Associação tentou organizar manifestação de 1 de Maio, mas acabou por desistir

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FOTOGRAFIA PEDRO ANDRÉ SANTOS

Pelo sexto ano consecutivo, não se vai realizar nenhuma manifestação por ocasião do Dia do Trabalhador. O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) indicou ao PONTO FINAL que recebeu um aviso prévio para a realização de uma manifestação no 1.º de Maio, mas o promotor acabou por desistir da ideia “por iniciativa própria”.

 

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) disse ao PONTO FINAL que recebeu um aviso prévio para a realização de uma manifestação por ocasião do 1.º de Maio, Dia do Trabalhador, porém, o promotor da iniciativa acabou por cancelar a intenção “por iniciativa própria”. O CPSP não adiantou mais detalhes sobre este pedido de realização da marcha nem revelou qual era a entidade que a estava a tentar realizar. Assim, pelo sexto ano consecutivo, a data não vai ser assinalada com uma manifestação que, até 2019, era habitual nesta altura.

A partir de 2020, as várias associações que anteriormente organizavam marchas de 1.º de Maio deixaram de o fazer, inicialmente devido à pandemia de Covid-19. No ano passado, o CPSP não recebeu nenhum pedido para a organização da marcha. Em 2023, Wong Wai Man apresentou o aviso prévio, mas acabou por desistir da iniciativa. Primeiro, Wong Wai Man alegou que tinha sido alvo de pressão das autoridades para não concretizar a iniciativa, mas depois negou a versão inicial e disse que tinha desistido para preservar a “estabilidade” do território.

A Federação das Associações dos Operários de Macau, a Associação dos Direitos dos Trabalhadores de Jogo e a Associação Poder do Povo, por exemplo, que tradicionalmente promoviam marchas pelos trabalhadores, também se desinteressaram da iniciativa nos últimos anos.

Em 2017, por exemplo, as marchas do Dia do Trabalhador levaram cerca de 2.600 pessoas à rua. Segundo foi noticiado na altura, em 2006 e 2007, o número de manifestantes terá ultrapassado os 3.000.

A propósito do fim das manifestações de 1 de Maio em Macau, o secretário para a Segurança afirmou, em 2023, que este não é um sinal de enfraquecimento do vigor das liberdades no território. Aliás, Wong Sio Chak disse que as próprias marchas não são um requisito obrigatório para assinalar o Dia do Trabalhador.

Recorde-se que, segundo a lei que regula o direito de reunião e de manifestação em lugares públicos, as pessoas ou entidades que pretendam realizar reuniões ou manifestações com utilização da via pública, de lugares públicos ou abertos ao público devem avisar, por escrito, o comandante do CPSP, com a antecedência mínima de três dias úteis e a máxima de 15. Quando as reuniões ou manifestações tenham carácter político ou laboral, a antecedência mínima prevista no número anterior é reduzida para dois dias úteis.