A Associação Económica de Macau antevê o PIB de Macau para este ano a registar um crescimento anual de 5%, atingindo 437,8 mil milhões de patacas, o que implica um “desenvolvimento económico estável”. Nas suas previsões económicas, a instituição diz que o turismo continua a beneficiar das políticas do Governo, mas alertou para a falta de dinâmica nos sectores de restauração e de retalho, bem como a falta de confiança de investidores.
A Associação Económica de Macau manteve inalteradas as perspectivas de crescimento económico da região para este ano, destacando o impulso da indústria de turismo. Nas suas previsões económicas publicadas mensalmente, a Associação prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) de Macau possa crescer 5% este ano, ou seja, cifrar-se em 437,8 mil milhões de patacas, equivalente a uma recuperação para 90,8% do mesmo período em 2019.
Segundo a análise, a nova política de visto para residentes de Zhuhai na visita a Macau, lançada no início deste mês, contribuirá para um “crescimento estável” da economia local e ajudará a activar o comércio dos sectores de retalho, de restauração e outras indústrias turísticas em Macau, além de atrair mais turistas do interior da China e investidores das indústrias conexas.
O relatório da Associação Económica de Macau foi divulgado na terça-feira, no qual o economista Joey Lao fez também uma retroperspectiva do ambiente económico dos últimos dois meses, que se situou no nível “estável”, indicando que a estabilidade deve permanecer ainda no primeiro trimestre deste ano.
“Impulsionada pela indústria integrada do turismo e do lazer, a economia de Macau continuou a injectar vitalidade e dinamismo”, descreveu o também antigo deputado, referindo que as importações de bens, as chegadas de visitantes e a taxa de ocupação hoteleira registaram um “desempenho e recuperação prometedores”.
Joey Lao alertou, no entanto, para pressões inflacionistas perante “a abundância de liquidez” dos fundos para actividades económicas. Além disso, mostrou-se preocupado com a procura interna, sendo que os índices de confiança da restauração e do comércio a retalho encontram-se com “falta de dinâmica clara de crescimento”. Já os preços das acções das seis concessionárias e o índice de confiança dos consumidores chineses, segundo o economista, permaneceram num nível “baixo” durante um longo período, o que reflecte a falta de confiança dos investidores e dos consumidores no mercado e que existem mais incertezas e pressões económicas no ambiente externo.
QUESTÃO DE TAXAS DE JUROS
Neste âmbito, o factor de eventuais reduções das taxas de juro nos mercados externos também deixa incertezas na macroeconomia. A análise da Associação Económica disse que o ritmo de baixar as taxas de juro é “difícil de prever” devido à situação geopolítica mundial, ao aumento de taxas aduaneiras após a tomada de posse de Donald Trump, à variação dos preços da energia e a instabilidade dos mercados financeiros.
“Após a divulgação dos últimos dados sobre o emprego nos EUA, Wall Street reduziu as suas previsões de redução das taxas de juro, e alguns dos principais bancos alertaram mesmo para o risco de um abrandamento da redução, ou até de uma subida das taxas”, advertiu.
Joey Lao realçou, contudo, que a China vai implementar este ano uma política orçamental “mais pró-activa” e uma política monetária “adequadamente flexível”, com as quais o mercado espera pela diminuição das taxas de juro face às incertezas externas e estabilização do crescimento económico. Nesse sentido, o economista garantiu que terá um “efeito positivo” no desenvolvimento da economia de Macau.











