A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude vai lançar orientações sobre o uso de telemóveis por parte dos alunos do ensino secundário dentro das escolas. Segundo entende o organismo, a utilização de telemóveis e de dispositivos electrónicos durante as aulas e os intervalos deve ser limitada.
A partir do próximo ano lectivo, as escolas de ensino secundário em Macau vão ter orientações para regular a utilização de telemóveis dos alunos no campus, emitidas pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). As orientações, que abrangerão ainda o uso de outros dispositivos electrónicos, vão especificar as ocasiões e os períodos de tempo em que os estudantes podem utilizar estes aparelhos.
“A utilização de telemóveis e de dispositivos electrónicos pelos alunos deve ser limitada durante as aulas e os intervalos, excepto em actividades educativas específicas sob a orientação de professores ou em outras circunstâncias especiais, como de contactos de emergência”, apontou Leong I On, chefe da Divisão de Ensino Secundário da DSEDJ, em declarações proferidas ontem ao programa Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.
A DSEDJ pretende, assim, emitir às escolas orientações para a gestão de utilização de telemóveis entre os jovens, de modo que “os alunos aprendam a sua utilização em determinadas alturas e locais”.
Segundo Leong I On, as autoridades disponibilizam também medidas de assistência às escolas na implementação das orientações, incluindo apoio às escolas na aquisição de equipamento de gestão centralizada de telemóveis para a colocação dos aparelhos, por exemplo, em móveis.
O responsável entende que a utilização de dispositivos electrónicos no campus é comum, com os estudantes a utilizarem-nos para pesquisar informações e fazer trabalhos de grupo, esperando, contudo, melhorar a literacia dos jovens em relação à Internet.
“A ciberalfabetização envolve a capacidade de utilizar a Internet e os valores. Especialmente com o desenvolvimento da inteligência artificial, acredita-se que as actividades dos jovens na Internet serão cada vez mais frequentes e farão parte das suas vidas, mas devem utilizar correctamente a Internet”, destacou.
Por sua vez, Cheang Sek Kit, chefe da Divisão de Desenvolvimento Curricular e Avaliação da DSEDJ, recordou os dados de um relatório internacional para indicar que a utilização de produtos informáticos pelos alunos durante uma a duas horas é adequada e satisfaz as suas necessidades.
Neste âmbito, a DSEDJ tinha anteriormente fornecido às escolas orientações sobre a utilização de equipamento informático e orientações sobre o ensino e a aprendizagem da Internet, servindo como referência durante o trabalho pedagógico. “Permite que os alunos utilizem a Internet de forma adequada durante uma média de uma hora por dia e fazer uma pausa após a utilização de produtos electrónicos durante 20 minutos”, explicou. Cheang Sek Kit acrescentou que as investigações internacionais também mostram que a utilização de produtos de informação pelos alunos num espaço de tempo adequado contribui para melhorar o seu desempenho em matemática e pensamento criativo.
O Executivo sublinhou que a formação de professores em matéria de literacia da Internet tinha sido incluída nos programas de desenvolvimento de docentes e, além disso, a DSEDJ está a trabalhar com diferentes departamentos para lançar trabalho de sensibilização, na esperança de educar os jovens para uma “utilização segura e saudável” da Internet.
A Associação de serviço comunitário Sheng Kung Hui, que esteve também no programa de rádio, alertou para o impacto emocional nos jovens com o aumento do uso de Internet. A organização realizou um inquérito sobre a literacia na Internet em 2022 e descobriu que quanto mais tempo os jovens passavam na Internet, pior era o seu estado mental.
“Prestavam sempre atenção às suas próprias mensagens nas redes sociais, o que afectava facilmente as suas emoções e provocava ansiedade”, afirmou. A associação chamou também a atenção para a tendência crescente para a dependência da Internet numa idade mais jovem, tendo recebido casos mais jovens de procura de ajuda que envolviam crianças com idade compreendida entre 6 e 8 anos.











