Chan Kin Sun, investigador na área da Administração Pública, instou o Governo a proceder a uma revisão e organização sistemáticas de todas as políticas de natalidade, dado que as políticas relevantes são “fragmentadas”. “É difícil para o público perceber quais os subsídios que o Governo concede às crianças nas diferentes fases etárias”, justificou.
A questão foi levantada ontem no programa matutino Fórum Macau, no canal chinês da Rádio Macau, que abordou o tema das Linhas de Acção Governativa. Vários residentes ligaram para o programa a pedir ainda mais medidas de apoio nos cuidados de filhos além das medidas agora propostas pelo Governo, incluindo o novo subsídio de assistência na infância. Uma residente queixou-se da exclusão das crianças que tenham completado três anos nesta política e solicitou alargar o escopo de destinatários dessa medida para crianças até seis anos.
Chan Kin Sun considera que o subsídio de assistência na infância constitui uma inovação importante na política de natalidade local e reflecte um maior empenho do Governo em incentivar os residentes a ter filhos. Indicou, no entanto, que a respectiva política está fragmentada e a população pode não se sentir encorajada.
O também professor da Universidade de Macau (UM) referiu ainda que o conteúdo sobre a integração no desenvolvimento nacional e no desenvolvimento de Hengqin ocupa uma “proporção relativamente elevada” nas LAG, o que foi “raramente observado no passado”. Entende que o destaque sobre Hengqin nas políticas locais deve estar relacionado com a situação internacional que Macau enfrenta e com a necessidade da promoção da diversificação económica.
Por outro lado, no programa, alguns residentes mostraram-se preocupados com o facto de que o aumento do montante dos diversos subsídios pode conduzir a aumentos de preços. Kwan Fung, académico na Economia, alertou para a necessidade, por parte do Governo, de analisar em profundidade os efeitos das políticas no mercado.
Lembrou ainda que o mercado de trabalho em Macau está difícil neste momento, pelo que “os jovens devem adaptar-se às mudanças do mercado” em relação ao nível de salário e a tipos de emprego, de forma a sobreviver no mercado.
Relativamente ao plano do Governo para apoiar os jovens a trabalhar na Grande Baía, o académico disse não concordar com a possibilidade de Macau sofrer um declínio à medida que Hengqin se desenvolve. “A ideia do Governo é só aumentar as possibilidades de emprego dos jovens”, realçou.











