Edição do dia

Segunda-feira, 17 de Junho, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nuvens dispersas
27.9 ° C
29.9 °
27.9 °
94 %
4.6kmh
40 %
Dom
28 °
Seg
30 °
Ter
30 °
Qua
30 °
Qui
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioSociedade“É muito entusiasmante representar Macau numa plataforma internacional”  

      “É muito entusiasmante representar Macau numa plataforma internacional”  

      Suzanne Watkinson, fundadora da imobiliária de eleição dos expatriados em Macau, recebeu um prémio de melhor empresa de consultadoria da Ásia-Pacífico. A directora da Ambiente Properties conta-nos o que mudou no contexto pós-pandemia, relembrando paixões antigas por renovações “vintage”, mas com um olhar clínico sobre a saúde do mercado imobiliário que, de acordo com a empresária, se afigura cada vez mais local, e com cada vez menos expatriados a planearem estabelecer residência a longo prazo

      A directora e fundadora da imobiliária local Ambiente Properties foi premiada com cinco estrelas na categoria de Melhor Agência de Consultadoria Imobiliária pelos serviços prestados pela sua empresa. De regresso de Banguecoque, Tailândia, Suzanne Watkinson esteve à conversa com o PONTO FINAL, depois de ter participado no “International Property Awards for Asia Pacific”, um certame anual onde estiveram presentes cerca de mil empresas e grupos imobiliários com actividade no mercado da Ásia-Pacífico.

      “Estou absolutamente encantada em ter recebido este prémio, eles têm um sistema de pontuação e acho que conseguimos cerca de 80%, por isso ficámos muito felizes de ter recebido cinco estrelas; é algo que não acontece muitas vezes”. A Ambiente Properties “já tinha recebido três prémios no mesmo evento” mas, este ano, esclareceu, o prémio foi especificamente relativo aos serviços de consultadoria. “Os anos durante o decurso da Covid foram muito desafiantes. Os primeiros dois anos não foram muito maus, mas no terceiro vimos um êxodo em massa de muita da nossa clientela de expatriados, em que se incluem os portugueses”, um fenómeno que, de acordo com Watkinson, continua a se verificar, embora não com tanta intensidade como a que se verificou em 2021. “Fizemos uma transição entre sermos uma empresa ‘clássica’ de agência de propriedade imobiliária, que faz arrendamentos ou vendas, e passámos a ser mais uma empresa de consultadoria. Estamos muito confortáveis com esta mudança”, sublinhou. Organizar dados e apresentar estudos sobre o mercado do arrendamento de casas domiciliárias, ou sobre sectores específicos como o arrendamento de lojas ou espaços para escritórios são, segundo Suzanne Watkinson, os atributos que a sua empresa foi desenvolvendo com gosto. Estas capacidades de avaliação e levantamento de estudos sobre o mercado imobiliário são, de resto, algo que a Ambiente Properties já fazia há 8 ou 9 anos como representante local da maior empresa de imobiliária do mundo, a CBRE de Hong Kong e Macau, providenciando serviços para os clientes deste grupo.

      Uma mudança recente no mercado imobiliário de Macau é um acréscimo no interesse em vender propriedades pela parte dos clientes expatriados. “Pessoas que compraram em 2003, 2004 e 2005 agora querem vender”. No entanto, no todo, o mercado “claramente está mais local”, e é por isso que agora a Ambiente Properties “tem pessoal que fala chinês para poder corresponder à procura de casas residenciais e lojas”. Quando questionada sobre a revitalização do arrendamento de espaços comerciais, a directora imobiliária confirmou que tem assistido a uma procura cada vez maior de espaços, e que é flagrante a diferença de valores. “Claro, uma loja no local A vai ter um valor diferente de uma loja no local B, mas a diferença é abismal. Às vezes é uma diferença de quase 240 dólares, para literalmente a uma rua de distância, de 23 dólares. É uma loucura!”, exclamou.

      Suzanne Watkinson vê com bons olhos este aumento de dinamismo dos espaços de restauração à volta de zonas como a Taipa velha ou o centro de Macau, e diz que, em comparação, os espaços de escritórios “continua de pé firme”, com o preço por metro quadrado sempre “constante e inalterado”. Já não se pode dizer o mesmo sobre a realidade das casas que os expatriados normalmente escolhem alugar em Macau. À excepção da zona dos Ocean Garden, que continua a apresentar os mesmos preços, em que “um T3 mobilado ou simples custa cerca de 18 a 22 mil patacas,  “as propriedades maiores sofreram um decréscimo de “provavelmente 20%” e isto deve-se, em grande medida, na perspectiva da directora da Ambiente Properties, ao facto de tantas famílias de expatriados terem saído de Macau. Haverá alguma possibilidade de retorno deste tipo de clientes a Macau? Sim, mas “gradual e lentamente, e talvez mais a curto prazo, em que estes vêm por cerca de um ano ou seis meses fazer consultadoria, e depois partem”, equacionou.

      Quanto ao evento em Banguecoque que juntou profissionais das áreas de arquitectura, design de interiores, imobiliárias e empresas de construção, Suzanne Watkinson adicionou que para além de premiada, também participou como oradora num painel, e que foi “muito entusiasmante representar Macau numa plataforma internacional, porque não há muita gente que sequer saiba muito sobre Macau” e que “dá prazer colocar Macau no mapa”, confidenciou.

      A Ambiente Properties é conhecida em Macau pelas remodelações em prédios antigos, em que se combina mobília “vintage” chinesa com acabamentos modernos, como o chão polido em cimento bruto. A valorização de certos pormenores decorativos como azulejos ou estruturas de ferro antigo são algumas escolhas que fazem do trabalho de Suzanne Watkinson uma espécie de carta-postal do Macau antigo, mas este não foi o seu tema de palestra. “Essa é a minha grande paixão!”, exclamou. “Voltar a dar vida aos walk-ups antigos de cinco andares que normalmente ninguém vê” é algo que, confessou, infelizmente já não pode fazer com tanta frequência como fazia devido a uma mudança na lei imobiliária de 2018, esclareceu. Segundo a própria, o Governo criou uma medida em 2018 para refrear a compra de muitas propriedades pelo mesmo comprador em que a segunda propriedade é taxada a 5%, e a terceira a 10%. “Refiro-me a isto especificadamente para explicar que é uma pena, porque eu adoraria poder continuar a comprar e renovar, comprar e renovar estes sítios antigos, mas com a taxa já não é possível. É triste!”. desabafou. “Tenho a capacidade, a paixão e há de facto tantos edifícios antigos que precisam de ajuda”, mas, rematou, esta é apenas “uma paixão”, e não a principal ocupação da sua empresa de imobiliária.

      Rita Gonçalves

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau