Preservar o passado, moldar o futuro: Hoje é o último dia Fórum Cultural da Área da Grande Baía

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O Fórum do Património Cultural da Área da Grande Baía centra-se na preservação do património cultural para o desenvolvimento sustentável, como é o caso do Património Mundial da UNESCO em Macau. As várias discussões realizadas no fórum ao longo dos dois dias de evento visam revitalizar a cultura e promover a colaboração, ao sublinhar a necessidade de políticas mais fortes e da partilha de conhecimentos.

 

O património cultural desempenha um papel fundamental na manutenção da continuidade e da identidade das sociedades. Este é o tema que está a ser explorado no Fórum do Património Cultural da Área da Grande Baía. O evento reúne líderes, académicos e especialistas de diferentes áreas para participar em debates relacionados com a importância de preservar as posses culturais, não só pelo seu valor histórico, como também pelo seu potencial para contribuir para o desenvolvimento do futuro nas regiões em questão.

Entre os oradores estão Liang Huimin, directora do Instituto Cultural, que tem apoiado a promoção das indústrias culturais e a preservação do legado artístico e histórico de Macau, e Cai Jianlong, director adjunto do Instituto Cultural, que tem defendido a importância da implementação de políticas de salvaguarda e restauro do património cultural de Macau. Maria José de Freitas, arquitecta portuguesa dirigente do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e especialista em património arquitectónico, traz também para a conversa os seus conhecimentos académicos e a sua experiência prática, relacionada com a relevância dos projectos de renovação e revitalização na preservação dos marcos culturais.

A data do fórum coincide com o 75.º aniversário da República Popular da China e o 25.º aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau. Esta convergência proporcionou um pano de fundo único para o fórum, que tem servido como uma plataforma para a partilha de conhecimentos, experiências e melhores práticas na preservação do património cultural.

As discussões acolhidas nos diferentes painéis do fórum têm girado em torno da integração e da partilha do património cultural na Área da Grande Baía, com especial incidência nas estratégias de revitalização de sítios culturais e na utilização de tecnologia arqueológica avançada. Uma das principais iniciativas lançadas durante o evento foi o “Percurso Turístico Temático do Património Cultural da Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”. Esta iniciativa visa integrar os recursos regionais de turismo cultural e aumentar assim a visibilidade e a acessibilidade do património da região.

Ontem, no primeiro dia de fórum, o evento foi aberto com o tema de Macau, que emergiu como um exemplo de diversidade cultural ao apresentar a mistura de influências chinesas e ocidentais, que moldaram a identidade da região ao longo dos séculos. Foram também apresentados diversos casos de estudos e destacadas iniciativas bem-sucedidas de preservação do património de diferentes partes da região. As discussões do dia abordaram ainda o papel da tecnologia na conservação do património, com os avanços na documentação digital e na realidade virtual a serem reconhecidos como ferramentas poderosas para melhorar o acesso do público e a apreciação dos sítios culturais.

Hoje, o evento será aberto com o tema da importância da promoção de intercâmbios ao longo da Rota Marítima da Seda, uma rota comercial vital que tem facilitado as interacções culturais durante séculos, que será discutido pelos oradores Tan Shulin, Huang Jiexian, Cao Jin e Xiao Lijuan. Depois de um intervalo, o foco passa a ser o tema “Intercâmbio e cooperação no domínio do património cultural na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”, com apresentações de Soraya Genin e Su Zhangde, que abordarão a cooperação internacional e as iniciativas locais. Serão ainda discutidas diferentes iniciativas de educação e sensibilização para cultivar uma compreensão mais profunda do património cultural entre as gerações mais jovens. A tarde prosseguirá com debates relativos aos intercâmbios arqueológicos e à protecção do património cultural de Sun Yat-sen, terminando com uma pausa antes da cerimónia de encerramento do fórum.

A Área da Grande Baía está posicionada como um centro de convergência cultural, com medidas delineadas como o “Plano de desenvolvimento da área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”, que visa reforçar a integração cultural e económica da região, ao propor que Macau se transforme numa “base de intercâmbio e cooperação com a cultura chinesa como principal objectivo e a coexistência multicultural”. Em promover intercâmbios culturais e projectos de colaboração como este, a Área da Grande Baía procura tirar partido do seu contexto histórico para impulsionar a inovação e o desenvolvimento sustentável.

O Fórum do Património Cultural da Área da Grande Baía constituiu um marco no diálogo em curso sobre a importância do património cultural. Ao reunir diversas vozes e perspectivas, o fórum destaca o papel fundamental que o património desempenha na formação da identidade, na promoção da coesão social e na condução do desenvolvimento sustentável na região. As iniciativas e as colaborações criadas durante este evento estão posicionadas para ter um impacto duradouro na preservação e revitalização das posses culturais, numa tentativa de garantir que continuam a enriquecer a cultura das gerações vindouras. Espera-se agora que os resultados do fórum sirvam de base para futuras políticas e iniciativas destinadas a melhorar a paisagem cultural da região.

 

 

 

Maria José de Freitas recorda caso das cidades portuárias, ameaçadas pela subida do nível das águas

 

“A questão climática é uma situação a que o ICOMOS está atento. A subida do nível das águas naturalmente ameaça as cidades portuárias e os centros históricos. No caso de Macau isso será evidente, no caso [da zona] do Porto Interior já acontece”, referiu à Lusa, à margem do Fórum do património cultural da zona da Grande Baía. Maria José de Freitas notou, porém, que há já “uma série de situações que estão a ser testadas a nível académico e científico” e que depois podem ser disseminadas por toda a região. Para fazer face aos fenómenos meteorológicos severos em Macau, como tempestades tropicais, o presidente da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, o engenheiro Joseph Lee, defendeu na altura uma “combinação de soluções baseadas na natureza”, como o desenvolvimento de mangais que podem ajudar a reduzir o impacto das ondas em caso de tufões, e de “soluções estruturais”. Joseph Lee disse nesse mesmo ano que recebeu 1,14 milhões de patacas de financiamento para liderar uma investigação pioneira de três anos sobre condições meteorológicas severas no território.