarias no Metro Ligeiro, cobrando uma multa de um milhão de patacas para uma falha que dure mais de meia hora. O responsável lamenta a alta frequência de avarias no Metro Ligeiro, defendendo uma maior fiscalização aos serviços e transparência sobre os detalhes dos incidentes.

 

Uma nova falha no sistema eléctrico no Metro Ligeiro registada no passado domingo levou a mais queixas sobre a fiscalização ao seu funcionamento. Ku Heng Cheong, vogal do Conselho Consultivo do Trânsito, defende que seja estabelecido um mecanismo de sanção, com multas, para as avarias do Metro Ligeiro, à semelhança do que já existe na cidade vizinha de Hong Kong para o serviço ferroviário.

Ku Heng Cheong instou o Governo a estudar a introdução deste mecanismo, uma vez que o Metro Ligeiro é um serviço de transportes públicos e, cada vez que ocorre um incidente, irá afectar o público que viaja.

Em declarações ao Jornal do Cidadão, o porta-voz sugeriu que, tendo como referência o regulamento vigente do ‘MTR’ de Hong Kong, se a falha do Metro Ligeiro durar mais de 31 minutos, mas menos de uma hora, pode haver uma multa até um milhão de patacas. Além disso, se as multas acumularem até um determinado montante, pode mesmo ser sujeito a um “reembolso por desempenho de serviço”, como isenções ou cobrança de metade da tarifa aos passageiros.

“Embora as entidades de serviço de transportes públicos não devam depender do mecanismo de multas para fornecer melhores serviços, é necessário considerar um mecanismo sobre isto porque não existe actualmente um mecanismo de fiscalização eficaz”, destacou.

Em Hong Kong, uma avaria do metro que dure menos de uma hora pode resultar numa multa à empresa operadora de um milhão de dólares de Hong Kong, e dois milhões de dólares de Hong Kong para uma avaria que dure duas horas. Quando o valor multado acumulado atingir 25 milhões de dólares de Hong Kong, a operadora organizará um dia de tarifa especial ao sábado ou domingo para permitir que os passageiros viajem por metade do preço.

 

ATRASO EM INFORMAR O PÚBLICO

 

Ku Heng Cheong, além disso, criticou o mecanismo de notificação de incidentes do Metro Ligeiro pela sua “desactualização” e falha de informar atempadamente o público quando ocorrem avarias. “Apesar das muitas falhas ocorridas no Metro Ligeiro, o mecanismo de notificação está muito desactualizado e a informação continua a ser divulgada principalmente através dos meios de comunicação tradicionais de uma forma indirecta”, indicou.

O membro do Conselho Consultivo do Trânsito apontou que o Metro Ligeiro ainda não tem conta nas redes sociais e os turistas “desconhecem muitas vezes a suspensão do serviço”, o que tem um “impacto grave” nos seus planos de viagem.

Lembrando novamente o exemplo do metro em Hong Kong, que começou a utilizar as redes sociais em 2011, Ku Heng Cheong disse esperar que o Metro Ligeiro de Macau “acompanhe a evolução da sociedade e melhore a divulgação de informações e a transparência”.

Recorde-se que, no passado domingo de manhã, o serviço da Linha da Taipa do Metro Ligeiro entre a Estação da Barra e a Estação do Hospital das Ilhas ficou suspenso durante duas horas devido à falha do sistema de fornecimento de energia. No incidente, cerca de 30 pessoas ficaram retidas nas carruagens e pelo menos um passageiro, de 50 anos, sentiu-se mal com dificuldades respiratórias. A Sociedade do Metro Ligeiro de Macau pediu desculpa pelo incómodo causado aos passageiros e assegurou que irá inspeccionar o sistema e melhorar as disposições relativas à notificação de incidentes.

Neste caso, Ku Heng Cheong referiu ainda a existência de problemas de estabilidade do serviço do Metro Ligeiro por causa da ocorrência frequente de falhas. Na sua opinião, apesar de a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego ter notificado os incidentes de avaria, a conclusão e as acções de acompanhamento foram “muito superficiais”. “É inaceitável arquivar os registos dos incidentes depois de apenas dar conta da ausência de impacto no público e de a operadora tomar medidas de precaução”, disse. Em suma, Ku Heng Cheong realçou que o Governo tem a responsabilidade de fiscalizar o serviço do Metro Ligeiro e de impor mais mecanismos para melhorar o seu funcionamento.