Restaurantes locais com perspectivas pessimistas em relação aos negócios deste ano, diz inquérito

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

 

Um inquérito revela que a maioria dos restaurantes sofreu uma quebra de negócio no ano passado e quase metade tem uma “perspectiva pessimista” para o volume de negócio deste ano. Um total de 400 restaurantes respondeu ao inquérito da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau e indicou que a facturação durante o período de jantar e ceia diminuiu em média 58% em relação ao ano anterior.

 

Catarina Chan

 

A União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau conduziu um inquérito a 400 restaurantes, dos quais 62% disseram que o seu volume de negócios total no ano passado foi ainda pior do que o do ano anterior. Apenas 7% dos restaurantes entrevistados revelaram ter registado um aumento e o negócio de 31% manteve-se igual.

O inquérito foi realizado entre Janeiro e Fevereiro deste ano. Entre os restaurantes que responderam ao inquérito, 79% situam-se nas zonas residenciais e 21% nas zonas turísticas.

De acordo com os resultados da sondagem, a quebra de negócio ocorreu nos estabelecimentos de restauração independentemente da sua localização geográfica. Para os restaurantes que operaram nas zonas frequentadas pelos visitantes, só 5% geriram mais lucros no ano passado face ao ano anterior, enquanto 9% dos restaurantes nos bairros residenciais tiveram uma melhoria no negócio em 2024.

“Mais de 50% referiram que o volume de negócios do período do jantar e da ceia foi reduzido numa média de 58% em termos anuais”, alertou a sondagem. “Mais de 90% dos comerciantes inquiridos indicaram que, no ano passado, o volume de negócios dos períodos de pequeno-almoço, do almoço e do lanche tinha diminuído ou apenas permanecido inalterado em comparação com 2023”, acrescentou a associação, actualmente liderada pelo empresário e deputado Chan Chak Mo.

Os resultados do inquérito mostram ainda que 61% do volume de negócio dos restaurantes locais continuaram a ser feitos por refeições dentro do estabelecimento e 39% foram ‘take-away’, sendo que um terço correspondeu a entregas ao domicílio através de plataformas de entrega de comida. A renda da loja (27%), o custo de importação de alimentação (27%) e o custo da mão de obra (25%) são as três principais despesas para o funcionamento das empresas inquiridas.

 

PERSPECTIVAS PESSIMISTAS

 

Em relação às perspectivas relativamente ao volume de negócios deste ano, os restaurantes inquiridos estão geralmente pessimistas: 32% dos entrevistados manifestaram “pessimismo” e 17% confessaram estar “bastante pessimistas”.

Os estabelecimentos de restauração nas zonas residenciais têm uma atitude mais pessimista em comparação com os nas zonas turísticas. Apenas 4% dos restaurantes nos bairros residenciais estão optimistas ao desempenho de negócio para o ano, enquanto a percentagem entre os restaurantes nas zonas turísticas foi de 11%.

Além disso, 43% dos inquiridos, nomeadamente entre os restaurantes das zonas residenciais, consideraram que a organização de eventos a grande escala ao longo do ano passado “não foi útil para o crescimento do seu volume de negócios”.

A maioria indicou que adoptaria medidas para melhorar a sua situação de operação, incluindo o lançamento de promoções como descontos e menus económicos (31%); lançamento de produtos inovadores para satisfazer a procura do mercado (23%); actividades promocionais online (15%), entre outros.

Nesse sentido, segundo o inquérito, os estabelecimentos esperam que neste ano sejam organizados, por parte do Governo, eventos promocionais com temas relacionados com gastronomia, actividades promocionais comunitárias e plano de subsídio à indústria, para impulsionar o negócio do sector da restauração.