Três mulheres, três histórias de resiliência e luta por igualdade

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

 

No Dia Internacional da Mulher, o PONTO FINAL dá voz a três mulheres com diferentes experiências de vida: uma empregada doméstica, uma sobrevivente de violência doméstica e uma mulher lésbica numa sociedade que escolhe ignorar a homossexualidade. Em 2025, as mulheres de Macau continuam a lutar pelo direito a existir com dignidade e respeito numa região ainda marcada pela coexistência, nem sempre pacífica, entre tradição e modernidade.

 

Os discursos do Dia da Mulher, celebrado a 8 de Março, foram esmagadoramente positivos. Várias instituições, desde o Instituto de Acção Social (IAS) à Associação Geral das Mulheres de Macau, enalteceram o progresso na luta pelos direitos da mulher desde que Macau regressou à Pátria, em 1999. Actualmente, a lei preconiza direitos iguais para mulheres e homens nos mais variados parâmetros, desde cuidados médicos a educação, e parece tornar obsoleta a luta feminista numa região que, em papel, assegura a igualdade entre sexos.

As lacunas deste cenário idílico revelam-se sob uma observação mais atenta. A rede de cuidados de saúde é gratuita para as grávidas e parturientes de Macau; não para as empregadas domésticas não-residentes, eternamente “estrangeiras” numa região onde trabalham e contribuem há décadas. O divórcio é legal na RAEM, mas as raízes geracionais do silêncio feminino e da submissão ao marido sobrevivem até aos dias de hoje e instigam muitas mulheres a permanecer em relações e casamentos abusivos. A homossexualidade, ainda que descriminalizada, continua a ser motivo de discriminação e vista como uma “anormalidade” face ao padrão.

 

O PONTO FINAL apresenta três relatos de mulheres que, apesar dos obstáculos e das diferentes formas de discriminação, mantêm a sua maior fonte de poder: a voz.

 

“O TRABALHO MAIS DIFÍCIL COM O SALÁRIO MAIS BAIXO”

 

Em 2024, existiam 15.052 famílias com empregados domésticos em Macau. Apesar de os dados da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) não especificarem o sexo dos trabalhadores, a profissão tem um rosto vincadamente feminino. São profissionais de limpeza, cozinheiras, cuidadoras, mães, professoras: acumulam todas as funções tradicionalmente esperadas da mulher, num trabalho que se prolonga pelas 24 horas do relógio. Como remuneração, recebem um salário estipulado pela família empregadora e um único dia de folga por semana.

“No meu caso, já ultrapassei a parte mais difícil”, admite Nedie Taberdo, presidente da associação Greens Philippines Migrant Workers. De sorriso fácil, vai enumerando os motivos pelos quais se considera, talvez, um pouco mais afortunada do que o panorama geral. Trabalha para a mesma família há mais de 21 anos, desde que chegou a Macau, e a criança de dez dias que ajudou a criar é agora um jovem adulto. Tem mais tempo para si; já não precisa de ficar alerta até nas horas de sono, caso aconteça alguma emergência e a família venha acordá-la. Os domingos são inteiramente seus, dedicados aos projectos que ama.

Não é o caso da maioria das suas colegas de profissão, sobretudo as oriundas da Indonésia (geralmente menos qualificadas e, portanto, “mais exploradas” do que as filipinas). Nedie diz-se “sortuda”, também, por receber “o dobro” dos salários de outras companheiras: “recebem 3.500 patacas, 4.000 patacas, dependendo do valor do mercado”, conta, num sussurro, pesando as palavras. “É por isso que continuamos a insistir para que o Governo nos garanta o salário mínimo”, actualmente situado nas 7.072 patacas, “mas até agora ainda não fomos ouvidas”.

A comunidade filipina é “muito coesa, muito unida”, como é fácil confirmar com um passeio pelas ruas de Macau ao domingo. Reúnem-se semanalmente para fazer desporto, jogar, ouvir música, conversar. Ainda assim, é inegável a fissura económica entre homens e mulheres. Os homens estão maioritariamente concentrados em hotéis e casinos, protegidos pela garantia de salário mínimo. As mulheres, grande parte delas domésticas, sobrevivem com o que podem. Quando se fala em sobrevivência, tal deve ser interpretado no sentido literal – a grande ameaça às mulheres filipinas é mesmo a inacessibilidade a cuidados de saúde, como sublinha Nedie.

“Basta ver a situação dos últimos meses, em que disponibilizaram vacinação gratuita para os residentes. Para os trabalhadores não residentes, temos de pagar tudo com o nosso próprio dinheiro. Quem consegue pagar três doses?”, questiona, abanando a cabeça em jeito de resposta à própria pergunta. Mas a gripe e as épocas de vacinação são sazonais, ao contrário dos cuidados de saúde especificamente femininos. “Antes, pediam apenas uma taxa mínima para o parto no Conde de São Januário. Nos últimos anos, o aumento foi tão elevado…” Em 2018, as empregadas domésticas passaram a pagar 2.925 por um parto natural e 5.850 por cesarianas, valores que muitas vezes superam os seus salários e adiando, indefinidamente, a possibilidade de serem mães. Mães biológicas, não somente cuidadoras.

“Se ficarmos doentes, pagamos todas as consultas e medicamentos. Se ocorrer um acidente fora do local de trabalho, não somos compensadas. E, claro, as condições de trabalho…” Nedie reitera que a sua situação é positiva, agora que o filho dos patrões se independentizou; preocupa-se com as outras trabalhadoras que desabafam, nos convívios domingais, sobre horas de trabalho abusivas (“por vezes, mais de 16 horas por dia, mesmo aquelas que têm casa própria”) e violência psicológica.

“Há patrões que estão constantemente a implicar, sempre zangados. A empregada já está habituada e sabe que tem de ouvir e calar-se, porque precisa do emprego e as oportunidades escasseiam. Se se demitir, o que pode fazer a seguir? Se não tiver concluído o período provisório de seis meses, os serviços de migração passam um visto de dois ou três dias e não há outra opção senão regressar ao país de origem e esperar mais seis meses para regressar”, explica Nedie. Face a estas condições, “as empregadas sabem que têm de ficar em silêncio e aguentar as dificuldades, em vez de denunciar e abandonar o emprego”

E abuso físico, também existe? Os casos são bem mais raros, confessa, baixando depois a voz em hesitação: “Algumas raparigas foram sexualmente abusadas. Num dos casos, o patrão tirou uma foto enquanto a rapariga tomava banho. Ela apresentou queixa, mas a polícia só o multou por ‘fotografia ilegal’ e não por assédio sexual. Mas esses são casos mais raros. O abuso verbal é que é mais difícil de ser erradicado, está demasiado enraizado”.

Enraizado na sociedade de Macau, também, embora em menor medida. Não são raras as instâncias em que caminha na rua ou apanha o autocarro com um grupo de filipinos e ouve comentários exasperados, sobretudo das gerações mais velhas. “Filipinos, tão barulhentos, tão irritantes, sempre a causar problemas”, relata, com um sorriso enviesado. “Não sabem que falo cantonês e que consigo percebê-los”.

Ao longo da entrevista, Nedie vai mostrando no telemóvel os projectos com os quais se ocupa: a iniciativa “World Cleanup Day”; o programa de empreendedorismo social do Consulado das Filipinas que acabou de concluir; um workshop de arte que vai começar daqui a duas semanas. Entretém-se numa região a que nunca poderá chamar de casa, mesmo ao fim de duas décadas. “Como trabalho a contrato, nunca poderei ser residente”, lamenta. É perpetuamente estrangeira, dedicando a vida “ao trabalho mais difícil com a remuneração mais baixa”. É um peso que, admite, os homens nunca conhecerão. “Se os homens filipinos forem casados, têm alguém que cuide das suas necessidades, da comida, da casa. As mulheres não. Depois de trabalharmos para o nosso patrão, ainda temos de cozinhar e tomar conta de nós”.

 

“QUEBRAR O PADRÃO” DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

 

Carina Ribeiro vive em Macau desde os 16 anos. Aos 18, legalmente adulta mas ainda “inocente”, como repete várias vezes ao longo da entrevista, iniciou uma relação com um rapaz português. Não havia sinais de alarme, no início: “era um querido, um amor”, até ao dia em que o primeiro acto de violência aconteceu.

“Reparei que um rapazito qualquer olhou para mim na rua. Nem sequer vi bem a cara, só que alguém tinha olhado para mim. De repente, o meu namorado bateu-me”. Foi um gesto imprevisível, rápido – e, de repente, tudo se transformara: numa questão de segundos, a figura do namorado, de um metro e noventa, passou a ter um potencial ameaçador. Mas não o suficiente para terminar a relação.

“As mulheres são assim. Apesar de serem vítimas, sentem-se culpadas e têm empatia pelo agressor. Querem entender o porquê de ele lhe bater; querem tentar curá-lo; querem ter o ‘felizes para sempre’”. Carina vai acendendo, fumando e extinguindo cigarros ao longo da conversa, regressando algo hesitante a tempos já idos e encerrados na sua memória. É agora casada com quatro filhos – desse capítulo da sua vida, só restaram os ensinamentos que agora partilha com os seus clientes em terapias individuais ou de casal. É “healer”, termo que prefere para denominar o seu trabalho, mas aprendeu desde cedo que a auto-preservação é mais importante do que a empatia desmedida.

Foram precisos oito meses para que colocasse um termo na relação – oito meses pautados por mais violência verbal e física. “Tentei curá-lo. Consegui até entrar dentro do trauma de infância e perceber o porquê de ele se sentir assim: o pai batia na mãe. Automaticamente, sem ele próprio dar conta, como se estivesse hipnotizado, sacou de uma faca e veio contra mim”. Carina tomou, então, uma decisão que mudou totalmente o rumo da sua vida. Não retrocedeu nem quando o parceiro tentou colocar termo à própria vida, alegando não conseguir superar o desgosto. “Tive de me aperceber que não, não podia mudá-lo. Pensei: ‘se eu continuar, quem vai acabar morta sou eu’. A partir do momento em que a mulher aceita isso, dá um passo atrás e percebe que, ao tentar salvar um relacionamento, está a esquecer-se dela própria”.

Não foi uma decisão fácil, repete: “Estive prestes a reatar, porque não conseguia aguentar o sofrimento dele”. Neste dilema amoroso, acabou por escolher-se a si própria. Só voltou a ter notícias do ex-companheiro anos mais tarde, quando soube que tinha sido diagnosticado com esquizofrenia depois de agredir a noiva com quem estava prestes a casar. Uma noiva que, se Carina tivesse tomado outra decisão, poderia ter tido o seu rosto. “Nunca mais saiu do hospital, desde então”.

Como “healer”, a portuguesa de 47 anos foca-se agora em transmitir os seus conhecimentos aos outros – ou às outras, no que respeita à violência num contexto íntimo. A violência doméstica pode ocorrer em múltiplos contextos, mas os padrões ao redor do mundo não deixam margem para dúvidas: é um flagelo vincadamente feminino, a começar pela “dominância física” do homem face à mulher. Nem tudo é biológico, porém. De um modo geral, a mulher é ensinada desde criança a ser submissa, empática e a priorizar os sentimentos dos outros em relação aos seus – enfim, a ser “uma eterna romântica”.

Não significa isto que a violência doméstica seja uma sentença, alerta Carina. “Tudo pode parar a partir do momento em que a mulher decida quebrar o padrão. Se uma mulher sofre de violência doméstica e se impõe perante o homem, pega no telefone e chama a polícia, a criança não vê a mãe como um ser fraco. Vê a mãe como alguém que teve a força de dizer ‘basta’ e tirou ambos da situação de perigo. Quando alguém diz que se mantém no casamento por causa dos filhos, está a ensinar os filhos que é este o papel da mulher. E, quando crescer, o filho vai fazer o mesmo à parceira porque o pai fazia, a mãe consentia, e vai carregar em si não só a raiva que sente pela mulher, mas a raiva que sente pelos pais”.

Dos quatro filhos, três são meninas. O único rapaz, Carina garante que o educa para ser um “gentleman”; quanto às raparigas, já começou a alertá-las sobre aquilo que considera ser “um padrão comum a todos” os agressores. Primeiro, os elogios incessantes (“estás tão bonita”, “és uma deusa”) que, lentamente, vão passando a tentativas de controlo e coerção (“era mesmo preciso teres usado esse vestido?”, “não tenho direito a opinião?”). As “pequenas violências” que a mulher tende a menorizar, como a tentativa de a manter insegura e vulnerável (“és burra, estúpida, inferior”). A ponte entre um início de namoro assolapado e uma relação abusiva é uma travessia curta que exige atenção a detalhes que a mulher muitas vezes ignora – ou escolhe ignorar, em prol da relação.

De acordo com informações estatísticas divulgada pelo Gabinete do Secretário para a Segurança, em 2024 foram registados 133 casos de violência doméstica, mais cinco do que no ano anterior. Deste número, após investigação, até ao dia 4 de Fevereiro de 2025 só 12 tinham sido classificados como crimes de violência doméstica, sendo que a maioria recebeu a categorização de “crimes de ofensas à integridade física”. Como portuguesa residente em Macau há mais de três décadas, Carina Ribeiro considera-se familiarizada tanto com o pensamento português como com o chinês. As estatísticas não a surpreendem: “o Governo de Macau tenta sempre que tudo seja muito bonito”, diz, acendendo mais um cigarro.

No entanto, reconhece diferenças inegáveis quanto à abordagem das duas culturas no que respeita a relações amorosas. Enquanto Portugal define a violência doméstica como crime público, em Macau os cidadãos optam pelo sigilo: “são educados para manterem os seus problemas entre quatro paredes; não os denunciarem”. Carina acredita que esta situação não se traduz num cenário necessariamente pior para as mulheres da RAEM: apesar de os homens defenderem padrões de género mais tradicionais do que Portugal, também acreditam em relações duradouras e mostram-se mais atenciosos com as particularidades da mulher. Protegem-na; valorizam-na enquanto mãe; preparam chás e oferecem medicação durante a menstruação.

Sobretudo, aprendem com os seus erros. “Quando uma mulher apresenta queixa na polícia e depois a retira, o homem de Portugal vê-o como um sinal de fraqueza. O homem de Macau não. Acaba por tentar melhorar, comunicar e não repetir os erros que cometeu”. Seja qual for o desfecho, uma separação irreconciliável ou uma segunda tentativa, a forma de lidar com a violência doméstica passa sempre pela mesma acção: a denúncia.

 

AS LÉSBICAS SÃO MULHERES “IGUAIS ÀS OUTRAS”

 

Cathy Law (nome fictício) soube que era lésbica quando tinha nove anos. Enquanto as colegas de escola segredavam sobre rapazes e desenhavam enormes corações com o nome das paixonetas masculinas nos cadernos, Cathy olhava para a melhor amiga com um misto de amizade e admiração que não sabia bem definir. Soube mais tarde, através da internet, que não era a única e que existia um nome para mulheres que pensavam e sentiam como ela.

Quando cresceu e lhe passou a ser incumbida a função de escolher a própria roupa, optava por peças “confortáveis” mais associadas ao masculino, como calças de fato de treino ou as mesmas sapatilhas desgastadas. Não queria roupas “apertadas e restritivas” como as saias que as amigas usavam e que as impossibilitavam de brincar como faziam no ensino primário, subindo às árvores ou fazendo o pino. “Já tenho um filho rapaz, não preciso de dois”, suspirou a mãe, quando a filha chegou a casa aos 17 anos com um corte de cabelo igual ao do irmão. Mas Cathy realça que nunca foi sua intenção assemelhar-se a um homem: “sou uma mulher, com muito gosto. Simplesmente não me identifico com as roupas e os comportamentos tradicionalmente associados ao feminino. Posso não ser feminina, mas isso não muda o facto de ser mulher. Mulher lésbica”.

Di-lo com orgulho aos 42 anos, depois de uma adolescência e juventude em que a palavra parecia não deslizar fluentemente na língua. Teve um namoro fugaz com um colega de turma no início da adolescência, quando ainda acreditava que os seus sentimentos eram uma “fase” que logo daria lugar à “forma de vida correcta, igual à dos outros”. Os beijos constrangedores e as idas ao cinema não resultaram. Assumiu-o para si mesma com 15 anos e perante a família aos 21, quando teve a primeira relação séria. “Acredito que os meus pais sempre soubessem, mas preferiram manter-se em negação”, afirma.

Confrontados com a realidade, tiveram uma reacção “bem melhor” do que os pais de algumas amigas lésbicas, que se viram desalojadas ou que nunca mais falaram com pais, desde então. “O meu pai disse que não compreendia, mas que me respeitava o suficiente para me deixar viver a minha vida. Tive mais medo da reacção da minha mãe. Escrevi-lhe uma carta e deixei-a na mesa de cabeceira, para que lesse mal acordasse. Lembro-me de estar no sofá a tentar distrair-me com a televisão, a tremer incontrolavelmente, receosa do que diria quando abrisse a porta do quarto. Por volta das oito da manhã, sai finalmente, encolhe os ombros e diz: ‘Bom, podia ser pior. Pelo menos não tens cancro, não é?’”, conta, entre gargalhadas.

Cathy sente que a luta das mulheres lésbicas é desvalorizada até mesmo dentro da comunidade gay. A discriminação contra homens homossexuais costuma ocupar maior destaque, algo que Cathy até consegue compreender: “um homem que se comporte de forma feminina é mais vergonhoso do que uma mulher masculina, aos olhos da sociedade, porque o feminino está abaixo na hierarquia”. Mas o preconceito de que as mulheres lésbicas são vítimas deve ser levado mais a sério, especialmente aquelas que se apresentam de forma discordante do que se espera das mulheres chinesas. “A mulher chinesa deve ser maquilhada, elegante, graciosa, submissa, fiel ao marido. Eu não sou nenhuma destas coisas, e a sociedade chinesa em Macau faz questão de me apontar o dedo e dizer que sou uma mulher ‘errada’, como se tal coisa existisse”.

Aos comentários depreciativos que vai ouvindo na rua, junta-se a sexualização a que é sujeita quando está com a parceira em público. “Homens abordam-nos e perguntam-nos como é que duas mulheres conseguem relacionar-se intimamente. Perguntam-nos se precisamos de um terceiro elemento, tiram-nos fotos sem autorização…”.

Macau é bastante mais “progressista” do que outras regiões da Ásia, especialmente em comparação com zonas rurais onde a tradição impera. Ainda assim, os únicos momentos de “absoluta normalidade” acontecem quando põe a máscara e passeia com a companheira de mãos dadas – com metade do rosto coberto, aos olhos da sociedade de Macau são apenas mais um casal heterossexual. “É curioso que me tratem de forma diferente por algo que apenas me diz respeito a mim. Amo mulheres e prefiro roupas confortáveis. A quem é que isto afecta? Não continuo a ser uma cidadã? Não continuo a ser mulher, uma mulher igual às outras?”.

 

C.B.